12/02/2021 às 11h54min - Atualizada em 12/02/2021 às 11h43min

Crônica - Me sinto um ET

Anna Sales - Editado por Roanna Nunes
Anna Sales

“Me sinto um ET”, essa foi a frase que minha mãe disse ao constatar que só eu, ela e meu pai estávamos usando máscaras ao ir à praia. Quase um ano de pandemia, entendo que nem todo mundo tem mais paciência para lidar com o confinamento. Escolhemos uma praia distante, com pouca gente, afinal, moro no Nordeste e o Verão por aqui é sinônimo de muito calor, turistas e praias cheias. Sim, mesmo na pandemia as praias estão cheias de turistas. Tento entender que por um lado é bom, pois movimenta a economia e gera renda. Por outro lado fico preocupada, pois num calor de 30 graus quem pensa em usar máscara? 

 

“Ah, mas praia é um lugar aberto, tem menos chance de se contaminar pelo vírus”, escuto muitas pessoas justificando. Mas, de acordo com os infectologistas, os cuidados devem permanecer e as chances de transmissão são as mesmas, afinal, pode até ser um lugar aberto, mas com a aglomeração o local se torna tão propício para a contaminação quanto os lugares fechados. 

 

Em Alagoas quase todos os dias os casos confirmados se mostram acima de 400 e desde o começo da pandemia foram constatados 122.491 infectados, segundo o Portal G1, um número alto para um estado que tem como população total pouco mais de 3 milhões de pessoas, mesmos assim, isso parece não preocupar a população. Desde dezembro, quando os casos subiram novamente, não faltaram alertas dos profissionais que estão na linha de frente e do Secretário de Saúde para que se mantenham os cuidados, mas muitos ignoram e desacreditam, basta observar os comentários de qualquer portal de notícias ao tentar alertar a população. 

 

Esses são alguns dos comentários mais 'tranquilos': “Vocês estão gerando pânico na população”, “Deixem de contar mentiras!”, “O governador está aumentando o número de casos para lucrar com isso”. Também tem um clássico que aparece sempre: “Na época da eleição podia aglomerar!”. Esse comentário está presente em quase todas as notícias que citam o coronavírus, principalmente quando informam sobre o cancelamento de eventos tão esperados e tradicionais, como o natal, o carnaval e a festa da Padroeira, a indignação se repete da mesma forma quando é noticiado o fechamento dos locais de lazer como parques de diversões, cinemas e praias. 

 

No período das eleições os casos estavam em queda, porém, logo após começaram a subir. Houve flexibilização e naturalmente um certo descuido. Afinal, quem aguentaria passar tantos meses em casa trancado? Mesmo assim, não dá mais para negar a realidade. 

 

Muitos vivem na onda do negacionismo desde o começo da pandemia e essa atitude vem sendo apoiada pela maior autoridade do país e pelo Ministro da Saúde através da divulgação de remédios sem eficácia comprovada, comparação com uma simples ‘gripezinha’, defesa da inutilização no uso de máscaras e acomodação mediante ao atraso na compra das vacinas. Algumas pessoas caíram nessa farsa e até conseguiram escapar. Outras, infelizmente não tiveram tanta sorte. Há ainda quem pagou o preço pela ignorância de muitos.  

 

As eleições acabaram em novembro de 2020 e já estamos em fevereiro de 2021 com a segunda onda da COVID-19. Vários estados brasileiros estão com a saúde em crise, a exemplo do Amazonas, ainda assim, boa parte da população finge que não enxerga. Não dá mais para fechar os olhos, a ‘gripezinha’ já matou 236.397 brasileiros e não há tratamento precoce. A esperança surge com a vacinação, mas ainda é muito cedo para retomarmos a vida como se a pandemia nunca tivesse existido. “Eu estou cansada de ficar em casa”, alguns podem declarar. Eu também estou, tem dias que acredito não aguentar mais. Porém, sigo tentanto ser forte, afinal, a pandemia continua aí e até que ela vá embora, continuarei sendo o ‘E.T’ que usa máscara até na praia.


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