21/02/2021 às 01h01min - Atualizada em 21/02/2021 às 00h46min

Malcolm X: 56 anos da morte de um dos maiores líderes negros da história

Saiba sobre os principais acontecimentos da vida do ativista

Gustavo Domingos - Editado por Luhê Ramos
No dia 21 de fevereiro de 1965, Al Hajj Malik Al-Shabazz, mais conhecido como Malcolm X, foi assassinado com 16 tiros no momento que iria iniciar mais uma de suas falas e levar seus ideais ao público. Além de um grande líder do povo negro, Malcolm tem um história de altos e baixos em sua vida. Sofreu os efeitos da sociedade americana desde a infância, que como resultado, teve muitas consequências em seu futuro.

Para prestar homenagem há essa data, traremos aqui um pouco dos acontecimentos marcantes da vida do ativista afro-americano. Utilizando o longa de Spike LeeMalcolm X” (1992), que segue os acontecimentos do livro feito pelo próprio Malcolm e Alex HaleyAutobiography of Malcolm X “(Autobiografia de Malcolm X). Ademais, no longa, Malcolm é interpretado de maneira perfeita por Denzel Washington, que recebeu indicação ao Oscar de Melhor Ator.

                                                     

Infância

Malcolm Little nasceu em 19 de maio de 1925 em Omaha, no estado de Nebraska, nos Estados Unidos. Seu pai era Earl Little, um pregador que defendia os ideais negros e lutava contra a opressão que a sua comunidade sofria. Como resultado, sua família vivia sofrendo ameaças e ataques de membros da Ku Klux Kan. Por fim, seu pai foi espancado por esses membros. Colocaram o corpo dele (ainda vivo) em uma linha ferroviária para ser dividido em dois pela locomotiva que estava por vir.

Por outro lado, sua mãe Louise Little nasceu de um estupro cometido por um homem branco. Desse modo, sua pele era clara e a mesma odiava esse tom. Segundo Malcolm em sua autobiografia, esses foram um dos motivos para ela casar-se com seu pai negro. Após a morte de Earl, com nove filhos para criar, Louise não tinha condições financeiras, uma vez que poucos queriam empregar uma mulher negra. Assim sendo, o governo separou seus filhos, nesse ínterim ela sofreu um colapso nervoso e acabou sendo internada.

Por fim, Malcolm foi criado com uma família branca. Os insultos eram constantes: “Me chamavam tanto de negro, que eu esquecia meu nome” (Malcolm X, 1992). Além disso, há uma cena no longa-metragem que retrata o professor de Malcolm dizendo que é impossível um negro torna-se advogado e que ser carpinteiro era o máximo para o garoto, mesmo ele sendo um dos melhores da classe. Esses aspectos transformaram o Malcolm do futuro.

                                                    

A vida no crime


Malcolm foi morar em Boston e lá conheceu o seu melhor amigo Shorty. Ambos deixavam seus cabelos lisos, para ficarem parecidos com brancos. No entanto, o produto utilizado deixava o cabelo vermelho, por isso que na época X era conhecido por Red. Os amigos frequentavam bailes e casas de jogos. Nesse tempo, ele conhece Sophia, uma mulher branca que o encanta e o faz largar Laura (sua namorada negra, que tornara-se prostituta no futuro).

Posteriormente, Malcom muda-se para o Halem e lá entra para o mundo do crime e começa a usar várias drogas como maconha e cocaína. Porém, tempos depois têm desentendimentos com o chefão West Indian Archie e assim foge de volta para Boston. Como resultado, para sobreviver ele, juntamente com Shorty, Sophia e a irmã de sua parceira praticam vários furtos. Entretanto, acabam sendo pegos em um desses e tanto Red como Shorty são condenados há 10 anos de prisão, não só por furtos, mas por terem relações com mulheres brancas.

                                                    

A prisão e sua devoção ao Islã

Na prisão, o futuro ativista era antirreligioso e usuário de drogas. Em um certo dia, Baines um mulçumano negro conversa com Malcolm sobre a doutrina que segue. O mesmo é devoto da Nação do Islã, que tem como fundador Elijah Muhammad. Vale ressaltar, que esse personagem foi criado para o longa “Malcolm X (1992)”, uma vez que na autobiografia quem apresenta a religião a Malcolm é seu irmão mais novo Reginald Little.

Por fim, após insistências e ensinamentos de Baines, Malcolm cede e aceita Alá como seu Deus. Posteriormente, anos depois, ao sair da cadeia junta-se a Baines (que foi solto antes de Malcolm) e a seu líder Elijah Muhammad. Como resultado, a Nação do Islã cresce enormemente com Malcolm de porta voz e lá ele recebe o seu nome X, que é uma incógnita, uma vez que o sobrenome Little é um nome americano de escravo, mas X é do seu verdadeiro sobrenome de origem africana.

                                                       

Malcolm X e suas ideologias com o Islã

A partir desse momento, Malcolm X fica conhecido nacionalmente com seus ideais, lutas raciais e teológicas. No longa é passado vários discursos de sua vida, como um dos mais marcantes que é do “escravo da casa grande” e o “escravo do campo”. Em suma, o primeiro mesmo sendo escravo gosta de onde vive, uma vez que come, dorme e mora bem. Por outro lado, o segundo pensa em fugir já que trabalha como um escravo e não têm bens algum na vida.  

Em resumo, as principais questões dessa fase de Malcolm são as falas radicais em relação aos brancos, na qual afirma que os brancos são demônios. Além disso, X sugere que a única forma dos negros serem respeitados na América é uma separação total entre negros e brancos. Ademais, criticava outros líderes negros como Martin Luther King Jr., pela razão do pastor querer unir as raças e pregar compaixão ao opressores. Vale ressaltar, que todos esses pontos foram posto seguindo os ensinamentos de Elijah Muhammad.

Nesse meio tempo, Malcolm se casa com um jovem muçulmana chamada Betty, com quem teria seis filhos.

                                                     

Afastamento da Nação do Islã e viagem a Meca

Malcolm fez a Nação do Islã ser reconhecida mundialmente. No entanto, isso despertou inveja do seu líder Elijah Muhammad, que o enxergava como uma ameaça ao seu poder. Desse modo, Muhammad só estava esperando um motivo para tirar X dos holofotes. Conseguiu com a declaração de Malcolm sobre o assassinato do presidente John Kennedy. Em suma, Malcolm disse que Kennedy era responsável por sua própria morte, um ditado no Brasil conhecido como “Aqui se faz, aqui se paga”.

Posteriormente, após esse pronunciamento, Elijah afasta Malcolm e o mesmo sofre várias acusações de traição. Porém, o que a história traz à tona é que Malcolm que foi traído por razão de sua fama e influência. Com o afastamento, X viaja a Meca, a cidade sagrada dos muçulmanos e lá descobre novamente o que ele deseja defender: os negros, mas não teologicamente e sim racialmente e questionando questões de classes sociais; além da união de negros e brancos que lutam pelo mesmo objetivo de igualdade.
  
                                                                 

Malcolm X e suas ideologias afro-americanas  

Em sua volta aos Estados Unidos, Malcolm funda a Organização da Unidade Afro-Americana, que não tinha como importante a religião, mas sim a luta de classes, igualdade e contra o racismo. Desse modo, o ativista pede desculpas aos demais líderes de movimentos negros, uma vez que o próprio tinha feito severas críticas aos demais. No entanto, X ainda defendia a violência como forma de proteção pessoal.

Foi nesse momento que Malcolm X percebeu que a questão da comunidade negra estava intimamente ligada ao capitalismo. Como resultado, X defendeu o socialismo e criticou o sistema de exploração e exclusão que era o capital. Ademais, essa última fase de Malcolm é a mais lembrada dele por movimentos que o utilizam como exemplo, uma vez que foi nesse momento que Malcolm juntou questões raciais e sociais como as maiores barreiras da comunidade negra.

                                                        

Morte e Legado


Quando Malcolm X estava iniciando e mostrando suas novas ideias, os membros da Nação do Islã e agentes do governo começaram a espionar e ameaçar X e sua família. No longa de Spike Lee, é mostrado quando a casa da família X é incendiada, bem como a casa dos Little, quando Malcolm ainda estava no ventre de sua mãe.

Posteriormente, Malcolm foi morto em 21 de fevereiro de 1965, com apenas 39 anos e uma jornada enorme pela frente. Foi assassinato em público por três membros da Nação do Islã com 16 tiros, pouco antes de começar a discursar em sua nova fundação (Organização da Unidade Afro-Americana). Ademais, estava no local sua esposa Betty (que estava grávida) e suas quatro filhas.

                                                     

Por fim, sem dúvidas alguma, Malcolm X influenciou a década que viveu e muito mais ainda as décadas futuras. Suas ideias e ensinamentos são válidos até hoje. Além disso, a figura dele é marcante, uma vez que um negro teve coragem suficiente para falar o que estava acontecendo de errado para todo o mundo. Homens com Malcolm e Mather são raros e infelizmente não sobrevivem para ver os frutos de seus esforços, porém sempre serão lembrados como líderes negros que mudaram o curso da história.

                                               

 
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