02/03/2021 às 03h25min - Atualizada em 02/03/2021 às 03h14min

Kunumi MC: “A luta dos indígenas tem que ser a luta de todos”

Rapper nativo procura dar continuidade às causas de seu povo a partir da música

Beatriz Rabelo - Revisado por Mário Cypriano
Reprodução: Kunumi MC RAP Nativo/ Vídeo: Xondaro Ka'aguy Reguá
Na forma do Rap, o indígena Werá Jeguaka Mirim, conhecido como Kunumi MC, usa sua voz para tecer críticas ao descaso da sociedade com a população indígena. Da Aldeia Krukutu, em São Paulo, o rapper nativo busca inspiração na cultura e no modo de  vida para compor seus versos e dar continuidade à luta do seu povo.

Cantando em sua aldeia desde criança, o vínculo com a música e a luta sempre existiu. Mas, foi apenas após sua aparição na Copa do Mundo de 2014 que ele começou a se envolver com o rap e transformar seu canto em ensinamento. Foi nesse ato que usou seu convite de simbolizar a paz para protestar pela demarcação das terras indígenas em frente ao mundo inteiro.

O jovem de dezenove anos, que já está acostumado a se apresentar desde os seis, quando fez seu primeiro curta-metragem, explica como a tradição do seu povo se conecta com a sua música. “Quando eu subo no palco e canto a música em guarani, mesmo que seja Rap, eu sinto que os nossos ancestrais estão presente.” conta.


Cantando em guarani, músicas como Xondaro Ka'aguy Reguá (Guerreiro da Floresta), Kunumi MC combina uma lenda contada por seus ancestrais com um protesto contra o desmatamento das florestas e extinção em massa dos animais. Ele fez essa música para mostrar o olhar do indígena em relação ao mundo.
 
 

Existe uma lenda Guarani muito antiga, contada pelos nossos ancestrais
Ela diz que das águas nascerá um guerreiro que levará o seu povo a uma nova existência.
Antigamente na floresta havia muitas frutas para comer
Muitas frutas para comer...
Mas os brancos vieram e destruíram tudo o que Deus criou
Mas os brancos vieram e destruíram tudo o que Deus criou
Tudo o que Deus criou...

Xondado Ka'aguy Reguá (Guerreiro da Floresta)

Procurando passar em suas rimas os ensinamentos sobre a situação da natureza e de seu povo, o rapper também usa seu talento na literatura, assim como seu pai, Olívio Jekupé, um dos pioneiros na literatura indígena. Dentro de seus livros publicados está Kunumi Guarani (Panda Books, 2014), que conta seu dia a dia na aldeia. Assim, o rapper faz uso de sua arte não apenas para lutar contra a destruição da natureza pelo homem, mas também para dar voz ao seu povo no meio artístico. Sua manifestação da vida de um nativo no século XXI e da sua cultura são claros em ‘A Força de Tupã’.

Já tendo sofrido descriminação por estar nesse meio, ele expõe como não-indígenas diziam que esse estilo musical não era para pessoas nativas. Segundo Kunumi, os indígenas tem uma grande missão de serem valorizados porque são muito discriminados.

Lutando contra o preconceito, o compositor prevê não apenas novas músicas para esse ano, mas também um livro com seu pai: ‘Kunumi, o Guerreiro da Copa e suas Músicas’. Com algumas canções já prontas e outras em fase de produção, Kunumi MC foi selecionado pelo novo edital da Natura Musical. A primeira música deste ano tem lançamento previsto para abril .

‘A maior conquista que eu tive é poder levar essa mensagem que representa todos os povos indígenas para o mundo’ diz Kunumi. O rapper espera levar essa luta pela demarcação da terra e preservação da natureza para todos. Sua missão é a união de povos para fazer do mundo um lugar melhor no futuro.


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