02/03/2021 às 19h27min - Atualizada em 02/03/2021 às 19h15min

Desmatamento é responsável pelo surgimento de novas epidemias

Entenda como o crime ambiental contribui diretamente na propagação de doenças

Gabriela Pereira - Editado por Ana Paula Cardoso
REPRODUÇÃO: BRUNO KELLY/ AMAZONIA REAL
A crise provocada pelo novo coronavírus paralisou o mundo e fez toda a população refletir sobre a importância da preservação ambiental. Quando não existe um controle efetivo do desmatamento, o risco de surgirem epidemias se multiplica.

Inúmeras doenças já foram transmitidas para o homem por meio de animais. Isso acontece quando existe um contato muito próximo e direto, o desmatamento por exemplo, é uma ação que potencializa esse tipo de contato.

Um estudo publicado na revista Landscape Ecology apontou que: “Diversas pandemias já foram causadas por vírus transmitidos de animais para humanos, como HIV, Sars-CoV e Sars-CoV-2. Essas e outras patologias podem ser causadas pelo desmatamento contínuo para uso agrícola do solo ou habitação humana, aproximando animais silvestres e seus vírus das pessoas”.

RELAÇÕES DIRETAS   
                                            

De acordo com um relatório das Organizações das Nações Unidas (ONU), desde a década de 1940, pelo menos 70% das enfermidades foram originadas em animais. Segundo a especialista Silvia Ribeiro, do Grupo de Ação sobre Erosão, Tecnologia e Concentração uma grande concentração de animais confinados é um terreno fértil para a proliferação de vírus e bactérias através do comércio mundial.

“Das doenças infecciosas, causadas por vírus ou bactérias nas últimas décadas, 75% tem origem animal. Isso tem a ver, por exemplo, com a gripe suína, a gripe aviária, que estão diretamente ligadas à agropecuária industrial. São lugares de grandes assassinatos, onde se facilita a mutação de vírus rapidamente, que entram em contato com humanos” afirmou em entrevista cedida ao MST.

FLORESTA AMAZONICA

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o desmatamento na Amazônia bateu o recorde no primeiro trimestre de 2020. Houve um aumento de 51% de área desmatada em relação ao mesmo período em 2019, equivalendo a aproximadamente 796 km de mata desmatada.

Ainda de acordo com o INPE, nos últimos 12 anos, 117 mil metros quadrados foram desmatados na floresta amazônica. Caso essa prática continue a ser realizada, as consequências para a saúde do ser humano poderão ser catastróficas.



Não é possível mensurar os tipos de doenças que poderiam surgir provenientes do desmatamento no território brasileiro. O Brasil atualmente tem 12% da cobertura florestal de todo o mundo.

No relatório publicado pela ONU, a entidade declarou que "o agronegócio deve cumprir seus compromissos com cadeias de commodities livres de desmatamento e as empresas que não assumiram compromissos de desmatamento zero devem fazê-lo. Os investidores em commodities devem adotar modelos de negócios que sejam ambiental e socialmente responsáveis”.

Um estudo realizado em 2015 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) constatou que para cada 1% de floresta derrubada, os casos de Malária aumentavam cerca de 3%.

“A floresta fechada é como um escudo para que comunidades externas entrem em contato com animais que são hospedeiros de micro-organismos que causam doenças. E quando a gente fragmenta a floresta, começa a fazer vias de entrada no seu seio, isso é uma bomba-relógio”, afirma Ana Lucia Tourinho, doutora em ecologia e pesquisadora da Universidade Federal Do Mato Grosso (UFMT), em entrevista cedida ao Portal DW.











REFERENCIAS 

F. ALCANTARA. CRISE AMBIENTAL TEM RELAÇÃO COM O SURGIMENTO DE NOVAS EPIDEMIAS.MST. 8 DE OUTUBRO DE 2020. DISPONIVEL EM <
https://mst.org.br/2020/10/08/crise-ambiental-tem-relacao-com-surgimento-de-novas-epidemias/>




 

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