06/04/2021 às 14h08min - Atualizada em 06/04/2021 às 12h06min

Mostra de cinema Poca Zói: a importância da produção independente no Sudoeste Baiano

Nadiane Santos - revisado por Jonathan Rosa
Foto: Divulgação/ Mostra Poca Zói

Realizada entre os dias 15 e 30 de março de 2021, a Mostra Poca Zói foi criada em 2018 a partir de uma iniciativa do projeto universitário Janela Indiscreta. Inicialmente, contava apenas com obras universitárias, tendo posteriormente incluído trabalhos de artista de todo o Nordeste brasileiro. Originária de Vitória da Conquista na Bahia, o evento que é uma forma de levar ao público produções locais independentes, foi realizada no formato online este ano, por conta da pandemia global.

O cinema independente floresce na região há muito tempo, tendo como um de seus pioneiros de maior destaque, o diretor Glauber Rocha, criador da frase: “Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”. A partir deste preceito o cineasta idealizou o Cinema Novo, movimento cinematográfico iniciado na década de 1960 e que buscava produzir filmes que retratassem a realidade brasileira, a exemplo da violência e miséria.

Inspirado em ideias de outros movimentos que tinham propostas semelhantes, como Neorrealismo Italiano, diversas obras foram produzidas no período, a exemplo de “Deus e o Diabo na Terra do Sol. O longa é considerado uma das obras-primas do cinema brasileiro e conta a história de Manuel e Rosa que viviam em meio às mazelas do sertão nordestino na década de 1960. O filme recebeu uma indicação a Palma de Ouro no Festival de Cannes.

Atualmente, a região ainda conta com diversas produções independentes, o que torna importante o trabalho realizado pela mostra Poca Zói. Quanto as produções que foram apresentadas neste ano, em diversos formatos como: documentários, curtas e histórias de ficção. E abordaram mistas, trazendo temas históricos, sociais e culturais. Um dos documentários presentes, “Trova Yucateca: la música de ayer, de hoy y de siempre” foi produzido pela jornalista Brenda Tomáz e trata sobre o gênero musical da cultura popular mexicana.
 
Segundo Brenda a motivação para o documentário surgiu pois passou um longo período no Mexico, onde entrou em contato com estilo musical. “Por questões de trabalho, a minha família morou no México durante 13 anos, a maior parte da minha infância e adolescência foi lá. Antes de vir para o Brasil, eu conheci a cidade de Mérida [Yucatán]”, disse a jornalista. Ela comentou ainda que quando conheceu o lugar, percebeu que apesar de ser rico culturalmente, não existia nenhum documentário sobre a música do local.
 
Quanto à produção, ela ocorreu entre 2019 e 2021, sendo um processo difícil devido à distância e o fato do orçamento e equipamento serem de forma independente sem nenhuma produtora. Tendo apoio apenas de familiares e da Universidade em que estudava durante o período das filmagens. “Embora tenha tido dificuldades, foi uma experiência muito satisfatória o fato de poder conhecer todas as pessoas que conheci e poder registar um pouco de sua história de vida e expressão cultural", explicou Brenda.

A ideia de participar da mostra Poca Zói, veio da oportunidade de mediação entre público e produtores independentes que o evento proporciona. “Tive um retorno muito maior do que eu esperava e felizmente mais de 300 pessoas já assistiram ao documentário, a grande maioria durante as duas primeiras semanas de exibição do festival", esclareceu Brenda.

O cinema produzido na região sempre teve um caráter de documentar realidades vividas por diversos grupos, tendo um destaque especial para produções independentes. Assim, a Poca Zói foi de grande importância na divulgação dos trabalhos mais recentes, principalmente no atual período, em que se torna difícil acesso a salas de cinema ou mostras presenciais.

 

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