16/06/2021 às 23h12min - Atualizada em 16/06/2021 às 23h03min

Haters | Quem são e como afetam o emocional dos usuários na internet

Constantemente conectado, o público que trabalha com as redes sociais é o mais afetado.

Luana Costa - Revisado por Mário Cypriano
Luisa Sonza foi alvo de diversos ataques nas redes sociais - Foto: Instagram / Reprodução
No dia 31 de maio, a cantora Luísa Sonza foi alvo de diversos ataques nas redes sociais, após seu ex-marido, o humorista Whindersson Nunes, anunciar o falecimento do seu primeiro filho, nascido de forma prematura. Após a série de xingamentos e ameaças, a artista se ausentou das redes sociais para cuidar da saúde mental, precisando adiar o lançamento do seu novo álbum.
 

O caso de Luísa é só mais um exemplo do crescimento da cultura de disseminação de ódio gratuito e linchamento virtual, propagados pelos chamados haters.
 

Mas afinal, quem são os haters?


Os haters, também conhecidos como "odiadores", são pessoas que disseminam comentários de ódio e críticas sem teor construtivo no ambiente virtual, apenas com o intuito de menosprezar o sucesso de outras pessoas e chamar atenção.

Com o crescimento da internet, as redes sociais se tornaram cada vez mais polarizadas. Dessa forma, os haters passaram a expor suas opiniões, expressando suas indignações, mas se mostrando contra o diálogo.

Essas atitudes podem ser analisadas no que o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han chama de “sociedade da indignação”, na qual ele diz:


 
“A sociedade da indignação é uma sociedade do escândalo. Ela não tem compostura. A desobediência, a histeria e a rebeldia não permitem nenhuma comunicação discreta e factual, nenhum diálogo, nenhum discurso”.

A partir da facilidade para a criação de perfis nas redes sociais, o anonimato se tornou peça-chave no crescimento desses comentários. Segundo o filósofo, esse anonimato está diretamente ligado à falta de respeito que o ambiente digital oferece. “O respeito está ligado aos nomes. O anonimato e o respeito se excluem mutualmente. A comunicação anônima que é fornecida pela mídia digital descontrói enormemente o respeito. Ela é corresponsável pela cultura de indiscrição e de falta de respeito em disseminação”, afirma.

O anonimato, junto à velocidade da propagação de mensagens que o ambiente digital oferece, também abrem caminhos para que os discursos preconceituosos sejam cada vez mais frequentes. A SaferNet Brasil, associação que promove a defesa dos direitos humanos na internet, divulga que, em 15 anos, recebeu mais de 4 milhões de denúncias anônimas relacionadas a crimes cibernéticos. Muitas delas referentes aos preconceitos de racismo, machismo, LGBTfobia, xenofobia e intolerância religiosa.
 

Dados sobre os crimes cibernéticos relacionados ao preconceito em 2020 - Fonte: Safernet / Gráfico: Luana Costa


As consequências desses ataques


Para a psicóloga Anne Beatriz de Lima, a série de comentários negativos pode causar um grande desenvolvimento de problemas emocionais em que, na maioria dos casos, as vítimas são pessoas que trabalham nas redes sociais. “Infelizmente, esses casos são os principais causadores da desestabilidade emocional ocasionado pelo uso abusivo das redes sociais [...] Por sua vez, podem causar situações extremas de crises de ansiedade, depressão, ataques de pânico e isolamento social”, afirma.

Como alternativas saudáveis para lidar com os ataques, Anne conta que o afastamento das redes sociais é uma das saídas para melhorar o psicológico, principalmente durante o período da pandemia, no qual muitas pessoas passaram a se conectar mais nas redes sociais.

Além disso, ter uma rede de apoio como o acompanhamento psicológico e a prática de atividades fora da internet são atitudes extremamente necessárias. “Regularizar o sono, cuidar da alimentação, reservar um tempo com as pessoas que você gosta, atividade física [...] Aproveitar o processo para se conhecer melhor, autocuidado”, exemplifica a psicóloga.

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