26/06/2021 às 14h21min - Atualizada em 20/06/2021 às 20h58min

Com o fim do Domingão do Faustão mais uma era dos programas de auditório se finda

Desde os anos 50 os programas de auditório alegram o cotidiano dos brasileiros. Confira alguns programas que tiveram seu fim de forma brusca

Pedro Lima - revisado por Jonathan Rosa
Fausto Silva, no comando do agora extinto Domingão do Faustão (Foto: Divulgação/ Rede Globo)

Com o fim de uma hegemonia de mais de 30 anos, no último dia 13 de junho, foi ao ar o último Domingão do Faustão apresentado por Fausto Silva. Após o anúncio de sua ida para Band em 2022 a Rede Globo decidiu antecipar o fim do seu programa de forma que pegou a produção e os telespectadores de surpresa. Causando indignação no público e gerando diversas  manifestações para que houvesse por parte da emissora dos Marinhos, uma despedida à altura do apresentador e do programa de auditório que alegrou os brasileiros por tantos domingos. 

O Domingão do Faustão foi interrompido de uma semana para outra, enquanto levava ao ar o quadro Super Dança dos Famosos, que a partir de então se tornou um programa solo apresentado por Tiago Leifert

O programa dominical, foi criado sob a expectativa de que Fausto Silva incomodasse os demais programas do gênero, tendo como principal concorrente o Silvio Santos, coisa que de fato aconteceu. De forma irreverente o apresentador levou em seu primeiro programa personalidades do calibre de Dercy Gonçalves, Xuxa e Lulu Santos, fenômenos na época. 

Trazendo de volta o tom popular deixado por Chacrinha, o Domingão do Faustão ficou no ar por 32 anos, e ao longo desse período nasceram quadros que caíram no gosto do público. Além de inúmeras atrações musicais e de uma plateia cujo apresentador fazia questão de interagir.

Na metade dos anos 90 e início dos anos 2000, o Domingão do Faustão se viu ameaçado por outro programa de auditório, o “Domingo Legal”, apresentado por Gugu Liberato, falecido em 2019. Com quadros de conotação sexual e musicais, o programa do SBT fisgou boa parte do público da Globo. Como resultado, a emissora se mexeu e promoveu algumas mudanças, que logo surtiram efeito trazendo de volta o telespectador que acompanhou momentos marcantes da história da televisão brasileira. Diante disso relembro outros três programas de auditório que deixaram saudades no Povo brasileiro.


Cassino do Chacrinha: Abelardo Barbosa, nacionalmente conhecido como Chacrinha, teve a Hora do Chacrinha, a Buzina do Chacrinha e a Discoteca do Chacrinha. Mas o programa que o consagrou como o maior comunicador do país foi o Cassino do Chacrinha. Conduzindo a atração de forma irreverente o apresentador recebeu calouros dispostos a ter um reconhecimento nacional, porém muitas vezes os mesmos eram agraciados com a famosa buzina do velho guerreiro. Grandes nomes da MPB passaram pelo palco do cassino, como: Roberto Carlos, Gretchen, Titãs, Simone, entre outros artistas. Outra grande recordação do programa são as famosas chacretes, assistentes de palco que esbanjaram carisma e sensualidade.

Hebe: A rainha da televisão brasileira, como ficou nacionalmente conhecida, comandou por muito tempo um talk show que levava o seu nome Hebe. Mas antes disso a mesma participou a convite de Assis Chateaubriand da primeira transmissão ao vivo da televisão brasileira em 1950, logo depois estreou o seu primeiro programa de auditório O Mundo é das Mulheres em 1955.

Já na década de 60 Hebe estreou um novo programa, este o consagraria como a rainha da TV no Brasil e que perdurou no ar até 2012, tendo passado por emissoras como RecordTV, Rede Tupi, Rede Bandeirantes, SBT e por fim a RedeTV!. Hebe reunia grandes nomes em seu famoso sofá e debatiam sobre temas pertinentes à sociedade sempre os cumprimentando com a sua marca registrada, o “selinho”.

Em 27 de setembro de 2012, Hebe chegou a assinar um novo contrato com o SBT para retornar à sua antiga casa. A emissora chegou a exibir um comercial anunciando a volta da apresentadora à sua grade de programação; porém, sua morte, ocorrida em 29 de setembro, pôs fim ao tão esperado retorno, que estaria previsto para outubro.


Programa Flávio Cavalcanti: Apesar de ter algumas atitudes polêmicas, a exemplo de abominar o comunismo e o rock and roll, quebrar discos que considerasse ruins e ser a favor da censura. O apresentador Flávio Cavalcanti teve sua forma própria (sério e formal) de conduzir um programa de TV, em contrapartida a sua atração era muito aguardada pelo público, a fim de saber qual seria o debate que haveria no programa, as atrações musicais e quais discos ele quebraria no ar. Com um gesto marcante, o apresentador tinha o costume de chamar o intervalo comercial levantando a mão que era focalizada pela câmera e disparava a seguinte frase: “Nossos comerciais, por favor!”.

Com o encerramento da Rede Tupi em 1980, Flávio vai para a Rede Bandeirantes, e em 1983 migra para o SBT. Durante a apresentação de um dos seus programas ao vivo, sente-se mal, e a atração passa a ser comandada por Wagner Montes, que informa que Flávio havia sentido uma indisposição e que retornaria na próxima semana, porém isso não aconteceu, já que após quatro dias o apresentador faleceu.

Por conta da morte de Flávio Cavalcanti, o SBT cancelou a sua programação do dia e exibiu uma mensagem de luto.

 

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