11/07/2021 às 19h44min - Atualizada em 12/07/2021 às 23h46min

X-Men o Filme: os 21 anos da franquia que abriu as portas para os super-heróis no cinema

O legado dos mutantes reflete até os dias de hoje nos super-heróis das telas

Jonathan Rosa - Editado por João Martinez sob a supervisão de Fernanda Simplicio
A 21 anos estreava nos cinemas o filme X-men o Filme. (Foto: Reprodução/ 20th Century Fox)

O ano é 2000 e tudo parece ter mudado com a chegada no novo milênio, inclusive os cinemas. A pouco mais de um ano o público havia ficado pasmo com o Matrix, das irmãs Wachowski, que havia levado o conceito dos filmes de sci-fi para outra nível, com seus closes de câmera nunca antes vistos e roupas em couro preto. Agora estamos em 14 de julho do primeiro ano do século 21, e X-Men o Filme finalmente chega ao público para mudar de uma vez por todas o conceito de super equipe nos cinemas.

Mesmo para quem não é fã dos mutantes, é muito importante saber que este primeiro filme foi de imensa importância para que outras produções focadas em heróis pudessem surgir depois, inclusive os agora famosos Vingadores do MCU. Marcando a história do cinema e servindo de combustível para a necessária mudança de mentalidade que a indústria cinematográfica vinha postergando a muito tempo.

Apesar de não ter sido o primeiro filme de super-heróis, e passar por constantes altos e baixos em sua jornada, a franquia X-Men é uma das mais significativas para o cinema blockbuster de hoje, e isso começou com o filme de 2000. Ainda que o Superman, estrelado por Christopher Reeve, tenha sido um marco para os nerds nos anos 70, ele infelizmente não foi capaz de provocar nenhuma mudança significativa para o gênero. Já o Batman teve o caminho manchado pelas galhofas de Joel Schumacher nos anos 90 antes de chegar nas mãos de Christopher Nolan mais de 10 anos depois. Quem mais se aproximou do vindouro sucesso de X-Men foi o filme do Blade lançado em 1998, que contribui para alguns elementos do primeiro longa dos mutantes. 

Há 21 anos atrás, o primeiro filme da franquia X-Men alavancou o status das histórias de quadrinhos adaptadas para o cinema. Até então, filmes de super-heróis não eram nada populares, principalmente por serem cercados de estereótipos mal elaborados e exagerados. Como “faltava” público interessado, os estúdios agiam de forma experimental com os personagens. 

Mas nos anos 90 o sucesso estava nos cinemas, já o mercado de quadrinhos de super-heróis estava muito em baixa. Então a solução foi levar os heróis dos gibis para as telas, mas todas as tentativas de adaptação para o cinema e para a TV falharam. Foi então que a casa das ideias teve que “dividir” sua antiga mina de ouro. A Marvel Comics abriu processo de falência no final daquela década, e vendeu os direitos cinematográficos de muitos de seus personagens. 

Assim, em 1994, a Fox Films obteve os direitos sobre os mutantes nos cinemas, e levou junto o Quarteto Fantástico, o Demolidor e o Motoqueiro Fantasma. A Sony ficou com o Homem-Aranha, e a Universal pegou o Hulk. Com os direitos dos filhos do Átomo em mãos, a Fox virou o jogo para os super seres no cinema, já que ao contrário dos filmes citados anteriormente, seria o primeiro a trazer uma equipe de heróis ao invés de apenas um, e isso foi só mais um ponto deste legado. 


 

Com um orçamento de 75 milhões, nenhum grande nome de Hollywood, e muitas especulações negativas dos especialistas em cinema, X-Men surgiria para agradar quem realmente importa, os fãs, e de quebra agradou a muitos críticos. Adotando um ar mais realista para os heróis, o cineasta Bryan Singer e os produtores da Fox, deixaram de lado o colorido dos quadrinhos e da série animada, e beberam da já mencionada estética punk de Matrix, dando um tom mais natural para um público pouco acostumado com trajes originalmente amarelos da super equipe.

Mas isso foi feito de forma estratégica, sem deixar de lado as principais características dos protagonistas. Mostrando que apesar de poderosos, todos lutavam com suas próprias questões pessoais, enfrentavam dilemas até mais do que vilões, e cometiam erros. Com isso, a carga dramática realista conversou mais com o público, que abraçou a ideia desses novos filmes, coisa que os quadrinhos já haviam aprendido a muito tempo, mas faltava transportar isso paras telas. 

Com uma narrativa coesa, protagonistas muito bem escritos e um vilão que não tinha a intenção de dominar o mundo e sim de provar seu ponto, X-Men conquistou o público e arrecadou 296,3 milhões de dólares ao redor do mundo, fazendo sucesso suficiente para garantir uma sequência e o mais importante, inspirando mais e mais o gênero de super-heróis nos cinemas. 

O filme dos X-Men foi responsável por estabelecer olhar para as histórias em quadrinhos que fizeram tanto sucesso e absorver o melhor das páginas, respeitando o produto original nos pontos que realmente importam. Utilizando arcos que realmente aconteceram nos quadrinhos, com os mesmos personagens e suas caraterísticas transportadas para a tela, trazendo um tom muito agradável ao público.

Outro ponto extremamente importante que também deixou o filme lembrado como um marco, foi a escolha cirúrgica do elenco. Todos os atores imergiram em seus personagens tão perfeitamente, que ficaram eternizados nestes papéis e seguiram nos filmes seguintes, ao menos a maioria deles. E a maior prova disso é que até hoje, ninguém consegue pensar em outro ator para dar vida a Wolverine sem ser Hugh Jackman, que recebeu um certificado do Guinness World Records por ser o ator que que passou mais tempo interpretando um mesmo super-herói da Marvel nos cinemas. É assim também com inúmeros personagens amados pelo público hoje em dia.

O sucesso de X-Men garantiu que outros estúdios e mesmo a Fox percebessem que o gênero de super-heróis ainda tinha muito a oferecer, e isso foi o pontapé para o início de muitas outras produções, como: Homem-Aranha, Demolidor, Elektra, Hulk, Quarteto Fantástico, Mulher-Gato, Superman: O Retorno, e o já citado reboot do Batman de Nolan. Todos esses longas, assim como a continuação da franquia dos Mutantes, foram moldando o gênero nos cinemas e abrindo um espaço confortável para criação da Marvel Studios, que observou e lapidou os acertos e erros desses filmes.

Como resultado, muitos destes universos se expandiram e popularizaram, dando aos filmes de super-heróis um status importante.  E a Fox expandiu ainda mais o universo dos mutantes, abrindo portas para produções com faixa etária acima de 18 anos como Deadpool (2016) e Logan (2017), reconhecido como um dos melhores filmes individuais de personagem dos quadrinhos. E com uma indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, a primeira de um filme de super-heróis.

Porém após inúmeros problemas nos bastidores e uma lista de ideias ruins envolvendo os mutantes, a Disney comprou a Fox, mas deu tempo de o estúdio lançar um último filme X-Men Fênix Negra de 2019, que não representa o legado dos bons filmes que o precederam. Naquele instante, ficou claro que os Filhos do Átomo mereciam mesmo um descanso, já que foram muitos anos trilhando sua história no cinema, brilhando, tropeçando e se reinventando. 

Mas apesar da franquia ter visto seu fim de forma amarga, o legado deixado pelos X-Men para o cinema de super-herói tem um saldo bastante positivo, e vários desses filmes merecem ser lembrados com carinho. Mas uma nova era de glória para os mutantes pode estar mais perto do que se imagina, graças a Marvel Studios o sonho de ver os X-Men interagindo com outros super-heróis parece cada vez mais real. 

O chefão da Marvel Studios Kevin Feige, já adiantou que os mutantes devem aparecer antes do que muita gente espera, e vale destacar que Ryan Reynolds já foi confirmado para voltar como Deadpool no MCU. Para completar, a ideia é que os integrantes dos X-Men apareçam antes de se tornarem uma equipe, de maneira semelhante ao que aconteceu com os Vingadores, agora desfrutando de todo esse legado que vem sendo trilhado desde 2000.

 

REFERÊNCIAS:  

FONTES, R. X-Men: O Filme – 20 anos e o seu legado. LEGIÃO JOVEM. 14 de jul. de 2020. Disponível em: <https://www.legiaojovem.com.br/x-men-o-filme-20-anos-e-o-seu-legado/> Acesso em: 09 de jul. de 2021.

LIRA, E. Qual o Legado da Franquia X-men? LEGIÃO DOS HERÓIS. 10 de jul. de 2019.  Disponível em: <https://www.legiaodosherois.com.br/2019/qual-o-legado-da-franquia-x-men.html> Acesso em: 09 de jul. de 2021.

PEREIRA, E. Hugh Jackman posta arte de Wolverine e foto com Kevin Feige no Instagram. OMELETE. 05 de jul. 2021. Disponível em: <https://www.omelete.com.br/wolverine/hugh-jackman-arte-wolverine-kevin-feige> Acesso em: 09 de jul. de 2021.

SALIM, N. Kevin Feige comenta sobre os rumores da escalação de um novo Wolverine. UNIVERSO X-MEN. 14de jan. de 2021. Disponível em: <https://universoxmen.com.br/2021/01/kevin-feige-rumores-escalacao-wolverine/> Acesso em: 09 de jul. de 2021.

YUGE, C. Conheça os bastidores que explicam os altos e baixos dos X-Men no cinema. CANALTECH. 22 de nov. de 2020. Disponível em: <https://canaltech.com.br/cinema/conheca-os-bastidores-que-explicam-os-altos-e-baixos-dos-x-men-no-cinema-174840/> Acesso em: 09 de jul. de 2021.


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