19/07/2021 às 18h58min - Atualizada em 19/07/2021 às 18h54min

Filme "Paternidade” da Netflix debate o papel do pai na sociedade

Kevin Hart interpreta pai solteiro no drama e mostra as lutas na criação de uma criança

Cler Dos Santos - Editado por Damáris Gonçalves
Filme "Paternidade" - Netflix / Divulgação

Kevin Hart estrelou o filme “Paternidade” (2021) da Netflix, que apresentou uma pegada de muita ternura e sonoridade. O filme foi inspirado no livro “Dois beijos para Maddy”, de Matt Logelin. O ator não é conhecido por filmes de gêneros próximos do drama, é famoso por atuar em comédias categorizadas como “besteirol”, por isso, sua atuação surpreendeu os espectadores e críticos de cinema. 

No filme, ele interpreta Matt, que fica viúvo ao nascer de sua filha, Maddy. Os desafios se misturam entre superar o luto da esposa amada, e criar a filha recém nascida, sem companhia e sem nenhuma experiência. Além desses desafios, ele ainda precisa lidar com a pressão no trabalho e com sua sogra, que não acredita nas suas habilidades de ser pai solteiro.

CRÍTICA

A trama tem grandes acertos. O primeiro está na quebra do tabu de que o pai de primeira viagem (e as vezes solteiro) é bobo e inconsequente. O estereótipo mostra um pai sem responsabilidades e sem preocupações com a criança. Infelizmente, existe uma grande porcentagem de pais que seguem a risca esse modelo. De fato, a arte imita a vida. Mas, contar o outro lado da história também é vantajoso, pois mostra outras realidades. 

O segundo acerto está no desempenho dos personagens. As histórias contadas são colocadas na trama de uma forma muito madura, com problemas da paternidade real. O filme foge da trama superficial da criança que perdeu a mãe cedo e lembra dela em tudo que vê. A história passa dentro de um cenário em que o pai precisa entender o seu papel na educação, criação, segurança e instituição de valores para uma criança que vai para o mundo. 
 

[ ALERTA DE SPOILER]
Em uma das cenas, Matt vai a uma reunião de mães, pois Maddy chora há horas e nada que ele faz é capaz de acalmá-la. Chegando ao encontro, ele percebe que é o único pai no local. O filme questiona a razão de apenas as mães saerem requisitadas no local. Por que os pais não "eram necessários" em uma reunião que busca ensinar mais sobre seus filhos e trocar experiências com outros responsáveis? 


Em determinado momento, ​Maddy começa a estudar numa escola gerenciada por freiras (era o sonho da mãe que ela estudasse lá), e o código de vestimenta inclui saias e roupas discretas. Mas Matt, com seu jeito único, cria a filha de uma forma livre. Maddy tem opiniões fortes e é muito brincalhona e agitada, o que não combina com saias. 

Então, ele a manda para a escola de calça e tênis, contrariando as gestoras da escola. A crítica sobre normativas de gênero e o vestuário ainda imposto para meninos e meninas na escola e na sociedade, foi sutil, mas efetiva.


O ato de criar um filho ainda é visto como um trabalho exclusivo da mãe. Cuidar quando choram durante a noite, curar quando estão doentes, ensinar e corrgir quando erram e ainda manter a casa limpa enquanto brincam com a criança. Essas são atividades que devem ser curmpirdas por uma mãe , bem como do pai. Afinal, é uma parceria com 100% de responsabilidade de ambos os lados. Infelizmente, o pai nem sempre está por perto, e quando está, é aplaudido por isso. "Paternidade" (2021) consegue apresentar um argumento convincente das lutas, conquistas e deveres que o pai precisa desempenhar.  


O filme consegue também demonstrar, de forma certeira, a diferença entre um pai solteiro e uma mãe solteira. Quando o chefe de Matt percebe que ele está atarefado com sua filha, que a paternidade não é um trabalho fácil, ele oferece ao funcionário uma semana de folga. E não para por aí, além de não marcar uma data para o retorno, oferece que ele trabalhe de casa para facilitar. Uma mãe solteira não teria esse privilégio e ainda seria condenada pela atitude. Não é arriscado afirmar que talvez, ela sequer manteria o emprego. Além disso, o filme oferece uma crítica construtiva, mas que parece rasa comparada à profundidade do papel de um pai. No entanto, a pureza de "Paternidade" acabou funcionando na medida certa. 

PATERNIDADE NO BRASIL E NO MUNDO

 

De acordo com levantamento feiot em 2019 pela a Assessoria de Comunicação do Instituto Brasileiro de Direito a Família (IBDFAM), cerca de 5,5 milhões de crianças no Brasil não têm o nome do pai na certidão de nascimento, tampouco na vida. Mesmo aqueles que tem, a assinatura no documento não os garantiu um pai presente para a vida. Por isso, termo paternidade responsável surgiu, a fim de debater essa dificuldade que o Brasil enfrenta. O conceito gira em torno de repensar o papel do pai, não somente como provedor, mas também oferecendo carinho, atenção, amor e educação moral. 


A irresponsabilidade paterna somada com a condição socioeconômica baixa da maioria das famílias brasileiras se torna um agravante nas questões sociais. Com esse vazio em casa e no coração, as crianças ficam sujeitas a influências pergiosas e abusivas. 

Portanto, a paternidade torna-se um fator de importância e impacto social. A criança que possui um pai responsável cresce como um adulto melhor, que terá mais chances de tomar boas decisões.

 

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