17/06/2019 às 21h25min - Atualizada em 17/06/2019 às 21h25min

Netflix lança série sobre o caso Wallace Souza

Wallace Souza foi acusado de se envolver em crimes para depois notícia-los em seu programa

Neila Grenzel
Divulgação Netflix

Você já assistiu ao filme “a montanha dos sete abutres” (1951) ou “o abutre” (2014)? Em ambos a história se baseia em jornalistas que interferem e até causam crimes para terem o que noticiarem. Quanto mais sangrento, maior a audiência. Pessoas morrem em troca de telespectadores. Loucura, não é? E se eu dizer que no Brasil temos um caso semelhante? A vida imitando a arte?

 

Wallace Souza, jornalista e político, ficou famoso apresentando o programa televisivo Canal Livre, na capital amazonense, Manaus. O programa com o jornalismo polícial como guia, estreado em 1996, continha sensacionalismo e derramamento de sangue sendo televisionado. Porém, de acordo com o discurso de Wallace Souza, a falta de filtro era justamente para mostrar a realidade e lutar contra a violência.

 

Como pão e circo, o programa Canal Livre fez muito sucesso. Wallace Souza se transformou em um herói. Um herói que buscava justiça. Sua popularidade o alavancou a Deputado Estadual. Como político, a tecla em que mais batia era acabar com a violência urbana, claro. Adivinha a surpresa quando acusações de ligação com o crime organizado contra o deputado surgem?

 

Em 2008, o ex-policial militar “Moa” é preso por tráfico de drogas. Com medo de ser morto na cadeia, entrega informações em troca de alguns privilégios. Wallace Souza e seu filho comandam o esquadrão da morte no Amazonas. Não era coincidência que os repórteres do programa Canal Livre eram os primeiros a chegarem aos locais do crime.

 

Depois de investigações, alguns depoimentos e algumas provas, em 2009 o deputado tem sua cassação, alguns dias depois, sua prisão preventiva é decretada.

 

A Netflix explora os nuances do caso na série documental “Bandidos na TV” em sete episódios. Espanta ver a ligação direta de alguns crimes com o programa. Aliás, o próprio Canal Livre serviu de análise para as investigações. Uma série que pode ser considerada pesada e chocante, mas indispensável para quem busca se manter crítico diante da mídia.

 

 


Editado por: Bruna Santos 

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