11/11/2021 às 14h57min - Atualizada em 10/11/2021 às 15h26min

Uma viagem inclusiva

No Brasil quase 24% da população possui algum tipo de deficiência, o turismo para essas pessoas é mais difícil por vários fatores que impedem de aproveitarem a viajem.

Taise Magalhães - Editado por Matheus Da Fonseca
Taise Magalhães

Viajar é quase sempre um momento de alegria para todos, desde o momento que se planeja a viagem o intuito principal é a diversão, entretanto há diferenças de um planejamento de viagem por quem não tem deficiência para alguém que tenha alguma necessidade especial. São grandes os obstáculos enfrentados, desde o início da escolha do destino ao fim da viagem a sempre uma dúvida se vai conseguir aproveitar os ambientes. Tudo precisa ser bem planejado, pois a muitos lugares como: empresas de transportes, restaurantes, hotéis e atrativos   que não são inclusivos e para essas pessoas a dificuldade tende a ser muito maior se tratando consumidores que necessitam de um certo cuidado a mais. 

Geralmente quando planejamos uma viagem já pensamos na mobilidade, nos restaurantes que servem comidas típicas do lugar, nas feirinhas de ruas e em uma hospedagem que consiga suprir as nossas necessidades. Imagine para alguém que possui uma deficiência seja ela (visual, motora, auditiva ou deficiência intelectual) planejar todo o roteiro de uma viagem, cada “passo” é bem pensado para que não haja problemas enormes – pois perrengues sempre podem acontecer.  

Segundo o censo de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) cerca de 24% da população tem algum tipo de deficiência, sendo 6,7% somente de pessoas que possuem dificuldades para falar, ouvir, enxergar ou caminhar. A realidade que para quem não é portador de uma deficiência tudo fica mais “fácil” diferente do grupo minoritário que vêm buscando seu espaço no turismo. 

O turismo acessível e inclusivo tem mudado lentamente e isso ainda é um grande problema que precisamos enfrentar com mais agilidade no processo. Um dos primeiros problemas é a locomoção, infelizmente é algo comum encontrar ruas inacessíveis e empresas que também não cooperam com a mobilidade. Empresas aéreas, viárias e hidroviárias precisam compreender quem são os seus usuários e buscar sanar as falhas que impedem de que um portador de necessidades especiais possa viajar com mais imperturbabilidade, alguns dos problemas enfrentados começam já no embarque pois falta profissionais capacitados e transportes adaptados para esses usuários.  

Outro grande problema que é bastante comum é que os locais turísticos na maioria das vezes não dispõem de uma acessibilidade e a inclusão de profissionais capacitados para que haja conforto e auxilio quando os turistas que possuem dificuldades na locomoção, na fala e no ouvir chegam a esses lugares. 

Uma calçada sem rampa, uma porta mais estreita, falta de sinalizações, um balcão mais alto, dentre tantas outras privações que atrapalham aos usuários de aproveitarem o destino escolhido. E pensando em como desenvolver um turismo inclusivo o professor Ricardo Shimosakay que ficou paraplégico encontrou no turismo a sua felicidade, ele vive na pratica as situações e perrengues nas viagens, ele busca na vivencia o que pode melhorar. O professor em uma de suas palestras relata que o Brasil não tem pesquisas relacionadas ao turismo inclusivo, e fala ainda que poucos são os lugares que buscam incluir os portadores de necessidades. 

É necessário ver os portadores de necessidades como consumidores e não como “coitadinhos”, eles assim como todos os outros consumidores desejam apenas uma viagem sem tantas limitações. Para as empresas investir em estruturas e em seus colaboradores pode ser um ponta pé inicial para essa integração de mais consumidores.  

Poucas são as referências de lugares que são inclusivos, mas uma cidade que serve como modelo é Bonito no Estado do Mato Grosso do Sul que vêm buscando incluir todas as pessoas em quase todos os seus roteiros. Não se pode negar que há lugares totalmente inviáveis para quem tem algum tipo de mobilidade, mas pela cidade envolta dela a uma variedade roteiros que podem ser feitos, dispõe também de guias e instrutores capacitados para prestar o melhor suporte aos viajantes.  

É possível frequentar algumas cachoeiras, fazer passeios pelo Rio Sucuri e ao Aquário Natural, no centro da cidade também dispõe de atrativos que podem ser realizados pelos turistas.  A cidade vem se adaptando ao turismo acessível, é um caminho longo, mas que já colhe muitos frutos. Empresas privadas e o poder público juntos na missão de buscar melhorias para que o ecoturismo consiga alcançar 100% desses usuários.   


Referencias:

SHIMOSAKAY,Ricardo.outubro,2021.Disponivel em: Desafios da acessibilidade no turismo | Ricardo Shimosakai,acesso:09/11/2021
SHIMOSAKAY,Ricardo.viagemparatodos.Outubro,2021.Disponivel em:https://www.ricardoshimosakai.com.br/viagem-para-todo-mundo/ ,acesso:09/11/2021
Censo Demográfico,2010. Disponivel em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/3425#resultado, acesso em:09/11/2021

 


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