25/11/2021 às 19h52min - Atualizada em 22/11/2021 às 12h30min

Resenha | "Histórias de uma repórter de TV"

Mônica Silveira, jornalista da TV Globo desde 1985, relembra momentos marcantes de sua carreira em seu primeiro livro.

Vanessa Morais - Revisado por Isabelle Marinho
Livro "Histórias de um repórter de TV". (Foto: Vanessa Morais)
"Histórias de uma repórter de TV" é o primeiro livro da jornalista inspiradora que é Mônica Silveira, e tenho a certeza de que não será o último. Confesso que sou suspeita para falar de Mônica, essa jornalista incrível que ensina a tantas pessoas nesses anos de carreira, ela é uma inspiração para todos nós que queremos seguir no ramo. Mônica exerce seu trabalho com maestria e com muita honra, equilibra sua vida e, além de tudo, é uma mãe amada. Eu falei que sou muito suspeita para falar de Mônica Silveira.
 
O livro possui 350 páginas, sendo lançado pela Cepe Editora. Em sua obra, a autora narra diversos momentos marcantes em sua carreira, reportagens e histórias que, de certa forma, moldaram sua vida gradualmente. Mônica contou com a ajuda do jornalista e escritor Gerson Camarotti para escrever o prefácio maravilhoso do seu livro, o escritor rasga elogios à jornalista e conta do início da sua amizade com Mônica e das experiências vividas com ela no jornalismo:
 
"(...) quantas aulas de jornalismo ao longo daqueles anos no Recife! Mas, a maior das lições foi mesmo essa paixão pela profissão. Paixão que permanece até hoje e que estimula quem está ao seu lado e quem assiste suas reportagens, mesmo à distância. Tento, até hoje, seguir esses ensinamentos de entusiasmo, curiosidade com a notícia e sensibilidade diante dos fatos. E sempre: saber ouvir. Mônica, muito obrigado!
Mônica compartilha conosco o seu sentimento, quando a mesma fez a cobertura da então morte precoce do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morte que chocou uma enorme multidão. A jornalista conta com detalhes desde o momento em que estava prestes a embarcar para a elaboração de uma matéria e recebeu a notícia, até o momento em que ela entra ao vivo para confirmar a morte, segurando a emoção, ela dá um "show" de profissionalismo. Silveira mostra que apesar de ter mantido uma expressão séria e uma postura de uma profissional, ela expressa seus verdadeiros sentimentos como um ser humano normal por trás das câmeras.
 
"(...) Cheguei em casa aos pedaços. Foi impossível conciliar o sono. Aquele pesadelo dominava a minha mente.
(...) Um homem morto aos 49 anos, no auge da vida e da carreira, pai de cinco filhos... Eu não me conformava. Como foi difícil ver lá de longe aqueles filhos em torno do caixão no velório do pai."
Outras reportagens que me chamaram atenção são expostas em sua obra. Mônica relata uma com o título de "Odiei fazer essa reportagem"Lembro de um livro que li, ele falava da questão de não olhar só o que está à vista, mas, treinar nosso olhar para examinar tudo. Trazendo para o jornalismo, eu vejo isso nessa história de Mônica, a mesma saiu para fazer uma reportagem da Semana Santa. Ao passar pela BR com sua equipe, viu corpos estirados na pista e todo ensanguentados. Mônica Silveira faz todo o sentido a essa frase, ela não faz só o que lhe mandam fazer, ela tem o olhar aguçado e treinado para pautas quentes. Ela desceu do carro e rapidamente descobriu a história por trás daquela cena terrível e, autorizada pela emissora, ela fez a reportagem.

No livro "Histórias de uma repórter de TV", a escritora não só expõe reportagens emocionantes e tristes, mas também escreve sobre as mais interessantes e curiosas. Em sua obra, duas me fizeram ficar cheia de curiosidade em casa, a primeira tem como título "O diabo morava ali" e, mais uma vez, a jornalista nos mostra o quanto nós, profissionais, temos que ter nosso olhar atento. Voltando de uma pauta na Paraíba, alguém se aproximou e lhe falou que em uma casa ali próxima um homem fizera pacto com o capeta e se chamava Santo, ele tinha um número em sua porta "666", era o número da besta. Assim, Mônica Silveira farejou uma reportagem.

Depois de muita curiosidade e nervoso de quando entrou na casa do homem, ela finalizou a matéria. Outra reportagem que o 'bichinho' da curiosidade do jornalismo me mordeu foi "O homem que calculava", fiquei com vontade de saber mais detalhes, acontecimentos e situações que não foram descritas no texto.

Em seu texto "É agora e estamos prontos para mostrar", ela descreve algo que temos curiosidade, seja você um estudante de jornalismo ou um telespectador: o que tem por trás de cada reportagem antes de ir ao ar? Ali, existem as reuniões de pauta em que editores, produtores, chefes de redação e repórteres discutem como será a cobertura do dia ou do dia seguinte, entre outros detalhes sobre a produção.

 
"(...) Todo dia descobrimos novas formas de falar com os telespectadores, com a tecnologia simplifica tudo. Estamos cada vez mais leves e ágeis. Temos à mão equipamentos para entrar ao vivo de qualquer lugar, inclusive de dentro de ônibus enquanto eles fazem seus percursos diários, por exemplo."
Claro que nem só de reportagens o livro de Mônica Silveira é feito. A jornalista compartilha conosco momentos de sua infância, como, por exemplo, a sua casa na praia e as brincadeiras com suas irmãs, sua entrada no time de basquete e conta do seu primeiro casamento. Situações em que ela se encontrou com a chegada da tecnologia, por exemplo, e até meme ela chegou a virar.
 

"(...) virei meme muito tempo antes de os celulares se popularizarem. Eu apresentava o NE1 e algo caiu na minha cabeça enquanto eu falava, no ar. Foi mais ou menos em 2007. Claro que não preciso comentar o tamanho do susto. Na hora, não entendi o que tinha acontecido."

A jornalista conta que ainda não se acostumou com a história de não ter controle sobre a sua própria imagem. No seu livro, conhecemos um pouco mais da Mônica mãe, uma Mônica por trás da tela. A profissão do jornalista não é fácil e naquela época era bem mais difícil, ela relata que uma vez seu filho mais velho, Pedro Silveira, participou de uma apresentação em sua escola e em seguida foram comemorar em uma pizzaria, nesse momento, Mônica fazia a cobertura de um show de Roberto Carlos em Recife e a jornalista só foi ver seu filho em casa. Situações como esta fizeram a Mônica mãe separar um tempo para sua segunda filha ao nascer, passando a apresentar o jornal e tirar sua licença maternidade.

Nestes anos de carreira, a jornalista teve muitas conquistas, dentre elas foi o Prêmio Tim Lopes, em 2008, com uma série que retratava a violência contra a mulher. A série que tinha por título "Amor Imperfeito" ganhou o Prêmio Tim Lopes de Jornalismo na categoria Direitos Humanos, em uma cerimônia no Rio de Janeiro, e o Prêmio Rede Globo de Jornalismo, na categoria Jornalismo Comunitário. Dois anos depois, o Prêmio Tim Lopes foi dela novamente, com o primeiro lugar na categoria Melhor Série de Reportagens, com a série "Amor Bandido", que contava a história de mulheres que começaram na vida do crime por conta de seus maridos ou companheiros. Outros prêmios são citados pela jornalista em seu livro.

Sua obra vem recheada de histórias sobre muitas outras reportagens que não foram citadas aqui, acompanha mais histórias sobre a Mônica pessoa e mãe, cita amigos e companheiros ao longo desses mais de 30 anos de carreira. Um livro perfeito para se ler sentado em seu sofá, e no silêncio de sua casa, eu li em dois dias.

Recentemente, a jornalista teve um curta-metragem produzido por alunos da Universidade Católica de Pernambuco. No ano de 2019, com a orientação da professora Aline Grego, os estudantes ainda em seu primeiro semestre da faculdade produziram um curta contando um pouco da história dessa jornalista que merece ter sua história contada. Com um sentimento de alegria, pois todos ali eram admiradores da jornada dela, o vídeo contou um pouco dessa Mônica que é apresentada em sua obra, um pouco da Mônica jornalista, amiga e mãe. 

"(...) reconhecimento e carinho só fazem a vida melhor."

 


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