27/11/2019 às 15h07min - Atualizada em 27/11/2019 às 15h07min

Familiares das vítimas lutam para que tragédia no ninho do Urubu não seja esquecida

O Rubro-negro carioca procura entrar em acordo com os parentes dos meninos que morreram

Lúcia Oliveira - Editado por Paulo Octávio
Ninho do Urubu dias após a tragédia . Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
O último fim de semana foi de muitas alegrias para o Flamengo e sua torcida. A equipe carioca conquistou a Copa Libertadores e o Campeonato Brasileiro em intervalo de 24 horas. Porém, esse cenário festivo para seus torcedores constrasta com o drama que os familiares das vítimas da tragédia do Ninho do Urubu, ocorrida em fevereiro, vêm passando.

A diretoria do clube carioca, até agora, conseguiu fechar um acordo de pagamento de indenizações somente aos parentes dos 16 jovens sobreviventes -- que foram reagrupados às categorias de base do time -- e de quatro atletas que não suportaram os graves ferimentos devido às queimaduras. Uma semana antes da final contra o River, a família de Samuel Thomas Rosa foi ao Ninho do Urubu protestar. Com uma faixa na portaria da sede do clube, eles exigiam que a entidade não se esquecesse dos garotos, ao mesmo tempo em que desejavam sorte no jogo decisivo.

Boa parte das familiares que não entraram em acordo com o Flamengo está esperando a conclusão do inquérito para continuarem com o processo na Justiça. No primeiro, liberado pela Polícia Civil, o ex-presidente, Eduardo Bandeira de Mello, dois engenheiros do time
 e outras seis pessoas foram indiciadas por homicídio doloso, quando se assume o risco de matar. Posteriormente, o Ministério Público solicitou que novas investigações fossem realizadas, entretanto, a última versão do documento, que estava prevista para o fim de agosto, ainda não está pronta.

 

Cristiano lamenta a perda do filho. Foto: Fernando Souza

Cristiano Esmério, pai do goleiro Christian, que morreu aos 15 anos, contou em entrevista ao El País Brasil que “toda nossa família é rubro-negra. Mas, depois que perdi o Christian, não tenho mais aquele ímpeto de ir ao Maracanã. Não tenho força pra isso”. Consternado, ele também disse que teme que toda a tragédia seja esquecida e negligenciada pelo Flamengo e que, além disso, ninguém seja punido.
“O maior descaso vem dos cartolas. A instituição não tem culpa, mas sim quem a dirige. O Flamengo pode ganhar o Brasileiro e a Libertadores, mas nada vai apagar a mancha que ficará pra sempre na história: o incêndio que matou 10 garotos, um deles meu filho.”

A torcida Rubro-negra, em busca de uma resposta, criou o movimento “Flamengo da Gente”, em agosto, que une sócios e conselheiros do clube carioca. O movimento desencadeou a campanha “Nós não esquecemos” que exige que investigações dentro da entidade do time sejam feitas para que se encontrem os culpados pelo incêndio, além de contestarem a indenização aos familiares das vítimas. O grupo vai aos jogos do Flamengo munido de cartazes e de muita voz para que nada seja esquecido. Também foi criado um canal do Youtube, um site (https://naoesquecemos.com.br/) e um abaixo-assinado para cobrar apuração rigorosa e melhoria das condições do Ninho do Urubu.

Canal: Nós não esquecemos

No sábado, os jogadores homenagearam os garotos do Ninho e dedicaram a conquista da Libertadores a eles. Durante a comemoração com a torcida no Rio, Diego Ribas pediu que todos cantassem uma música para lembrarem-se das vítimas. Em meses anteriores, Willian Arão e Diego Alves, haviam homenageado alguns dos garotos. Cristiano Esmério, porém, acredita que não tem motivo para comemorar, pois, para ele “toda lembrança aos meninos é válida. São gestos que nos trazem felicidade, mas também uma tristeza, porque a pessoa morta não vê homenagem.”
 

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