02/02/2021 às 13h04min - Atualizada em 02/02/2021 às 10h39min

A pandemia e o Circo

Thuany Cruz - Editado por Letícia Agata
Imagem de IgorSuassuna por Pixabay
“O circo significa minha vida, eu respiro o circo. Não penso em minha vida fora dele, sou apaixonada pela arte circense”, diz Kauany de Moraes artista circense.
Kauany (@kauanycirco) é artista circense há 13 anos. Ela começou a trabalhar no circo com 18 anos, tirando seu sustendo da arte e de números acrobáticos e, apesar de todas as dificuldades, Kauany não abandona a vida do circo por nada. A pandemia de covid-19, que afetou a vida de milhares de pessoas, fez com que a artista recorresse à sua família para conseguir sobreviver. Atualmente Kauany está morando com a mãe em Corumbá, Mato Grosso do Sul.

A artista relata que levou um susto quando viu o circo onde trabalha parar os espetáculos por conta da pandemia:
“Esse período está sendo uns dos piores períodos da minha vida, pois sem trabalhar e sem nenhuma renda se torna difícil. Espero que tudo isso logo acabe, que essa pandemia e esse vírus acabem de uma vez, para poder voltar a fazer o que eu faço, que são minhas acrobacias, e ver o público encantado. Para mim não existe coisa mais gostosa no mundo a não ser o sorriso de uma criança encantada com minhas acrobacias. O mais importante é que a saúde está ótima e vamos orando para que tudo isso logo acabe e que todos os circenses possam voltar à correria que somos acostumados”
Durante este período a artista não pensou em transformar sua conta no Instragram em uma conta para trabalho, como outros artistas fizeram, criando conteúdo para a internet, como a gravação de vídeos com acrobacias para redes sociais como o Instragram e Tik Tok. Diferentemente do perfil Picadeiro Virtual (@picadeiro_virtual), administrado pela Juliana Lazzari, que surgiu com a necessidade de explorar o lado de marketing e comunicadora da mesma, junto com a paixão pela arte circense. A ideia de criação da página apareceu em meio à pandemia, e ocupa um espaço necessário, segundo a administradora:
“Num momento de pandemia senti a necessidade de me manter conectada com os artistas e deixar aberto um espaço para a arte, num momento tão complicado para os artistas. A intensão ainda é expandir a arte para quem quiser admirar. Os artistas sempre apoiaram a ideia da página e colaboraram para fazê-la crescer. Eles entendem que é um espaço de reconhecimento. ”
Na página principal são postados números artísticos e nos stories as programações das Live. Juliana também divulga notícias da área circense, como editais, além de um espaço exclusivo para classificados, caso alguém tenha interesse em anunciar equipamentos à venda. Ela é quem faz a curadoria dos vídeos, pede autorização de reportagem e dá os devidos créditos aos autores. Raramente recebe vídeos exclusivos por mensagem ou pedidos de postagem. Nesse caso, ao invés de “Repost autorizado por”, a artista coloca “Postagem autorizada por”. “As postagens e repostagens feitas sempre são fiéis ao que os artistas querem! O espaço é deles!”

O circo é uma manifestação artística que surgiu anos atrás, mas que nos dias de hoje vem perdendo seu espaço. Artistas itinerantes foram obrigados a parar de viajar de cidade em cidade fazendo apresentações e alguns circos sobrevieram por gerações, mas ninguém contava com a pandemia, nem o Cirque Du Soleil, que em 29 de junho de 2020 apresentou um pedido de recuperação judicial ao Canadá.

A medida é uma forma da companhia, que acumula cerca de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,4 bilhões), tentar evitar uma falência definitiva. Em março de 2020 a companhia já havia anunciado que poderia vir a declarar falência, pois, por conta da pandemia, a empresa precisou interromper mais de 40 espetáculos e demitir cerca de 3,5 mil funcionários, o que fez com que a situação financeira piorasse. “Nos últimos 36 anos, o Cirque du Soleil tem sido uma organização muito bem-sucedida e lucrativa”, disse o presidente e CEO Daniel Lamarre.

A organização assinou um acordo com os acionistas que adquirirão quase todos os ativos em uma reorganização que incluirá uma parcela de caixa, dívida e novo capital, além de dois fundos de US$ 20 milhões para apoiar trabalhadores e fornecedores independentes. “Estamos ansiosos para relançar nossas atividades e nos reunir novamente para criar o show mágico que o Cirque du Soleil é para seus milhões de fãs em todo o mundo”, adicionou Lamarre.

Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »