16/05/2019 às 19h49min - Atualizada em 16/05/2019 às 19h57min

Oficina de fotografia é realizada para cegos no CEBRAV

Fotografar é para todos aqueles que tem alma

Mariana Jardim
Sala da oficina fotografada por Mariana Jardim

Oficina gratuita de fotografia é realizada pela primeira vez para cegos, no Centro Brasileiro de Reabilitação e Apoio ao Deficiente Visual, CEBRAV - GO. A oficina foi realizada nesta terça feira(14), mas segundo os organizadores,  pretendem-se realizar mais vezes.

 

Hélio Baragatti, professor de letras, é cego desde do nascimento, mas tem agora uma nova paixão incomum, a fotografia. ُُُEle veio de Inhumas, para  Goiânia especialmente para ministrar a oficina. Segundo Hélio, as pessoas pensam que os cegos vivem na escuridão. Mas, pelo contrário, “Fotografar é a arte de escrever com luz” ele diz. Durante a oficina, ele conta que seu primeiro contato com a fotografia aconteceu quando criança, através dos álbuns de família.

 

Ano passado, Hélio ganhou uma câmera fotográfica de seu amigo, Demur Moreira, professor e fotógrafo . Para Hélio foi “Paixão instantânea”, o contato com a câmera mesmo que de plástico, simples e vermelha, fez ele reviver suas memórias de infância. Logo que começou a fotografar, seu amigo Demur percebeu que Hélio poderia ser uma retratista. A fotografia não nasce nos olhos, mas nasce no íntimo”, afirma Demur na oficina sobre as fotos de Hélio.

 

A organizadora da oficina Juliana Ribeiro, afirma que a inclusão deve ser obrigatoriedade nas instituições. Juliana de dezoito anos tem glaucoma e é deficiente visual, mas isso não a impede de ser o que quer, uma futura jornalista e escritora segundo ela. “A sensação do primeiro clique é de ter asas" diz a organizadora ao comentar sobre sua relação com a fotografia na oficina. Para Juliana, ao entrar na faculdade e ler a palavra “fotografia” na grade curricular, a fez pensar que não iria fazer nada nas aulas, mas ela relata que sua professora na primeira aula, entregou uma câmera em sua mão e falou para ir fotografar, “Essa professora está louca" Ela diz. A liberdade que a fotografia oferece para a estudante é algo muito especial para ela “Foi o melhor dia da minha vida", Conta.

 

Hélio afirma, que a fotografia pode ser tranquilamente praticada por pessoas cegas também. “A fotografia é uma ato de amor" Ele diz para os participantes da oficina, sobre seu amor pela fotografia. Hélio também conta que ele só fotografa uma coisa, “só fotografo o que me emociona" conta.

 

Na oficina, Demur, e  a professora e fotógrafa Déborah Borges, dão dicas técnicas fotográficas para os participantes fazerem cliques especiais. Com as orientações passadas e os modelos definidos, os participantes puderam se sentir à vontade para sair fazendo os cliques. A vestibulanda Mayra Souza , perdeu sua visão ao longo do tempo, mas tem o sonho de passar na faculdade de direito. Mayra, afirma nunca ter tirado fotos, e que essa foi primeira vez “A oficina foi muito importante pra mim, pois a experiência de tirar fotos foi incrível” Ela diz. “As pessoas que são deficientes visuais podem sim, tirar fotos não é impossível é possível”, ressalta Mayra sobre o que aprendeu na oficina.

 

Demur, Hélio e Déborah cogitam a possibilidade de acontecer mais oficinas como essa e no mesmo lugar ao menos uma vez por mês.

 

Editado por Bruna Santos e Pamela Rita

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