28/05/2019 às 18h44min - Atualizada em 28/05/2019 às 18h44min

Do Regime Militar para as fotografias

Relatos de camponeses são contados através de retratos

Guilherme Melo
Retrato da série Sobre o Véu da Guerrilha, de Mariana Capeletti

Mariana Capeletti, 30, fotógrafa, pesquisadora e professora, carrega em sua série de fotografias "Sobre o Véu da Guerrilha"  um dos maiores tabus do Regime Militar no Brasil, a Guerrilha do Araguaia. Um movimento de combate entre guerrilheiros comunistas e forças armadas brasileiras - a luta ocorreu em 1970 no extremo norte do então estado de Goiás (hoje Tocantins) na divisa com o Pará. A ideia do projeto surgiu quando ajudava uma amiga em um mestrado sobre direitos humanos e na procura de material sobre a ditadura percebeu que havia poucos recursos sobre a guerra. Não encontrando resolveu abordar o movimento em Goiás, narrando através de fotografias relatos de camponeses do Araguaia que sofreram cruelmente as consequências da guerrilha.

“No início, encontrei uma resistência muito grande, as pessoas não queriam falar comigo, mas depois que eu fiz o primeiro retrato eles começaram a confiar mais em mim”, contou Mariana.

Sua primeira fonte foi o professor Romualdo Pessoa, da então Universidade Federal de Goiás (UFG), que ajudou a pesquisadora a entender um pouco mais sobre a guerrilha, e logo depois ela foi para Tocantins fazer o percurso pelos locais onde ocorreu a Guerra.

“É um trabalho de forma oral onde entrevisto pessoas e através de relatos dos camponeses, eu vou atrás dos locais que eles narram as histórias deles, tanto nos locais de tortura, de prisão quanto nos locais de batalha, então vou e faço esse percurso a partir da memória deles” afirma.

Em um ano de existência o projeto já começou a render alguns frutos, o Paraty em Foco 2017 foi o primeiro local em que ele foi divulgado, e com o sucesso no festival ele circulou em vários sites de fotografia. Em março de 2018 suas fotografias foram expostas no Festival de Fotografia de Tiradentes.

Mariana Capeletti foi vencedora da categoria de Ensaio na Convocatória Portfólio em foco 2017, em entrevista concedida ao BLOG-PPF a fotógrafa diz que  a premiação foi bastante importante para ela e para a fotografia em Goiás, disse que o estado tem uma produção intensa e rica mas ainda periférica nacionalmente e participar de um festival com renome internacional e uma forma de colocar no mapa de produção fotográfica nacional.


Editado por Alinne Morais

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