02/06/2019 às 08h25min - Atualizada em 02/06/2019 às 08h25min

Da viola de cocho à guitarra de cocho

Rockeiro busca na valorização da música regional o diferencial para seu trabalho

Neila Grenzel
Billy Espíndola encontrou uma forma especial para dar visibilidade a viola de cocho. (Foto: Bárbara Kezia)
Você já ouviu falar sobre a viola de cocho? Caso não conheça a cultura pantaneira, é provável que o nome lhe pareça estranho. Parente da viola caipira, é um instrumento regional importante da cultura mato-grossense. De origem antiga, pouco se sabe sobre seu passado, embala os principais ritmos cuiabanos, como o siriri, cururu e o rasqueado. Ficou curioso? Confira no vídeo a baixo a sonoridade do instrumento.



Igual suas raízes, os apreciadores da viola de cocho também são pessoas antigas da região. Sua conservação nos dias atuais carece de apoio de jovens artistas, mídia e pesquisadores. O que não quer dizer que não existam pessoas que trabalham para que isso aconteça, como é o caso de Billy Espíndola, cantor cuiabano, que através do rock encontrou uma forma diferente de dar visibilidade para a viola de cocho.

Amante da música, começou a relação cedo. Aos cinco cantava em coral, aos sete começou a estudar guitarra e violão e aos oito já tocava na igreja. Encontrou sua veia rockeira ao conhecer o grupo de rock cristão Oficina G3  e desde então entrou de cabeça nesse universo, como conta o cantor.

Para ele não basta ser um bom guitarrista. Um bom compositor. Um bom cantor. Billy sempre buscou ser um músico autêntico. Sua marca própria. E encontrou na cultura regional de seu estado a peça chave. Há quase cinco anos deu vida a “guitarra de cocho”. Isso mesmo. O músico fez adaptações na viola de cocho, juntando o som tradicional mato-grossense com o som estridente da guitarra elétrica. Surgindo assim o rock pantaneiro. “A guitarra de cocho surgiu dessa necessidade, nessa busca por originalidade, autenticidade [e] essência”, expõe Billy.

De acordo com o rockeiro, o processo de adaptação não foi complicado. Ele adicionou o captador de guitarra, trocou as cordas de náilon por cordas de aço e incorporou a alma de violino, peça que auxilia na sustentação. O cantor conta que músicos da região abraçaram a ideia, mesmo os mais conservadores. Lembrando que Billy não busca conexão com a cultura de sua região apenas através da sonoridade, as cores presentes em seus clipes e figurino também retratam o universo mato-grossense. O guitarrista afirma que “a gente pode ir para qualquer lugar do mundo, mas a gente nunca pode esquecer quem a gente é, nem da onde a gente veio. E isso só é possível tendo os pés bem fincados na cultura regional”.




O feito do músico se mostrou relevante, sendo transformado em um documentário produzido pelo jornalista Dewis Caldas, "O nascimento da Guitarra de Cocho" foi apresentado e premiado em Portugal. 

Editado por Alinne Morais

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