08/06/2021 às 15h34min - Atualizada em 07/06/2021 às 14h22min

Ser Workaholic está além da ficção

Personagens de animações possuem os mesmos vícios dos trabalhadores obcessivos

Samantha Filócromo - revisado por Jonathan Rosa
Bob Esponja trabalhando no restaurante Siri Cascudo (Foto: Reprodução/Nickelodeon)

O termo “Workaholic”, presente na vida de muitas pessoas é definido como aquele que trabalha além da conta, mas nunca se sente realizado. É uma expressão americana que teve origem na palavra alcoholic (alcoólatra). O indivíduo muitas vezes nem sabe que é uma pessoa totalmente obcecada pelo seu trabalho, ou até mesmo sabe e não aceita essa verdade. E além da vida real, podemos encontrar esse vício nas telinhas também.

Desde cedo as crianças se deparam com personagens com esse estilo de vida, como é o caso no desenho Bob Esponja”, que estreou em 1 de maio de 1999, e tem o protagonista que é claramente vício em seu trabalho, sendo um workaholic. Ele trabalha como cozinheiro na lanchonete Siri Cascudo e é extremamente dedicado e viciado. Tanto que em “Bob Esponja - O Filme”, foi revelado que a esponja já foi funcionário do mês 374 vezes consecutivas. Ele gosta de seu trabalho mais do que qualquer outra atividade, e fica extremamente triste quando ele não pode estar trabalhando. Isso é o que acaba acontecendo com muitos trabalhadores na vida real, que as vezes preferem trabalhar a até mesmo tirar férias.

A animação "Soul", lançada em 2020, conquistou principalmente adultos fãs de discussões existenciais, tem como protagonista Joe Gardner que conhece um lugar transcendental em sua experiência de quase morte. O lugar é frequentado por pessoas que se dedicam tanto a uma tarefa enquanto estão vivas que vão para outra dimensão. Entre eles, alguns personagens são viciados em trabalho, que enxergam nele a única forma de encontrar propósito e prazer, se afastando dos outros aspectos da vida. Tanto que a mãe de Joe Gardner no início do filme quer que o filho arrume um trabalho, e pare de seguir seu sonho que é ser músico. Para ela é melhor ver o filho conseguindo pagar suas contas e com dinheiro, do que vê-lo seguindo o seu sonho.

A personalidade por trás desses personagens é danosa para a saúde física e mental, como problemas como sono, mais cinismo, exaustão emocional e problemas como ansiedade, estresse e depressão são muito comuns, entre outros danos. A psicóloga Ana Carolina Peuker, que também é CEO da Bee.Touch, abordou essas problemáticas para a revista Exame.

 

Existem valores internos e crenças que podem predispor uma pessoa a ter essa obsessão. As pessoas buscam ser recompensadas por esse excesso de trabalho. Se elas têm valores relacionados ao desejo de prosperar, autonomia e realização podem ter predisposição a essa tendência”, relatou Carolina. 

A psicóloga também disse como o ambiente de trabalho pode colaborar com isso. “A gente deve lembrar que vivemos uma cultura que reforça muito a produtividade. E é uma cultura que parece que se você não estiver produtivo o tempo todo, você não enxerga valor”.
 
Podemos observar esse ambiente no local de trabalho do personagem Bob Esponja, onde ele é constantemente cobrado pelo seu chefe senhor Sirigueijo por sua produtividade, que mesmo dando o seu máximo, sempre querem mais dele.

Você é como o Bob Esponja viciado em trabalho? Segue abaixo alguns sinais mais presentes de uma pessoa Workaholic:

- Obsessivo e competitivo.
- Dá muito mais valor à remuneração do que ao prazer.
- Se sente culpado nos momentos de folga.
- O trabalho é um fardo pesado e vive estressado.
- Não valoriza as próprias conquistas porque as considera obrigação.
- Tem o trabalho como esconderijo para fugir da própria vida.


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