19/07/2021 às 17h39min - Atualizada em 19/07/2021 às 12h06min

Desigualdade cultural afeta a vida dos jovens da cidade de São Paulo

A falta de acesso à cultura em bairros da periferia é um problema que ainda precisa ser enfrentado na capital paulista

Kethilyn Mieza - revisado por Jonathan Rosa
Cidade de São Paulo. (Foto: Reprodução / Agência Brasil)

A rede Nossa São Paulo, organização que trabalha no combate a desigualdade na cidade, realiza anualmente uma pesquisa chamada de Mapa da Desigualdade. Nesse documento são levantados dados sobre educação, saúde, meio ambiente, habitação, esporte, trabalho e renda, direitos humanos e cultura de todos os bairros da capital.

 

Os resultados da pesquisa na área de cultura são alarmantes quando analisamos as diferenças nos índices de bairros da periferia e da região central. São muitos os distritos periféricos que estão constantemente com os dados zerados em assuntos relacionados a estruturas culturais, enquanto no centro da cidade os números são cada vez mais positivos.

 

O distrito de Cidade Ademar é um dos que aparecem com índices zerados em todas as pesquisas. A região fica localizada na periferia da zona Sul de São Paulo, e segundo os dados da pesquisa, lá não há espaços culturais de qualidade, tampouco teatros e museus reconhecidos. Quem mora na região precisa percorrer longas distâncias para ter acesso à cultura.

Ensaios para o curta “Dez Conto”, produzido por Bruno Maciel. (Foto: Reprodução/ Bruno Maciel)

O abismo entre Cidade Ademar e Consolação

São cerca de 19 quilômetros entre Cidade Ademar e o bairro da Consolação, localizado no centro da capital. Mas não é só a distância que separa as duas regiões, o bairro central está em constante desenvolvimento cultural e possui os monumentos mais importantes da cidade, além de ser facilmente acessado por meio do metrô, que leva os moradores aos quatro cantos do município.

Na região destacada pelo acesso à Avenida Paulista, que respira a cultura de São Paulo, mora Bianca Coelho, uma jovem de 20 anos e estudante de jornalismo, que veio para a cidade para seguir seus estudos. No bairro onde ela mora, problemas de acesso à cultura são quase inexistentes. “Aqui é muito privilegiado, tem lugar que não tem nada e aqui tem demais, principalmente por ser perto da Paulista”, conta Bianca sobre a facilidade de encontrar espaços culturais na Consolação.

Bruno Maciel, 23, é produtor e fundador do projeto social Tomada Periférica,
focado em audiovisual. Maciel vive na região de Cidade Ademar e conta que no bairro não há espaços de cultura e lazer, todos os locais que possuem essas instalações ficam distantes e é necessário pegar ao menos um transporte público para chegar nesses lugares.

Passagem Literária da Consolação. (Foto: Reprodução / Ricardo D'Angelo Veja SP)

Na Consolação, é possível encontrar muitos espaços famosos da cidade, como o Museu de Arte de São Paulo (MASP), ou a Passagem Literária da Consolação, ambos lugares conhecidos e muito frequentados pelos moradores da cidade. Quem mora nesse bairro, consegue acessar espaços culturais sem ao menos pegar um ônibus.

Já na periferia onde Bruno mora, a cultura do funk com os bailes é a que prevalece e reúne os jovens. Além disso, as igrejas também têm um papel essencial na comunidade, são elas que oferecem atividades como aulas de teatros e corais, atraindo alguns jovens e crianças, mas ainda assim eles sentem falta de projetos promovidos pela prefeitura.


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