24/09/2021 às 22h27min - Atualizada em 24/09/2021 às 21h55min

Setembro Amarelo: as duas faces da internet

A mesma internet que apoia o movimento é a mesma responsável pelo aumento no número de casos

Gean Rocha - editado por Larissa Nunes
Foto: IMTEP

Segundo Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2021, divulgado em julho pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foram registrados em 2020, 12.895 casos de suicídios no Brasil, variação de apenas 0,4% em relação a 2019, quando foram registrados 12.745 casos.

Desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM, organiza nacionalmente o Setembro Amarelo. O dia 10 do mês de Setembro é, oficialmente, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas a campanha acontece durante todo o ano com o objetivo de reduzir os números de suicídios no país.

A tentativa de suicídio pode acontecer entre pessoas de qualquer faixa etária, gênero ou classe social. Porém, alguns fatores podem ampliar o risco, um dos primeiros alertas é para pessoas que apresentam transtornos psiquiátricos. Em especial, quando se trata de depressão, transtorno bipolar, ansiedade e esquizofrenia; outro fator que reflete de forma crescente como responsável no aumento dos casos de suicídios é a internet.

A mesma internet que utiliza as redes sociais em prol da defesa da vida durante o mês do setembro amarelo, compartilhando mensagens de apoio e divulgando a causa, é a mesma capaz de destilar ódio, cancelar as pessoas julgando-as como se fossem juízes da verdade e bons costumes.
 


Para o estudante de Psicologia, Jackson Sousa, a internet acaba sendo uma faca de dois gumes. “A internet nessa questão tem sua importância, mas também acarreta sérios prejuízos mentais nas pessoas, o que acabava contribuindo no aumento dos casos de suicídio, mas falando da importância, podemos dizer que as diversas ferramentas virtuais nos ajuda na divulgação de campanhas de combate ao suicídio. Atualmente também já existem sites e revistas online que atuam no tratamento das doenças mentais, vídeos motivadores e com embasamentos científicos que podem ser encontrados na internet ajudam também a gerar conhecimento sobre o tema.”

Jackson ainda ressalta que a internet é uma grande aliada das famílias que vivem com pessoas depressivas dentro de casa. É através dela que familiares conseguem encontrar materiais que ajudam, que mostra como devemos cuidar dessas pessoas. 

Como tudo na vida tem seu lado positivo e negativo, com a internet não seria diferente. Usada de forma correta, a internet é uma ferramenta de estimado valor. Ela facilitou a busca rápida pela informação e consegue da voz a quem precisa, mas contra partida, consegue da voz a quem destila ódio por meios de perfis anônimos nas redes sociais.

A jornalista Renata Capucci em reportagem especial para o programa “Fantastico” da Rede Globo, mostrou como as pessoas que disseminam ódio nas redes sociais não têm alvo definido. De anônimos a famosos, todos estão na mira dos comentários.

Há quem faça comentários desnecessários na internet, seja para chamar a atenção ou por querer manifestar seus pensamentos, e também aqueles que seja contra a ideia de desconstrução social e tem dentro de si ideais enjaulados que parecem nunca ter acesso à modernização. Em ambos os casos, a internet se tornou uma grande justiceira e uma nova forma de justiça social surgiu: a cultura do cancelamento.
 


Existem casos e casos, e a grande parte deles acontece por conflitos de opiniões e pensamentos. Pode haver um "certo ou errado", ou não. No ano passado aconteceu um caso de cancelamento nas redes sociais, quando a cantora Karol Conka foi alvo de criticas por suas atitudes dentro do reality Big Brother Brasil.

Além do cancelamento, o cyberbullying é outra maneira de perseguição na internet. Recentemente, Lucas Santos, de 16 anos, filho da cantora de forró, Walkyria Santos tirou a própria vida por comentários negativos que recebeu em um vídeo postado no TikTok. 

No vídeo publicado na rede social, Lucas era visto brincando com um amigo da escola. Quando se aproximavam, os dois davam a entender que iriam se beijar, mas não chegaram a fazê-lo. Após a repercussão negativa e comentários homofóbicos, Lucas chegou a gravar outro vídeo, explicando que ele e o amigo eram heterossexuais e que não imaginava que o vídeo fosse viralizar.

Após sua equipe comunicar a morte de seu filho, Walkyria Santos publicou um vídeo de alerta aos seus seguidores.
 


Após o caso de suicídio de Lucas, a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT) sancionou uma lei que leva o nome Lucas Santos, que prevê uma série de ações nas escolas públicas e privadas do Estado visando à prevenção e combate a depressão, automutilação e ao suicídio. Dentre as medidas de conscientização previstas na lei, estão palestras, debates, distribuição de cartilhas de orientação aos pais, alunos, professores, servidores, entre outras iniciativas.

“O suicídio não é somente uma questão de vontade, é também físico e uma doença… O mundo externo mexe com nossos neurotransmissores. Tudo acontece de forma despercebida. Suicídio não é brincadeira, acredito que todos nós como sociedade civil precisamos tratar o caso como questão de saúde, precisamos nos livrar das falsas morais, precisamos estudar, pesquisar, ajudar. Precisamos ficar atentos e entender que é ajudando que seremos ajudado” explica Jackson.

A escola tem papel fundamental na prevenção do suicídio entre crianças e adolescentes, com o objetivo de identificar sinais de riscos, tornando um forte aliado para essas pessoas e seus familiares, bem como os possíveis encaminhamentos para uma rede de profissionais e serviços especializados.

Assista ao vídeo abaixo e descubra o que você pode fazer para ajudar a diminuir os índices de suicídio no mundo.
 





 
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