28/09/2021 às 21h17min - Atualizada em 26/09/2021 às 16h28min

Tim Maia: a maior voz do Brasil

O cantor faria 79 anos nesta semana

Gustavo Domingos - editado por Luhê Ramos
Foto: Arquivo Tim Maia
Sebastião Rodrigues Maia completaria 79 anos nesta terça-feira (28). Para aqueles que não o conhecem por esse nome, o mesmo era simplesmente chamado de Tim Maia. Um cantor, compositor, produtor musical, instrumentista e o homem que trouxe o Soul e o funk dos Estados Unidos para o Brasil.

Assim, o Rei do Soul foi uma das vozes mais marcantes do Brasil. Dessa forma, é mais que necessário desejar os parabéns para o gênio Tim Maia. Portanto, vamos trazer um pouco de sua trajetória pessoal e profissional, desde sua infância a ter sua trágica morte em 1998.

Infância e primeiros anos na música

Antes de ser conhecido por Tim Maia, a jovem criança nascida no bairro da Tijuca (Rio de Janeiro), era chamado de Tião marmita. Sua mãe, Maria Imaculada Nogueira fazia marmitas para vender e seu 12º filho as entregava, logo encontra-se o motivo do seu apelido. Além disso, a vida do futuro cantor até chegar a fama foi de muita pobreza e dificuldades.

O primeiro contato com a música foi no grupo Tijucanos do Ritmo. Um grupo formado na igreja que teve quatro ensaios e zero apresentações. Posteriormente, fundou o grupo vocal The Sputniks com Roberto Carlos e outros amigos. A banda participou do programa Clube do Rock de Carlos Imperial na TV Tupi. Após a primeira aparição, Roberto abandonou o projeto e partiu para carreira solo, o que lhe proporcionou pouco tempo depois o apelido de Rei.

Do mesmo modo, o ainda Tião pediu uma chance para Carlos Imperial, na qual permitisse que ele cantasse solo. Sabendo um pouco de inglês, o agora Tim Maia mostrou todo seu talento e não decepcionou. No entanto, diferente de Roberto, o jovem da Tijuca não deslanchou.

Desiludido com o Rio de Janeiro, Sebastião vendeu tudo o que tinha e com a ajuda divina foi para os Estados Unidos. Em Tarrytown, viveu com uma família de conhecidos dos seus pais, mas depois mudou-se para Nova Iorque. Lá o artista descobriu o Soul e o Funk nos subúrbios do país da oportunidade, além de aperfeiçoar seu inglês. No entanto, após uma viagem cheia de drogas e furtos, Tim foi preso e acabou sendo deportado para o Brasil.

São Paulo e os anos 70

Em seu retorno para o Brasil, Tim Maia foi tentar a sorte em São Paulo. No entanto, para chegar a cidade da garoa precisava de dinheiro. Como resultado, Tião foi preso novamente por furto e teve que cumprir 11 meses. Nesse ínterim, seus antigos amigos Roberto e Erasmo Carlos, eram os artistas mais amados do país. Nessa fase de sua vida, o artista procurou ambos e escreveu sucessos como “Não quero nem saber” para Erasmo e “Não vou ficar” para Roberto.

No entanto, essa época gera várias histórias. Como retratado no filme Tim Maia (Mauro Lima), Roberto o recebe com desdém e um de seus assessores joga dinheiro no chão para Tim. Polêmicas à parte, é sabido que os dois não voltaram a serem amigos ou ao menos trabalharem juntos.

Enfim, o estrelato chega em 1970, após já ser conhecido como compositor, Tim Maia viraria o Rei do Soul para todo o Brasil. O primeiro álbum “Tim Maia” continha as faixas de sucesso “Azul da Cor do Mar”, “Coroné Antônio Bento”, “Primavera” e “Eu Amo Você”.Foram 24 semanas em primeiro lugar com quatro músicas de sucesso estrondoso. Com a fama, a vida melhorou e finalmente estava com sua paixão, Maria de Jesus Gomes da Silva, apelidada de Geisa.
                                                   















 


Drogas, solidão e sucesso

Após o sucesso de seu primeiro álbum, Tim lançou mais três álbuns, sendo um por ano. Assim, Tim Maia Volume II, estourou com a canção “Não quero Dinheiro”. Nos discos Tim Maia Volume III e Volume IV ganharam destaquem as músicas “Gostava Tanto de Você” e “Réu Confesso”. Nesse meio tempo, Tim e Geisa se separaram devido ao consumo exagerado de bebidas e drogas do cantor. A solidão foi transformada em muitas de suas canções dos discos citados acima.

Entretanto, Geisa já grávida reencontra o artista e mesmo sabendo que o filho não era seu, o cantor a aceita. A criança hoje é conhecida como Léo Maia, que se tornou cantor muito pela influência de seu pai.
                                                             










Fase Racional

Em 1974, Sebastião Rodrigues se converteu para doutrina Racional. Abdicou das drogas e vivia uma vida saudável. Nesse ínterim, lançou Tim Maia Racional, volumes 1 e 2. Em suma, são os álbuns que Tim está com sua voz em melhor fase, uma vez que estava livre das drogas. Porém, o sucesso financeiro não foi alcançado. Além disso, tempos depois, Maia disse que o líder Manuel Jacinto Coelho, líder da Cultura Racional era o oposto do que pregava. Assim, desligou-se da doutrina e tirou de circulação seus discos racionais.

Já a vida pessoal foi de altos e baixos. Com Geisa, o cantor teve seu segundo filho, Carmelo Gomes Maia, conhecido como Telmo. O nome “Carmelo” foi escolhido por Manuel Jacinto, pois na época Tim ainda estava ligado a causa racional. Em contrapartida, sua esposa não suportava mais sua vida religiosa e abandou o artista. Mais uma vez Maia estava entregue a solidão. Ademais, após desistir de sua religião, o músico não ficou apenas sozinho, mas também voltou a consumir exageradamente drogas.
                                                                         













Anos 80 e 90

Em 1983, Tim lançou o LP O Descobridor dos Sete Mares, que continha as múscias “O Descobridor dos Sete Mares” e “Me dê Motivo”. Apesar da vida pessoal conturbada, Maia não parou de trabalhar. Em suma, nos anos 90 o artista gravou diversos discos, incluindo sucessos da Bossa Nova. Os últimos trabalhos foram três CDs no ano de 1997. Como resultado, o instrumentista chegou a 32 discos ao longo de 42 anos de carreira.
Tim Maia - O Descobridor dos Sete Mares. (Reprodução: Tim Maia - Youtube)

Morte e Legado

Em 8 de março de 1998, Tim gravaria um show para televisão no Teatro Municipal de Niterói. Porém, o cantor passou mal e foi internado no Hospital Universitário Antônio Pedro com crise hipertensiva e edema pulmonar. Após um quadro grave de infecção, o Rei do Soul nos deixava no dia 15 de março aos 55 anos.

Mesmo em vida, Tim Maia já era reconhecido com inúmeros prêmios. O cantor venceu seis vezes o Prêmio Sharp de música na categoria de melhor cantor. Já em 2008, ficou em 9º lugar na lista dos “100 maiores artistas da música brasileira” pela Rolling Stone Brasil. Posteriormente, foi posto como a maior voz da música brasileira pela mesma revista.

Ademais, Sebastião Rodrigues Maia mudou o cenário e o rumo da música nacional. Tião inovou, se tornou o Rei do Soul e deixou um legado que nunca será esquecido. Tim Maia mostrou que o preto, gordo e cafajeste, formado em cornologia, sofrências e deficiências capilares poderia muito bem torna-se a maior voz do Brasil.

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