01/11/2021 às 16h36min - Atualizada em 22/10/2021 às 17h06min

Família Multiespécie ganha espaço nas novas configurações dos perfis sociais

Animais de estimação na era da pós-modernidade passaram a ser pertencentes das relações e interações humanas.

Paulo Victor Alves dos Reis - Revisado por Isabelle Marinho
(Foto: Reprodução/ Pexels / Reprodução: Ricardo Esquivel)
Os animais estão presentes nas relações sociais humanas desde a Antiguidade, com a evolução da sociedade eles ficaram mais próximos às pessoas. Novos perfis familiares abriram espaços para o surgimento das "famílias multiespécies", onde os bichos de estimação tornam-se membros das famílias, se antes o principal critério era o DNA, atualmente são os laços afetivos que unem os pais, mães, filhos e pets.

De acordo com levantamento elaborado pelo instituto Pet Brasil em parceria com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), chamado Censo pet, o Brasil tem mais de 139 milhões animais de estimação, sendo 54 milhões de cães, 39,8 milhões de aves, 23,9 milhões de gatos, 19,1 milhões de peixes e 2,3 milhões de répteis e pequenos mamíferos. Outro dado da pesquisa é que mais de 47% dos pets habitam a região sudeste do país. Ou seja, praticamente metade da população de animais domésticos moram em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais ou Espírito Santo.

No corpo social atual é notório a “humanização” progressivamente, onde os pets ganham espaço no Instagram, testamentos, festas de aniversário, roupas, etc, assim como a alteração da rotina. Afinal, quem nunca chamou o seu bicho de estimação de filho? Ou fez um desabafo como se ele estivesse compreendendo?

Personagens como Scooby-Doo e Salsicha ressaltam esse laço de afeto entre diferentes espécies. A dupla está sempre junta nas resoluções dos mistérios e desafios propostos e é perceptível que Salsicha (personagem humano) tem como ser seu melhor amigo 
e membro familiar o Scooby (cachorro), fomentando essa interação entre diferentes espécies. 


Entendendo o afeto do tutor

Rodrigo Cipriano, estudante de Design Gráfico, é tutor de 4 bichos de estimação: um porquinho-da-índia (o Kuma) e três calopsitas (Fred, Pablo e Jacaré). Rodrigo relata que o sentimento por eles é como se fossem seus filhos, muitas vezes deixa até de comprar algo para ele, para que possa comprar uma ração ou brinquedo, os colocando como prioridade de suas decisões. Ressaltou também que desde sua infância é muito apegado por animais. 

“Chegar em casa e notar que eles estão me esperando e felizes por minha chegada sem querer nada em troca, mostrando um sentimento tão genuíno, já traz uma alegria para o dia”, salienta o estudante mostrando-se feliz e entusiasmado pela transmissão de sentimentos de seus pets.
 
Representação na dramaturgia brasileira
 
Na dramaturgia brasileira, a vida imitou a arte, com personagens icônicos representados por animais que eram pertencentes a uma família multiespécie. Confira alguns que marcaram televisão brasileira:
 
Burro Policarpo, de Êta Mundo Bom.

O personagem Candinho e Policarpo tinham um grande afeto, protagonizando cenas de fofuras e de uma amizade muito forte. 


Cabra Ariana, de Flor do Caribe.

Outro Candinho que era apaixonado por animais, contudo, este tinha um grande vínculo com uma cabra.


Macaco Xico, de Caras & Bocas.

Esta aí uma figura que literalmente fez arte. O macaco surpreendeu a todos com seu talento, tornando-se um Leonardo da Vinci dos animais.


Xaréu, do Auto da Compadecida.

A cachorrinha tem um fim trágico, mas possuía vínculo com sua tutora, Dorinha, que faz um testamento para sua “filha” e exige o enterro dela.

Análise Psicanalista

O psicanalista Leonardo Luís diz que ter um companheiro fiel é de suma importância para interações humanas. Também abordou que o sentimento positivo direcionado é de grande relevância ao psiquismo e para o campo simbólico inconsciente, assim, o bichinho pode ter diversos benefícios significantes. Esse afeto de ambos contribui para melhora de estados depressivos.

“Ame seu cãozinho, dê carinho, brinque. Cultive esse laço lindo que faz o homem ter momentos de tranquilidade sem imposições, que o faz se enxergar como um simples sujeito cujo sentido é transferir amor. O cachorro traz a metáfora do amor puro, pleno". Leonardo finaliza incentivando essa interação de espécies e o quanto é genuína aos seres humanos.

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