11/12/2021 às 23h44min - Atualizada em 10/12/2021 às 23h33min

Filme Marighella chega ao Brasil após tentativas de censura

O longa dirigido por Wagner Moura tornou-se a maior bilheteria nacional durante a pandemia e deixa reflexões sobre a ditadura ocorrida no Brasil.

Paulo Victor Alves dos Reis - Revisado por Isabelle Marinho
Marighella foi teve tentativa de censura por dois anos. (Foto: Reprodução/ Globo Filmes)
 
Marighella, o primeiro filme dirigido por Wagner Moura, levou cerca de 100 mil brasileiros aos cinemas entre os dias 2 e 7 de novembro. Conquistou a melhor a bilheteria nacional de uma estreia do ano, além de se tornar o filme nacional mais visto durante pandemia ocasionada pelo coronavírus.
 
O astrônomo Carl Sagan ressalta que precisamos conhecer o passado para compreender o presente. A frase se faz presente em tempos onde parte da sociedade brasileira tem discursos que simpatizam e são favoráveis à ditadura que assolou o Brasil entre os anos de 1964 a 1985. O filme de Wagner Moura é um convite para entender e conhecer o passado assombroso do período da ditadura militar, e compreender como podemos ser afetados democraticamente com o regresso ideológico sobre o regime totalitário.
 
O longa Marighella é inspirado na biografia escrita pelo jornalista Mario Magalhães: “Marighella: o guerrilheiro que incendiou o mundo”. O drama narra os últimos cinco anos de vida do baiano, neto de escravos, escritor traduzido em diversas línguas, torcedor do Vitória e, segundo a ditadura militar, o inimigo número um do Brasil: Carlos Marighella, interpretado por Seu Jorge.


Carlos Marighella foi o fundador da Ação Libertadora Nacional (ALN), e tornou-se um dos mais importantes nomes da luta armada contra o regime militar no Brasil de 1964 até sua morte, em 1969.


A  estreia mundial do filme ocorreu no Festival de Berlim de 2019, aplaudido de pé por cerca de 10 minutos e, desde então, o drama foi exibido 30 vezes e também passou por outros festivais internacionais, como Seattle, Sydney, Cairo, Atenas, Santiago, Havana, Istambul, Estocolmo e Hong Kong.

Entretanto, sua estreia no Brasil ocorreu apenas em 4 de novembro de 2021, por questões burocráticas foi barrado pela Agência Nacional do Cinema (Ancine). No dia 4 de dezembro foi disponibilizado no Globoplay. 

O elenco além de Seu Jorge, que dá vida ao título da obra, tem grandes estrelas da dramaturgia brasileira como Adriana Esteves (Clara), Bruno Gagliasso (Lúcio), Herson Capri (Jorge Sales), Ana Paula Bouzas (Ana, Maria), Bella Carmero (Bella), Humberto Carrão (Humberto), Luiz Carlos Vasconcelos (Almir), entre outros.

O filme teve seu encerramento com a canção “Mil faces de Homem leal (Marighella)”, escrita pelo rapper Mano Brown, integrante dos Racionais e apresentador do podcast Mano a mano. O rapper foi o primeiro escolhido por Wagner para dar vida ao guerrilheiro, chegando até participar de alguns ensaios, porém alguns empecilhos fizeram com que Brown não seguisse adiante.

 
Clipe oficial” Mil faces de um Homem Leal”(Marighella). (Reprodução: YouTube/ Racionais TV)
 
O estudante de Jornalismo, Lucas Rodriguesfoi ao cinema prestigiar a produção de Wagner e ressalta que os ensinamentos do filme foram sobre a importância de saber se posicionar politicamente, para que não ocorra novamente o que é retratado no filme.

O estudante salienta que:
 

“O longa mostra exatamente quem foi Marighella, quem é favorável a ditadura falava que seria um filme para exaltar um terrorista, algo que discordo totalmente, em nenhum momento endeusa quem foi Marighella ou trata como herói. Mostra alguém que era contra o governo militar e observou os seus companheiros sendo torturados e mortos por ser contra esse autoritarismo e entendeu que o diálogo não existia e uma luta armada era necessário”.


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