20/12/2021 às 23h04min - Atualizada em 20/12/2021 às 23h02min

Aumento de casos de Influenza no Rio de Janeiro preocupa especialistas

A cidade apresentou uma alta significativa nas últimas semanas

Marina Mann - Editado por Ynara Mattos
Foto: Rovena Rosa/ Reprodução:Agência Brasil

O Rio de Janeiro apresentou um aumento de casos da Síndrome Respiratória Aguda (SRAG), por conta da gripe Influenza, entre os dias 28 de novembro e 4 de dezembro. O número de pessoas contaminadas pela gripe foi maior que pelo Coronavírus, assim como houve mais testes positivos para a Influenza.

 

O novo surto de Influenza acendeu um alerta às autoridades e pesquisadores, já que o vírus costuma circular com mais intensidade em períodos mais frios, como o inverno. O ressurgimento desses patógenos antes do verão pode ser resultado de um relaxamento dos protocolos de combate à COVID-19. O aumento do nível de interação facilitou a transmissão de vírus respiratórios, em geral. Além disso, a queda da cobertura vacinal contra a gripe pode ser mais um fator que explica o surto no Rio.

 

O Mestre e Doutor em epidemiologia Paulo Petry afirma que "A Influenza é uma infecção respiratória, assim como a Covid, é o que nós chamamos Gripe Sazonal. Para ela tem vacinas. É uma doença endêmica, ou seja, ela todo ano retorna com alguns casos, uma mortalidade baixa, essa é a característica da Influenza. Talvez as pessoas em função do Covid não tenham se vacinado e esse surto no Rio de Janeiro ocorreu. Felizmente a mortalidade é baixa, mas é sempre importante que as pessoas atendam às campanhas de vacinação. É uma doença transmissível, é um vírus que se transmite de uma forma muito similar ao do Covid, e as precauções são as mesmas: evitar aglomeração, o uso de máscara; e quando a pessoa tiver sintoma, que fique isolada, mas ela não tem a letalidade alta que tem o Covid".

 

Como declarou Paulo, basta que uma pessoa não vacinada tenha o vírus, que ela consegue espalhar para muitas pessoas. É importante reiterar que as medidas usadas para o combate da COVID, como a vacinação e o uso de máscaras, são as principais armas contra o vírus Influenza. 

 

A maior parte dos casos da doença se manifesta com quadros mais leves, mas capazes de causar uma grande sobrecarga nas emergências. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES), o surto de Influenza aumentou a demanda de atendimentos nas UPAs estaduais em 429% em uma semana. Na rede municipal o número é quatro vezes maior do que o normal, segundo a Secretaria Municipal de Saúde

O número de testes para coronavírus também cresceu na cidade, devido ao aumento de pessoas que buscam as unidades de saúde com medo de estarem infectadas com a COVID-19. Entre os casos de Síndrome Gripal não-covid, 95,5% são causados pela Influenza A (H3N2), segundo a Secretaria Municipal de Saúde. Além da capital, o surto da doença afeta outros municípios da região metropolitana.

 

A infectologista Melissa Valentini declara que a testagem é um ponto de atenção "Nós testamos pouco no Brasil. Mesmo com a Covid, a testagem foi baixa no país. Com Influenza, é pior ainda. Os exames não estão disponíveis em todos os lugares e os convênios não costumam cobrir. Hoje, para qualquer síndrome respiratória, testa-se para Covid. Dando negativo o resultado, não se complementa o teste com um painel viral, que seria muito interessante. Esses painéis moleculares virais são fundamentais para identificarmos os casos de Influenza A e B, o que nos ajuda a definir se há um surto, qual vírus está circulando e se seria o caso de ampliar a oferta de vacinas."

 

A aplicação da vacina contra a gripe é destinada a pessoas a partir de 6 meses, especialmente os grupos prioritários: idosos, crianças, trabalhadores da saúde, gestantes e puérperas. Se estiver com sintomas de gripe ou COVID-19 não deve tomar a vacina. 

 

Melissa acrescenta que hoje não existe mais a restrição de tempo entre a vacina da gripe e a do coronavírus, ambas podem ser aplicadas no mesmo momento. Além disso, quem se vacinou contra a gripe provavelmente o fez entre maio e julho, e, assim, está em um período em que a proteção já está mais baixa.

 

Paulo Petry reitera que "Existem testes para o diagnóstico diferencial, importante em tempos de Covid. Os sintomas são todos muito parecidos com a exceção de perda de olfato ou a fadiga exagerada que é um sintoma que essa nova variante ômicron tem apresentado. A pessoa que tiver sintomas gripais, ela inicialmente não se recomenda teste, ela pode ficar em casa, e se realmente for a gripe sazonal, ela vai ter uma resolução rápida e só um antitérmico se eventualmente tiver febre vai resolver".


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