20/02/2022 às 00h51min - Atualizada em 14/02/2022 às 00h22min

Escândalo do 'Partygate': Boris Johnson enfrenta a pior crise desde que assumiu o governo

O escândalo das festas clandestinas deixa o premiê britânico em situação de risco até mesmo com aliados

Leonardo Pereira - Editado por Maria Paula Ramos
Com informações de The Guardian e Sky news
Sky News
A pandemia de coronavírus pôs a prova muitos governos ao redor do mundo, e com o governo do primeiro-ministro britânico Boris Johnson, não foi diferente. No início da crise sanitária imposta pelo Sars-Cov-2, Johnson foi de negacionista a defensor do isolamento. Só que como qualquer líder, o exemplo vem de cima.

Nos últimos meses, o que seria apenas a fúria da população e aproveitamento político da oposição, chegou a um patamar de risco para Boris Johnson, que já sofre pressões políticas para renunciar ao cargo.

O ESTOPIM
O gatilho da crise política, que faz o primeiro-ministro britânico Boris Johnson balançar num efeito gangorra foi alcunhado de “Partygate” —analogia ao escândalo de Watergate que fez Richard Nixon renunciar ao posto de presidente dos EUA— Todavia, no caso de Johnson o início do abalo político tem início ainda em 2020 quando vários de países e a Inglaterra estavam sob isolamento rígido.
As festas realizadas durante o lockdown na 10 Downing Street (residência oficial do premiê britânico) fizeram pelo menos 5 funcionários ligados a Boris pedir demissão, e instauraram uma tremenda crise administrativa. Os deputados trabalhistas, de oposição, e agora até políticos conservadores—aliados— endossam o pedido de que o premiê renuncie ao cargo.

De acordo com a Sky News, a Polícia metropolitana de Londres investiga pelo menos 10 reuniões na Downing Street que infringiram normas sanitárias da COVID-19 entre 2020 e 2021. Nas ocasiões festivas, em uma delas o primeiro-ministro já admitiu ter participado, pediu desculpas publicamente, e alegou pensar que a festa era apenas uma reunião de trabalho. De acordo com um e-mail vazado, um dos principais assessores de Boris convidou a equipe do governo para um evento intitulado de “traga a sua bebida”.

Em 19 de junho de 2020 foi o aniversário de 56 anos de Johnson. Há suspeitas de que pelo menos 30 pessoas participaram de uma comemoração no gabinete do primeiro-ministro. A Downing Street nega que o evento tenha infringido as normas de confinamento e que apenas 10 funcionários que estavam trabalhando no dia permaneceram no gabinete.

Outra reunião investigada, divulgada pelo Daily Telegraph, e que deixou o número 10 [gabinete oficial] em saia justa com a Rainha, aconteceu em 16 de abril de 2021, véspera do funeral do Príncipe Philip, regada à muito vinho e com funcionários embriagados. Segundo relatos, um integrante da festa foi mandando a um supermercado próximo com uma mala para encher de garrafas de vinho. Até um balanço do jardim da residência oficial foi quebrado por um funcionário da equipe.  Na época os britânicos estavam em luto nacional pelo falecimento de Philip.

O vice porta voz de Boris Johnson disse aos jornalistas: “É profundamente lamentável que isso tenha ocorrido em um momento de luto nacional, e o nº 10 se desculpou com o palácio por isso”


INVESTIGAÇÃO
A Scotland Yard, polícia metropolitana de Londres, enviou ao premiê britânico, na sexta-feira (12), um questionário sobre as supostas festas na Downing Street. Ao jornal The Guardian a polícia explicou que o inquérito enviado pede um relato e uma explicação dos recebedores do documento, sobre a participação em um evento, além de ter status formal e deve ser “respondido com sinceridade”.
 

A polícia de Londres não detalhou se os alvos do interrogatório estão sendo tratados como investigados ou testemunhas na “Operação Hillman”, além disso não confirmou à imprensa se Boris Johnson foi intimado a responder. Um porta-voz do número dez confirmou o recebimento do documento por Johnson. 

“Nós podemos confirmar que o primeiro-ministro recebeu um questionário da Polícia metropolitana. Ele responderá como requerido”  afirmou porta-voz da número 10.


Mesmo com pressões de opositores, da opinião pública e até mesmo investigações pairando no seu governo, o primeiro-ministro britânico disse há duas semanas que não irá renunciar ao cargo. Porém, a depender do resultado dessas investigações, o premiê poderá perder ainda mais aliados, o que tornará seu governo insustentável.

 

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