06/04/2022 às 23h52min - Atualizada em 21/03/2022 às 16h53min

Escritores do Brasil | Carlos Drummond de Andrade

O poeta que se tornou um dos mais importantes do país

William Haxel - Revisado por Isabelle Andrade
Carlos Drummond de Andrade.
Carlos Drummond (Foto: Reprodução/ Cultura alternativa)
Carlos Drummond de Andrade foi um grande poeta, contista e cronista brasileiro. Pelo conjunto de sua obra, tornou-se um dos principais representantes da Literatura Brasileira do século XX. É considerado, por muitos críticos literários, como um dos principais escritores do Modernismo no Brasil. Sua grande obra é "A Rosa do Povo", publicada em 1945.

Carlos Drummond nasceu na cidade de Itabira, Minas Gerais, no ano de 1902.  Concretizou seus estudos em Belo Horizonte e, neste mesmo local, deu início a sua carreira de redator na imprensa. Em 1933, foi Chefe de Gabinete do Presidente de Minas Gerais. Também trabalhou por 35 anos como funcionário público. Foi Chefe de Gabinete do Ministério da Educação do Brasil entre 1934 e 1945.


 
Em 1968, ganhou o Prêmio Jabuti com a obra de poesias Versiprosa. Durante toda sua vida, ganhou outros prêmios, como reconhecimento de seu talento literário. Em 1973, recebeu um prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte. Na década de 1980, lançou as seguintes obras: A Paixão Medida, que contém 28 poemas inéditos; Caso do Vestido (1983); Corpo (1984); Amar se aprende amando (1985) e Poesia Errante (1988)
.
Os principais temas retratados nas poesias de Drummond são: conflito social, a família e os amigos, a existência humana, a visão sarcástica do mundo e das pessoas e as lembranças da terra natal.
 
Seus poemas abordam assuntos do cotidiano, e contam com uma boa dose de pessimismo e ironia diante da vida. Em suas obras, há ainda uma permanente ligação com o meio e com obras politizadas. Além das poesias, ele escreveu também diversas crônicas e contos.
 
Carlos Drummond de Andrade foi casado com Dolores Dutra de Morais, com quem teve dois filhos. Carlos Flávio, que morreu meia hora após o parto e para quem foi dedicado o poema “O que viveu meia hora”, e Maria Julieta Drummond de Andrade, que, assim como o pai, também se tornou escritora.
 
Publicada em 1928, a poesia “No Meio do Caminho” provocou um verdadeiro escândalo entre os críticos. De acordo com eles, aquilo não se tratava de uma poesia, e sim de uma provocação. Tudo isso por conta da repetição e do uso de “tinha” no lugar de “havia”.
 
No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra

Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
 
Dentre suas obras poéticas mais importantes destacam-se: Brejo das Almas (1934), Sentimento do Mundo (1940), José (1942), Lição de Coisas (1962), A rosa do Povo  (1945), Viola de Bolso (1955), Claro Enigma (1951), Fazendeiro do Ar (1954), A Vida Passada a Limpo (1959), Novos Poemas (1948), Versiprosa (1967), Boitempo (1968), As impurezas do Branco (1973) e Poesia Errante (1988).




 Sofreu um infarto em 1986, quando passou 14 dias hospitalizado. Já com a saúde fragilizada, vivenciou o adoecimento e a morte de sua única filha, vítima de câncer, em 5 de agosto de 1987. A dor da perda abalou-o muito, levando Carlos Drummond de Andrade à morte 12 dias depois, aos 84 anos, em 17 de agosto de 1987, por insuficiência respiratória.
 

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