08/04/2022 às 15h09min - Atualizada em 08/04/2022 às 14h24min

A queda de Milton Ribeiro e a 'farra dos pastores' no MEC

O ex-ministro Milton Ribeiro pediu exoneração do cargo após suspeitas de um esquema de favorecimento político e tráfico de influência no MEC

Leonardo Pereira - Editado por Maria Paula Ramos
Foto: Sérgio Lima/Poder360

O ministro da educação Milton Ribeiro pediu exoneração do cargo em 28 de março após vir à tona um escândalo de favorecimento político no MEC. Em conversa gravada e obtida pela Folha, Ribeiro deixa claro que prioriza o envio de verbas a amigos dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, cumprindo ordens do presidente Jair Bolsonaro (PL). 
 

"Porque a minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, em segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar", diz o ministro na conversa. 























DENÚNCIAS
 O ex-ministro Milton Ribeiro é acusado de executar e fortalecer um esquema de favorecimento político no Ministério da educação durante o exercício de (2020 -2022). Milton revelou em áudio o suposto esquema que acontecia no MEC com aval do presidente. 

 

O prefeito de Luís Domingues (MA), Gilberto Braga (PSDB) afirmou em audiência na Comissão de Educação do Senado que o pastor Arilton Moura cobrou um quilo de ouro e mais R$ 15 mil para que verbas do MEC fossem liberadas. 
 

José Manoel de Souza (PP) Prefeito de Boa Esperança do Sul, revelou que após um encontro com prefeitos no auditório do MEC, foi levado a um almoço com dois pastores, e no restaurante os religiosos fizeram a proposta de assinar um ofício em troca de uma transferência para a conta da igreja. Veja abaixo o relato do gestor sobre a negociação de propina feito pelo pastor Arilton Moura:
 

“Prefeito, você sabe muito bem como funciona, né. O Brasil é muito grande, mais de 5.600 municípios, não dá para ajudar todos. Mas eu consigo te ajudar com uma escola profissionalizante. Faço um ofício agora, chamo a Nely, você assina o ofício, já coloco no sistema e, em contrapartida, você deposita R$ 40.000 na conta da igreja” 

 

 


O QUE DIZ MILTON RIBEIRO 
 

Em depoimento à polícia federal, Milton Ribeiro explicou que Bolsonaro realmente pediu que o pastor Gilmar Santos fosse recebido por ele, porém nega qualquer favorecimento do religioso na pasta. De acordo com Ribeiro, a conversa foi tirada de contexto e não retrata tratamento privilegiado na gestão do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). 
 

Em comunicado à imprensa o pastor e ex-ministro nega que tenha ocorrido atendimento preferencial na pasta a pedido de Bolsonaro.

"O presidente da República não pediu atendimento preferencial a ninguém, solicitou apenas que pudesse receber todos que nos procurassem, inclusive as pessoas citadas na reportagem." , disse Ribeiro.


EDUCAÇÃO NÃO É PRIORIDADE NO GOVERNO 

Em nota, o Todos Pela Educação comentou sobre o caso e disse que as denúncias contra o ex-ministro Milton Ribeiro precisam ser apuradas até o fim, e lamenta que os recursos do MEC estejam servindo de objeto eleitoreiro. 
 

É um ultraje que recursos tão necessários para a Educação, profundamente impactada por quase dois anos de fechamento das escolas durante a pandemia, possam servir a objetivos eleitoreiros do presidente da República. 

 

O Todos ainda afirma na nota que a educação de qualidade não é uma prioridade do Ministério da Educação e do governo Bolsonaro. “Há muito o que ser feito na Educação Básica e, infelizmente, isso não tem sido prioridade para o Ministério da Educação” .


 

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