31/08/2022 às 17h11min - Atualizada em 30/08/2022 às 17h11min

Para além do consumo: mobilização e ativismo de fãs

Como as ARMYs expressaram sua força e criaram um histórico de ativismo que inclui uma ONG no Brasil.

Liza Modesto - Revisado por Flavia Sousa
Grupo BTS performando na cerimônia de premiação Grammy Awards 2022. (Foto: Mario Anzuoni/Reuters).

A comunidade de fãs, ou fandom, da banda de K-Pop BTS (abreviação de Bangtan Sonyeondan) tem construído um histórico de ativismo, que por meio de arrecadações ou de suas expressões online, demonstram a força dos números. As ARMYs — nome dado aos integrantes do fandom — compõem uma das comunidades online mais presentes e organizadas em celebrar e apoiar seus ídolos, e utilizaram dessa presença e organização para estender seu apoio às causas sociais.


Durante a mobilização Black Lives Matter, desencadeada após o assassinato de George Floyd em 2020, o grupo sul-coreano declarou seu apoio ao movimento e fez, junto a sua agência Big Hit Music, uma doação de um milhão de dólares à causa. O fandom, inspirado pela atitude, criou a campanha #MatchAMillion, uma chamada para os fãs doarem o que puderem e arrecadarem o mesmo valor. “Assim como o BTS, conseguimos doar um milhão de dólares para ajudar a financiar a fiança daqueles que foram presos em protesto contra a brutalidade policial, organizações de advocacia que lutam contra injustiça sistêmica, apoio à saúde física e mental da comunidade negra", tuitou a organização.


Ainda na ocasião das manifestações de 2020, os fãs do grupo muniram-se de fancams para obstruir aplicativos policiais utilizados para fazer denúncias anônimas de manifestantes. As fancams, edições dos ídolos em vídeo, que costumam aparecer nas respostas de tuítes virais para ganhar visualizações em cima da popularidade desses tuítes, foram usadas estrategicamente pelas ARMYs quando o departamento de polícia do estado de Dallas tuitou um pedido ao público para submeter vídeos de manifestantes para impedir que a polícia visse os vídeos locais que poderiam colocar manifestantes em perigo. A estratégia viralizou e desativou temporariamente o aplicativo policial.

 

A organização dos fãs brasileiros
 

No Brasil, a ONG Army Help The Planet atua no Brasil desde 2019, sua página traz a definição: 

O Army Help The Planet é um movimento social atuante como Organização Não Governamental “de fato”, fundado pela união de esforços do fã-clube do grupo sul-coreano BTS, ou Bangtan Sonyeodan. O fandom ARMY, como carinhosamente foram nomeados os fãs do BTS pelo próprio grupo, é mundialmente conhecido por sua grande mobilização e iniciativa na realização de ações filantrópicas.  No Brasil, o Army Help The Planet é a PRIMEIRA iniciativa de ARMY's dedicada ao desenvolvimento de ações e projetos de cunho social e ambiental de forma institucionalizada.

Reprodução: Army Help The Planet
 


 

Dentre as iniciativas tomadas pelo projeto está a Army Help The Pantanal, que em setembro de 2020 arrecadou 52.945 reais para financiar reformas da base de incêndios e apoio de suprimentos para combate ao fogo. Essa campanha venceu na categoria ambiental no prêmio da Benfeitoria. 




Já em 2021, a ONG promoveu a campanha
 Tira o Título Army, buscando incentivar os jovens que têm ou completem 16 anos até outubro a tirarem seu título de eleitor, optativo para essa faixa etária. “O amanhã continuará vindo, e somos jovens demais para desistir“ é a letra da música do grupo BTS estampada em uma das imagens projetadas que chamam a atenção para a importância da participação no processo eleitoral. As projeções aconteceram em prédios nas capitais Belém (PA), Brasília (DF), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP).

Leia mais:
O poder da revolução cultural gerada pelo K-Pop da Coreia do Sul


A articulação da fanbase e sua numerosidade são cruciais nas expressões de apoio. A comunidade de fãs de BTS se transforma em uma força política por meio de sua organização, inicialmente em prol de seus ídolos e seu avanço nas charts e premiações, agora também conduzidos para agregar movimentações sociais e filantrópicas. A identificação e a experiência conjunta online constrói uma comunidade expressiva que se mobiliza pelo que acredita. É verdade que fandoms nem sempre se movimentam em unidade, e que consiste numa organização heterogênea e diversa. O alinhamento com os temas sociais reflete a demografia variada de seguidores da banda e a adesão aos valores reforçados nas letras de K-Pop de amor próprio e consciência social.


 


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