25/07/2019 às 16h33min - Atualizada em 25/07/2019 às 16h33min

Do “caso Héverton” ao sumiço das grandes competições: O declínio da Portuguesa no futebol

Time que no passado conquistou títulos significativos, hoje está sem divisão e depende da Copa Paulista para garantir vaga na Copa do Brasil ou na Série D do Campeonato Brasileiro

Luiz Eduardo - Editado por Paulo Octávio
Foto: www.gazetaesportiva.com
No século 20, a Associação Portuguesa de Desportos teve inúmeros motivos para se orgulhar. Levantou taças, era dona de grandes jogadores e cedeu seus melhores craques para vestir a camisa da seleção brasileira. Todavia, esta situação mudou de uma maneira extrema. Ao longo da atual década, todo o patrimônio lusitano veio a ruínas. Após uma série de erros dentro e fora de campo, rebaixamentos consecutivos e inúmeras derrotas, a Lusa (apelido carinhoso entre seus torcedores e simpatizantes) vive o momento mais delicado desde a sua fundação, em 14 de agosto de 1920. Vai passar seu centenário fora de um torneio de primeira divisão, e se não vencer a Copa Paulista ficará sem direito de disputar qualquer divisão do campeonato brasileiro.

O início da crise aconteceu em 2013, no rebaixamento polêmico para a segunda divisão do Brasileirão. A equipe fez uma campanha mediana e ficou em 13º lugar na classificação geral. Mas, foi penalizado com a perda de quatro pontos  pela escalação irregular do jogador Héverton, em partida contra o Grêmio, na última rodada. Como consequência, caiu para a zona de rebaixamento, o que -- indiretamente -- salvou o Fluminense. Desde então, o clube não parou de colecionar descensos. Em 2014 caiu para a Série C, ao encerrar a segunda divisão em último lugar. No ano seguinte, foi a vez de ser rebaixada para a A2 do Campeonato Paulista. Teve a chance de subir para série B do brasileiro, porém perdeu as duas partidas das quartas de final para o Vila Nova (GO). Em 2016, mais uma queda, desta vez para a Série D do Brasileirão e eliminação na primeira fase.

Foi a queda total de uma esquadra que, em 2011, chegou a ser apelidada de Barcelusa pela ótima campanha na Série B do mesmo ano. Na época, o time somou 81 pontos, com 23 vitórias e ficou 21 partidas sem perder no torneio, Esta foi a segunda melhor campanha da história do Campeonato Brasileiro da segunda divisão -- desde a implantação dos pontos corridos em 2006 -- perdeu apenas para a do Corinthians na temporada de 2008. Mas  apenas oito anos depois, a lusa está fora de qualquer torneio nacional. Atualmente, a rubroverde precisa vencer a Copa Paulista para voltar a quarta divisão. Só que a equipe amarga a lanterna do grupo 3 (que tem equipes tradicionais como Nacional, Juventus e sub 23 do Corinthians), com uma vitória em cinco jogos,  e pode ser eliminada na primeira fase

Confira abaixo os principais momentos da história da Portuguesa, desde seus anos áureos, até a triste situação em que se encontra hoje:

Anos dourados
Os torcedores da Lusa do Canindé que conhecem bem a história do time sabem que o período de maior sucesso foi nas décadas de 30, 50 e 70. Quando a sede era no bairro central de Cambucci, a equipe foi bicampeã paulista em 1935 e 1936. No elenco tinha jogadores como Barros, Frederico, Fiorotti e Carioca. Em 1956, a esquadra se destacou em uma competição interestadual, o Torneio Rio-São Paulo. Conquistou os títulos em 1952 e 1955.  Por fim em 1973, celebrou a última conquista do Paulistão na série A1, com a polêmica taça dividida com o Santos.

Craques do passado

Nas duas conquistas do Torneio Rio-São Paulo, Djalma Santos, Brandãozinho e Julinho Botelho fizeram um trio de sucesso e suas ótimas atuações acabaram rendendo convocações para a seleção brasileira. Os três disputaram a Copa do Mundo de 1954 na Suíça enquanto atletas do clube paulista. Poucos anos depois, Djalma seria bicampeão mundial em 1958 e 1962, mesmo feito alcançado pelo goleiro Félix, que ergueu o troféu de campeão do mundo em 1970 no México.

Pouco tempo atrás, o meia Dener foi o grande ídolo da torcida lusitana, falecido em 1994 por conta de um acidente de carro. Mesmo com a ausência de títulos, o atleta deixou sua marca no clube por causa de seus dribles e sua rapidez com a bola no pé. Também fizeram história atletas como: EnéasZé Roberto, Capitão, Zé Maria, Rodrigo Fabri, Ricardo Oliveira, entre outros.

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