16/08/2019 às 11h11min - Atualizada em 16/08/2019 às 11h11min

A preservação da cultura do frevo em Alagoas

Ex discente da Universidade Federal de Alagoas proporciona aulas gratuitas de frevo.

Iara Melo
Iara Melo
O berço do Frevo no Brasil todos reconhecem que é o estado de Pernambuco.
 Nos carnavais a 
agitação e alegria do ritmo já consagrado tornam os festejos mais encantadores. No estado vizinho, Alagoas, Edson Santos busca manter vivos os passos dessa dança contagiante além da folia dos blocos.

A história do frevo
O carnaval se tornou um elemento da cultura nacional. Nas grandes festas de rua foram surgindo representações culturais em todos os estados.

No Nordeste, mais precisamente em Recife, a folia do Frevo se consagrou nos anos trinta. A dança é bastante complexa, envolve diversos passos e saltos que se encaixam no ritmo das clássicas marchinhas. Com a fundação da Federação Carnavalesca de Rua em 1938, a dança se fortaleceu em Pernambuco e se espalhou por outros estados

Pintando o frevo
O grupo Pintando o Frevo, coordenado pelo professor Edson santos, surgiu no ano de 2009. Edson se formou no curso de Dança da Universidade Federal de Alagoas e desde então busca manter viva essa cultura. 

As aulas são ministradas em uma sala cedida pela universidade, no prédio da Escola Técnica de Arte (ETA), no centro da capital, Maceió.  Todos os sábados, no período da tarde, Edson tem encontro marcado com alunos interessados em aprender o ritmo do Frevo.

Os alunos começam a aula com exercícios de alongamento, o professor auxilia na execução e faz com que apliquem de forma correta para não prejudicarem a saúde. Ao som de muito frevo Edson explica a
 performance de cada passo com muita destreza, afinal são anos de prática e muitos carnavais vividos por ele.

 “Eu passo exercícios para eles terem um repertório,   para na hora da orquestra eles decidirem de acordo com o som qual o passo que vai melhor, qual o salto que combina.Aqui eu passo a base e na hora da orquestra eles improvisam”, afirma Edson.

Edson atua nos carnavais de Maceió, é passista oficial do bloco mais famoso do estado: O Pinto da Madrugada. Os passistas que formou ao longo da jornada dele também se apresentam nos blocos e em escolas, para difundirem a cultura. Thiago Costa, aluno de Edson, conta que se apresenta desde os 13 anos e atualmente, aos 19, continua nas aulas.

Do k-pop ao frevo
João Vitor, Suynan Zidade, Luiz Felipe, Thiago Costa e Whydger Fernandes são componentes do grupo de dança Falcon, especializado em pop coreano, o conhecido k-pop. E agora estão aprendendo frevo graças as aulas proporcionadas por Edson santos.

“Estávamos procurando uma sala de dança e através do Thiago conhecemos o Edson. A princípio nunca imaginei que ia sair dançando frevo. Eu achei diferenciado, nunca vi ninguém ensinando frevo. Resolvemos pedir pra o Edson coordenar nosso grupo, mas pra isso fizemos uma troca, participamos das aulas e ele nos coordena, e aqui estamos”, comenta João Vitor.

Apoio
De acordo com o professor, o apoio a questões culturais em Alagoas é escasso: “Estamos em Alagoas, onde as pessoas acham que cada coisa tem que ser só na época, diferente de outros estados. É muito difícil fazer frevo, eu ainda estou resistindo, mas já deu vontade de ir embora pra recife porque lá é frevo todo dia”, afirma Edson.

Perguntado sobre a motivação em continuar no estado mesmo com todas essas dificuldades a resposta foi: “É algo que eu gosto, e essa galera precisa de uma pessoa a frente”. A força de vontade de um amante da cultura popular faz com que o frevo permaneça vivo no estado de Alagoas e que através das aulas esse amor se espalhe e tome outros rumos.

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