19/04/2019 às 17h22min - Atualizada em 19/04/2019 às 17h22min

Ambientes de ensino ainda não tem segurança como deveriam

Universitários e responsáveis de alunos de ensino básico ainda temem por segurança

João Marques - Editor: Ronerson Pinheiro
Foto: Omar Freitas/Agência RBS
Pais e responsáveis acreditam que quando seus filhos estão dentro da escola é garantia total de segurança. Nos últimos anos, uma série de acontecimentos trágicos colocam em risco a segurança dos alunos.

No último dia 13 de março, um massacre na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, na região metropolitana do estado de São Paulo, resultou na morte de dez pessoas entre alunos, professores, funcionários e os próprios atiradores. Traumas físicos e psicológicos ficaram para os que estavam presentes e sobreviveram a essa tragédia.

Logo nos primeiros minutos, quando o ocorrido ainda era apurado, vídeos e fotos postados nas redes sociais remeteram os internautas à outra tragédia também ocorrida dentro de uma escola brasileira: o atentado de 7 de abril de 2011, na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste do Rio de Janeiro, que resultou na morte de treze pessoas, inclusive do atirador que suicidou-se após os disparos serem efetuados.

Em muitas escolas públicas espalhadas pelo Brasil, ainda há uma falha na segurança no controle de acesso. Nessas instituições é possível entrar sem qualquer tipo de identificação. Uma janela aberta ao perigo.

No último dia 11 de abril, pais e alunos foram surpreendidos por um vídeo postado na internet na qual um rapaz ameaça realizar um suposto atentado a um colégio de ensino particular, na Zona Norte do Rio. No dia da divulgação do vídeo, diversos pais acabaram não mandando seus filhos para escola e alguns, voltaram para buscá-los, logo que tomaram conhecimento do suposto atentado. O Colégio Gau, rapidamente emitiu uma nota informando as medidas tomadas, como acionamento da polícia, apuração da veracidade das informações, mas o medo já havia se espalhado. Segundo Eduardo Sampaio, diretor do colégio, o aluno não faz parte da escola que possuí unidades em outros bairros próximos a região. "A ação rápida da polícia reforçando a segurança na porta das escolas também ajudou a evitar uma possível tragédia e diminuir o pânico que se espalhou", conta, Eduardo. 

Na última segunda-feira (15), uma pichação fez com que as aulas fossem suspensas na parte da tarde e na terça-feira, na Escola Municipal Vila Monte Cristo em Porto Alegre (RS), após o local amanhecer pichado com frases ofensivas e alusivas ao Massacre de Suzano. A pichação teria sido feita por quatro homens que acessaram a escola, como disse o diretor Cezar Augusto Damaceno Teixeira.

Universitários temem acesso de público geral nos campus

Nas universidades a situação não é diferente. Muitas, principalmente as públicas, não contam com circuito de TV ou catracas de segurança o que possibilita o acesso do público em geral. 

Henrique Pires, estudante do quinto período de Engenharia de Produção em uma universidade no Rio de Janeiro, relata que o controle de acesso a pessoas em sua atual faculdade, é diferente da anterior. “Confesso que já me peguei pensando a respeito, pois a universidade não conta com nenhum controle de acesso. É muito fácil de alguém mal intencionado entrar e cometer algo. Nunca cheguei a testemunhar nada relacionado a isso, mas é uma dúvida que nos resta acerca da nossa segurança e integridade”, conta Henrique. O estudante relata ainda que em sua antiga instituição, a segurança é reforçada. "Na Universidade Paulista (UNIP), em São Paulo, eles contam com um sistema de catraca na qual só alunos, professores, funcionários e pessoas autorizadas passam", comenta. 

O mesmo receio da falta de segurança vem por todo o país. Em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, a estudante Milena Sant' Anna, confirma a falta de controle no acesso de pessoas dentro do espaço que deveria ser somente dos alunos: “Não há qualquer catraca muito menos seguranças. Qualquer um entra ou sai”, alerta a universitária, do oitavo período do curso de Direito na Universidade Estácio de Sá.

Procurada pela nossa reportagem, a assessoria de imprensa da Universidade Estácio de Sá, não respondeu até o fechamento desta matéria sobre os questionamentos feitos sobre a segurança de seus alunos e colaboradores nos campus.

Editora-Chefe: Lavínia Carvalho. 
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