25/09/2020 às 09h50min - Atualizada em 25/09/2020 às 09h28min

Quantas escritoras indígenas você conhece?

Franciele Rodrigues - Editado por Bruna Araújo
Reprodução Carta Capital
Os povos indígenas são agentes fundamentais na composição da sociedade brasileira. Não há como pensarmos a formação da história, cultura, conhecimentos, formas de resistir desconsiderando a influência dos grupos originários. Contudo, para além das ricas trocas e contribuições desde o período colonial, os povos indígenas têm sido alvo de diversas violências.

Muitos deles estão sofrendo invasões e roubos de suas terras, destruição das florestas, das quais dependem para sobreviver. O país tem atravessado incêndios agressivos e, majoritariamente, causados pela ação humana que devasta a fauna, flora a fim de transformar as áreas para a criação de pasto (visto as queimadas em curso no Pantanal desde julho) e de plantação de soja e cana-de-açúcar.

Segundo o movimento global pelos direitos dos povos indígenas Survival, atualmente há no Brasil cerca de 305 povos indígenas, totalizando aproximadamente 900 mil pessoas, ou seja, 0,4% da população. O governo federal reconhece 690 territórios indígenas no país, a maioria está localizada na Amazônia.

A etnia Guarani é o povo mais numeroso hoje, com cerca de 85 mil indígenas, porém eles dispõem de pouca terra. O povo com maior território é o Yanomami, cerca de 9,4 milhões de hectares no norte da Amazônia, o grupo procura viver de forma isolada, ou seja, sem estabelecer contato com os não indígenas.

Muitos indígenas migram para as beiras das estradas ou cidades e passam a perambular e depender da venda de artesanatos e doações para garantir a subsistência. Para além das ausências materiais, ao terem que abandonar as florestas, as comunidades indígenas distanciando-se dos modos de vida que constroem e das relações sociais que compartilham. 

Outra opressão direcionada é a invisibilidade dos escritores indígenas, sobretudo mulheres. O conhecimento das autoras contemporâneas também é importante para evitar visões estereotipadas das culturas indígenas.

“Leia Mulheres Indígenas” é uma rede de compartilhamento das produções literárias, em língua portuguesa ou materna, de mulheres indígenas residentes no Brasil. Inspirada pelo movimento Leia Mulheres, a iniciativa visa agregar cada vez mais escritoras indígenas e caminhar para a discussão das obras contando com a mediação das autoras.

O grupo utiliza as redes sociais para alcançar visibilidade, no
Facebook, a página reúne mais de 900 seguidores. Já no Instagram, o perfil “Leia Mulheres Indígenas” possui mais de sete mil seguidores.  

O site Visibilidade Indígena sugeriu 25 escritoras:

1. Eliane Potiguara
2.  Márcia Wayna Kambeba
3. Auritha Tabajara
4. Lia Minapóty (Maraguá)
5. Aline Pachamama (Puri)
6. Vãngri Kaingang
7. Denízia Kawany Fulkaxo (Kariri-Xocó)
8. Márcia Mura
9. Graça Graúna (Potiguara)
10. Aline Kayapó
11. Chirley Pankará
12. Telma Pacheco Tremembé
13. Maria Kerexu (Guarani)
14. Kerexu Mirin (Guarani)
15. Shirley Djukurnã Krenak
16. Célia Xakriabá
17. Eva Potiguar (Potiguara)
18. Fernanda Vieira (Xocó)
19. Julie Dorrico (Macuxi)
20. Zélia Puri
21. Djuena Tikuna
22. Lidia Krexu Rete Veríssimo (Guarani)
23. Niara Terena
24. Morena, Amarú e Isa Santana (Pataxó)
25. Rosi Whaikon


Os livros podem ser encontrados pelas diversas livrarias do país.

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