23/10/2020 às 21h49min - Atualizada em 23/10/2020 às 21h05min

Outubro rosa: o mês da prevenção contra o câncer de mama

Pelo Brasil e pelo mundo, laços rosas e campanhas começam a se espalhar na tentativa de conscientizar a prevenção e o diagnóstico precoce da doença

Ana Paula Cardoso - Editado por Caroline Gonçalves
Foto: Jittima Kumruen / EyeEm / Getty Images
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), para o Brasil, a estimativa é que para cada ano do triênio 2020-2022, ocorram 66 mil casos de câncer de mama, sua maior incidência encontra-se nas mulheres, a cada oito, uma apresenta a doença, os homens, representam apenas 1% do total. Ademais, de acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMC) contabiliza-se uma alta incidência entre os pets, ocorrendo em 45% das cadelas e 30% das gatas.

Médica Oncologista e coordenadora de oncologia mamária e torácica do Hospital São Camilo (SP), Drª Bruna Zucchetti afirma que “o autoexame é importante, mas não substitui os exames de rastreamento, eles que diminuem a mortalidade e são comprovadamente eficazes, mas é obvio que o autoexame é essencial”.
 



Ela conta que ao contrário do que muitos pensam, o câncer de mama não causa dor. Um dos sintomas mais comuns é o nódulo palpável, sendo que a maior parte das mulheres não sente nada.

"Em alguns casos ocorrem descargas papilares, podendo sair através do mamilo um líquido, sanguinolento ou bem clarinho, também é necessário ficar atenta aos gânglios axilares, linfonodos palpáveis na axila", relata.


Já nos homens, Bruna declara que o diagnóstico é realizado através do aparecimento de uma massa palpável na mama.

"Eles não tem exame de rastreamento para realizar, então normalmente ocorre através do apalpamento", completa.


Segundo ela, os homens possuem uma quantidade menor de glândulas mamárias. Mas, o que acontece é que eles não contêm o costume de realizar o autoexame, não vão para o ginecologista anualmente e não mantem uma rotina de realizar exames de mama, então acabam só percebendo quando o nódulo já está maior.

Normalmente, ocorre depois dos 50 e 60 anos e ao apresentar a doença, precisam realizar obrigatoriamente uma avaliação ontogenética, pois esse tumor pode possuir uma origem genética.

“Existem poucas amostras de homens, mas mesmo assim, sabe-se que neles, a doença tende a ser mais agressiva e não responder tão positivamente ao tratamento”, relatou.

“O câncer de mama está aumentando bastante em mulheres mais jovens, principalmente naquelas que possuem menos de 40 anos, a cada oito mulheres, uma tem câncer de mama”, afirmou Bruna.


Prevenção
Ações que podem ajudar na prevenção contra o câncer de mama:
  • Realizar exercício físico;
  • Evitar terapia de reposição hormonal nas mulheres da pós menopausa;
  • Amamentação;
  • Ter filhos em uma idade mais jovem.

“No caso dos homens e das mulheres o que nós sabemos que aumenta a possibilidade de desenvolver a doença é o consumo de bebida e cigarro em excesso”, garantiu.


Tratamento
Tanto para homens quanto para mulheres ocorre igualmente, os dois realizam a cirurgia da mama e o tratamento é multimodal, incluindo a cirurgia, quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia em alguns casos.

“Nem todo mundo faz tudo, mas a cirurgia é obrigatória, pode ser uma retirada de toda a glândula mamária ou só de uma parte, isso será definido pelo tipo de tumor e tamanho da mama, vai depender de cada caso”, finalizou.


O projeto ‘Mamas do Amor’ envolve em torno de 80 voluntários, entre homens e mulheres em todo o país juntos na elaboração das próteses de alpiste do tamanho 40 ao 54 do sutiã “a minha missão é entregar cada vez mais estas mamas para um número cada vez maior de mulheres do mundo todo”, declarou Fernanda Aguiar, fundadora do projeto, ela foi diagnosticada com câncer nas duas mamas em 2016.

“Quando recebi o diagnóstico do câncer meu mundo caiu, fiquei angustiada e deprimida, mas com a ajuda dos médicos, amigos e família consegui enfrentar esta doença”, contou.


Atualmente, já entregaram mais de oito mil pares de mamas no Brasil e também em outros países do mundo, seu atual projeto é conseguir criar uma banca de mamas em todos os SUS do país.

Fernanda colocou próteses internas no lugar de seus seios, entretanto, uma delas provocou uma grave infecção e teve que ser retirada. Dessa forma, ela começou a procurar outras alternativas e começou a utilizar mamas de alpiste. Segundo ela, a ideia de criar o projeto veio após essa experiência ter lhe trazido força e ter aumentado sua autoestima “então pensei: porque não doar estas mamas tão baratas, fáceis de fazer e confortáveis para outras mulheres que estão passando pelo mesmo que eu? Fizemos um vídeo ensinando que viralizou no Facebook, e as pacientes começaram a fazer pedidos para mim, dessa maneira, surgiram as mamas do amor".



A mama do amor
  • O prazo de utilização é de um ano;
  • As pacientes podem solicitar pelo site www.mamasdoamor.org.br e posteriormente receberão em casa pelo correio, só é necessário preencher um cadastro;
  • Não tem custo, é tudo gratuito;
  • As pessoas podem ajudar financeiramente apoiando o preço do frete/correio ou doando alpistes em meias novas 3/4 femininas.

“Nós temos algumas doadoras frequentes que nos ajudam a pagar o correio, esse fator é o que pesa na nossa ONG”, finalizou a fundadora da ‘Mamas do Amor’.


Paula Dultra, 40, é criadora de conteúdo digital na conta ‘Mão Na Mama’, pelo Instagram troca experiências sobre o câncer, ela foi diagnosticada aos 30 com câncer de mama. “Vi uma alteração na minha mama e descobri através de exames de diagnóstico”, disse.

“Comecei com quimioterapia, depois fiz uma cirurgia de quadrantectomia e radioterapia. No total, foram oito meses de tratamento, passei todo o período bem e trabalhando, com poucas adaptações”, completou.


Ao ser questionada sobre a quimioterapia, ela relata que “é difícil, mas não tanto quanto parece e como a mídia fala, depende de cada organismo, para mim, foi tranquilo, fiquei aliviada na verdade, consegui levar numa boa”.

“Na época de 2010 e 2011, a internet não era nada do que é hoje, eu vi que podia com a ajuda dos médicos e com minha experiência, ajudar as pessoas com o que eu passei e traduzir o conteúdo informativo”, justificou a ideia de ter criado a conta ‘Mão Na Mama’.


Além de vencer o câncer de mama, além também venceu o do ovário, tendo sido diagnosticada em 2018, ocorreu por uma mutação genética no gene PTEN, tendo se manifestado através de uma dor aguda na barriga, seguida de hospitalização e uma cirurgia de emergência.



De acordo com Paula, temos um caminho longo pela frente, muitas mulheres ainda são diagnosticadas tardiamente.

“Ainda existem muitas campanhas deficientes por ai, o autoexame por exemplo, não é eficiente em todos os casos. Além disso, muitas mulheres não sabem realizá-lo da maneira correta”, finalizou.


Especialista em Oncologia Veterinária, Juliana Vieira Cirillo, garante que a castração de fêmeas é o principal método de prevenção para a neoplasia mamária.

“Sabemos que se a castração em cadelas for realizada antes do primeiro cio, a chance dela ter um tumor quando ela for mais idosa é de 0,5%, praticamente nulo, se for realizado entre o primeiro e o segundo cio, sobe para 8%, mesmo assim, é algo baixo, entre o segundo e o terceiro cio ela apresenta 25%, após os dois anos de idade, a castração não cria mais um efeito protetor sobre o tecido mamário, pode até prevenir o benigno mas o maligno pode aparecer”, declarou Juliana.

“Temos estudos mostrando que tanto em cadelas quanto em gatas quando não são castradas, a chance de desenvolver tumor de mama é sete vezes maior”, disse.

“Principalmente em raças de porte maior é interessante sempre deixar o tutor do animal avisado que eventualmente essa castração precoce pode aumentar a incidência de problemas ortopédicos, mas em relação a prevenção do tumor de mama, em cadelas e gatas, ainda seria o método mais eficaz”, afirmou a especialista em oncologia veterinária.


De acordo com ela, o principal método diagnóstico ainda é através do exame físico, realizando uma apalpação bem cuidadosa da região das glândulas mamárias, “o que acabamos notando é que nas raças de pelo longo tanto de porte pequeno ou nos maiores, o fato do animal ter uma pelagem longa acaba mascarando algumas lesões”, ressaltou.


 

“O próprio tutor do animal pode ter esse hábito de estar apalpando essa região da glândula mamária da cadela ou mesmo das gatas, mas o que sugerimos é que ao fazer a consulta de rotina no veterinário é papel dele fazer um exame físico completo no pet, por mais que não exista a queixa de ter notado alguma alteração na região das mamas, principalmente se não for castrado”, expôs.

“O tamanho do tumor é um fator prognóstico, não é só porque ele tem meio centímetro ou um centímetro que ele não é maligno, muitas vezes ele pode estar avançado e agressivo mas num estágio inicial. Para animais jovens até os seis e sete anos de idade uma visita anual no veterinário é importante e após a saída dessa idade a cada seis meses”, destacou Juliana.

 

Diferença entre gatas e cadelas

Segundo a veterinária especialista em Oncologia, a principal diferença é que nas cadelas cerca de 50% a 70% nos tumores de mama são malignos, no entanto, a maioria tem um baixo potencial metastático, enquanto que nas gatas cerca de 85% são malignos e com comportamento bastante agressivo.

 

“Quando pensamos em prognósticos a sobrevida acaba sendo bem diferente, como nas gatas esses tumores tendem a ser mais agressivos e infiltrativos, vemos um índice muito alto de metástase para linfonodos regionais e metástase pulmonar, enquanto que nas cadelas essa frequência não é tão alta, vai depender muito do tipo de tumor”, relatou Juliana.


De acordo com ela, em cadelas, dependendo do tipo histológico do tumor e de uma série de fatores prognósticos que devem ser avaliados, muitas vezes o tratamento é apenas cirúrgico, removendo a cadeia mamária junto com os linfonodos regionais, sem precisar passar por quimioterapia. Já nas gatas, ela diz que quase todas acabam passando por um tratamento quimioterápico e mesmo assim, muitas acabam evoluindo para um quadro de metástase pulmonar e vem a óbito pela doença.



Cuidados

Ela lembra que é necessário ficar atento também a região dos linfonodos regionais, eles normalmente são o primeiro foco de metástase de um tumor de mama.

O primeiro fator etiológico considerado para a doença é o fator hormonal, por isso indicam a castração precoce “tanto o estrógeno como o progesterona são hormônios que participam do desenvolvimento da glândula mamária e geram um estimulo de proliferação. Primeiro falamos em castração para cortar esse estímulo e depois sobre a obesidade”, afirmou Vieira.

Uso de anticoncepcionais
 

“Falamos muito da fêmea, mas não podemos esquecer que o macho pode ter tumor de mama, é raro isso acontecer, mas pode ocorrer em 5% dos cães e 1% dos gatos e nesse caso, vemos relacionado a administração de anticoncepcionais, muitas vezes isso acaba predispondo ao aparecimento do tumor e acaba causando em uma grande maioria um comportamento também muito agressivo”, revelou.


Segundo Vieira, gatos e gatas que recebem aplicação de anticoncepcional podem gerar grande alteração na região da glândula mamária, tanto benigna, sendo vista em gatos e gatas mais jovens ou acabar aumentando a incidência do desenvolvimento de tumores malignos em uma idade mais avançada, entre dez e 12 anos de idade. “É muito importante o tutor estar ciente, porque as vezes ele pensa em fazer a administração do anticoncepcional e não sabe a consequência que isso pode ter, atualmente, a indicação é realizar a castração porque será algo muito melhor”, disse.



Sintomas
Se apresenta de maneira relativamente assintomático, muitas vezes o animal tem o nódulo mas não apresenta sensibilidade na região, não coça, não apresenta secreção. Já em alguns casos mais agressivos em que normalmente se tem um crescimento mais rápido podendo apresentar ulceração da pele e criando uma ferida, o tutor acaba notando. Além disso, existe um tipo mais agressivo que recebe o nome de carcinoma inflamatório, é um tumor que vem acompanhado de muita inflamação, dor no paciente, normalmente indicando um estágio mais avançado da doença.
 

“Muitas vezes é um paciente que não vai apresentar nenhuma alteração clínica, ele não necessariamente perderá peso, perda de apetite, os próprios exames podem estar normais, eu até diria que a maioria dos casos são assim”, relatou.

“Só começamos a ver esses efeitos quando tem sinal de metástase, apresentando cansaço fácil, tosse”, exemplificou Vieira.


Tratamento

“É cirúrgico, essa sempre será nossa primeira opção, existem diferentes técnicas, mas normalmente, mesmo que o animal tenha apenas um único nódulo na glândula mamária, recomendamos as mastectomias, que podem ser unilaterais ou bilaterais, retirando as duas cadeias mamárias, fora isso, indicamos realizar o procedimento em duas etapas cirúrgicas diferentes, sempre com a remoção do linfonodo regional. Após isso, esse material tem que ser enviado para análise histopatológica, tanto o tumor quanto o linfonodo, e de acordo com esse resultado e outros dados que pegamos do animal, será decidido se ele vai ou não precisar da quimioterapia”, explicou a especialista em oncologia veterinária.


Ao falar sobre o processo de quimioterapia na veterinária, ela afirma ocorrer de forma diferente do que é observado na oncologia humana, pois as doses utilizadas são adaptadas para o animal e infinitamente mais baixas.
 

“Os efeitos colaterais podem ser apresentados em apenas 10% a 40% dos pacientes que realizam a quimioterapia, o que notamos é que como as doses que usamos são mais baixas, esses efeitos colaterais quando ocorrem, são mais brandos, por isso, existe todo um tratamento de suporte exatamente para evitá-los, entramos com protetor gástrico, medicações para controle da náusea, do vômito. Dessa forma, a maioria dos pacientes passam bem pelo tratamento e conseguem ter uma vida normal”, contou Juliana Viera Cirillo.

 


REFERÊNCIAS:
https://www.inca.gov.br/estimativa/introducao
FRAGA, Marcelo. Câncer de mama também atinge cães e gatos Encontro BH. 1/10/2019. Disponivel em: https://www.revistaencontro.com.br/canal/pet/2019/10/cancer-de-mama-tambem-atinge-caes-e-gatos.html. Acesso em: 19/10/2020.

 

 

 

 

 

 

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