12/03/2021 às 21h34min - Atualizada em 12/03/2021 às 21h26min

Filme Moxie - "Quando as garotas vão à luta"

O longa-metragem trata de temáticas sobre opressões e lutas diárias que as mulheres sofrem no seu dia a dia

Daniela Alves Silva - Editado por Andrieli Torres
Fonte/Reprodução: Google Imagens
Em um primeiro momento, podemos até pensar que Moxie, a nova produção da Netflix, tem cara de comédia romântica da 'Sessão da Tarde'. Mas o filme acaba superando as nossas expectativas ao abordar assuntos importantes, trazendo figuras fortes e representativas, além da quebra de estereótipos. O longa-metragem mostra um grupo de meninas se mobilizando na escola contra as opressões de gênero. A comédia feminista é dirigida por Amy Poehler, e é protagonizada por Hadley Robinson, Lauren Tsai, Josephine Langford e Patrick Schwarzenegger.

No mês da mulher, essa discussão fica ainda mais latente, e nada melhor do que a maior plataforma de streaming lançar um filme como este para um público teen. Moxie representa que até jovens colegiais sofrem abuso e precisam batalhar pelo respeito. As pequenas opressões do dia a dia que toda mulher enfrenta, muitas vezes passam despercebidas. Elas estão impregnadas em nossa sociedade, e podem ser tidas como “normais”, seja em casa, na rua ou na escola.

Andamos e vivemos com medo de passar alguma mensagem errada, tomamos sempre cuidado ao sair de casa, ir para locais desconhecidos, e com a construção da nossa imagem enquanto mulher em nossa sociedade. Ter consciência de que as desigualdades de gênero e o sexismo precisam acabar, é o primeiro passo para a aproximação com o feminismo. E é isso o que o novo filme da Netflix quer nos mostrar, abordando pautas feministas e desconstruir romances machistas em produções adolescentes é uma urgência, e, para falar sobre estas temáticas, é preciso contar com mulheres à frente das séries e filmes. A obra traz uma reflexão que nos ensina sobre o feminismo, machismo e luta pela igualdade, trazendo ações e elementos que vivenciamos a todo instante em nossas vidas.

Apresenta uma série de questionamentos sobre comportamentos no período escolar, mas que também são vistos constantemente em qualquer etapa das nossas vidas, como diminuição da mulher nos esportes - ou cargos de responsabilidade -, opressão, assédio, estupro, etc. Aparentemente, o filme vem cumprindo bem seu papel.

Em entrevista, Mayana Macedo deu a opinião  sobre o filme e revelou se ele causou alguma mudança no modo dela pensar sobre o enredo do longa. “Quando assisti o filme eu já tinha uma boa compreensão sobre as lutas femininas. Mas Moxie me fez perceber quão cedo as mulheres e meninas começam a ser vítimas do machismo e precisam lutar por um direito básico, o respeito. Isso me fez entender que a educação sobre esses temas precisa ser dada o mais cedo possível para que haja uma mudança verdadeira.” Houve uma grande quebra de paradigmas na construção dessa trama", pontua.

Os estereótipos que geralmente encontramos em filmes de adolescentes no colegial foram totalmente modificados e ressignificados na construção da narrativa. A Sexualização, machismo e protagonismo masculino - visão heroica sempre para o masculino - costumam ser três questões frequentes em filmes adolescentes clichês, principalmente as produções norte-americanas. Mas nesta produção, isso é totalmente deixado de lado e vemos um grupo de garotas, cada uma com sua particularidade, aprendendo e trabalhando juntas por uma causa. As demandas sociais que ganharam força nos últimos anos, têm impulsionado o surgimento de obras que tratem os problemas adolescentes com mais responsabilidade, que nos mostram como é importante a mobilização conjunta e a união das mulheres.

Em filmes adolescentes, principalmente aqueles passados no ensino médio, a rivalidade feminina sempre é um assunto que vem à tona. Aqui, vale destacar a diversidade do elenco, têm mulheres negras, asiáticas, com deficiência e mulher trans. a CJ, interpretada por Josie Totah. Cada uma com seus próprios empasses, como é o caso de CJ, que tenta conseguir o papel principal na peça da escola. Apesar disso, com todas as limitações de um filme, as complexidades e construções do feminismos não são tratadas com profundidade. Muitas vezes somos levadas a acreditar que nossa voz não tem valor, que devemos nos calar. Moxie nos mostra o contrário, que é importante defender nossas causas e nos erguer por elas.

Um filme muito diverso e capaz de gerar identificação, não apenas para aqueles que pertencem aos clássicos estereótipos da líder de torcida, do capitão do time, do nerd e do excluído, mas sim para diversas jovens mulheres e homen qsue já estão saturados com a falta de representatividade de um ensino médio muito mais diverso e coerente com os nossos tempos. Vale também destacar o significado de feminismo, tão bem retratado no filme. Trata-se de um movimento social por direitos civis, protagonizado por mulheres, que desde sua origem reivindica a igualdade política, jurídica e social entre homens e mulheres. Sua atuação não é sexista, isto é, não busca impor algum tipo de superioridade feminina, mas a igualdade entre os sexos.

Outro tema bastante abordado na trama é o sexismo, que é o ato de discriminação e objetificação sexual. É quando se reduz alguém ou um grupo apenas pelo gênero ou orientação sexual e é normalmente associado à posição que o machismo determina para as mulheres. Mas também pode ser relacionado ao tratamento preconceituoso dado pela sociedade aos homens, aos homossexuais, aos transgêneros, aos que não se identificam com nenhum dos gêneros, entre outras formas de representação de identidade sexual.

Uma das frases que eu mais achei significativa durante todo o filme expressa todo sentimento e emoções que essas temáticas nos proporcionam, trazendo uma confirmação de todas as coisas que eu acredito sendo mulher, vendo, vivendo e conhecendo todos os dramas que passamos todos os dias: “Acredito com toda a força do meu ser que as mulheres são uma força revolucionária que podem e vão mudar o mundo.”

Na sociedade em que vivemos, cada vez mais mulheres vem ganhando voz e ocupando seus espaços, mas esse é um percurso muito longo até o sucesso real e até a conquista de todos os direitos que nos cabem. Nós mulheres devemos nos unir para defender nosso lugar enquanto figuras importantes na construção da sociedade e não devemos lembrar disso somente no dia da mulher. Fazemos parte gradativamente da construção da nossa identidade, então não vamos nos calar por conta de nenhuma opressão ou ato de machismo. Vamos nos unir e levar nossas vozes contra qualquer um que tentar nos diminuir e nos desmerecer, mostrando que somos capazes de fazer qualquer coisa que desejamos. 

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