30/04/2021 às 22h45min - Atualizada em 30/04/2021 às 22h23min

​Inconfidência Mineira: entenda quem foi o homem por trás da revolução

21 de Abril, dia da execução de Tiradentes, foi instituído como o Dia da Inconfidência, popularmente chamado de Dia de Tiradentes e feriado nacional

Daniela Alves Silva - Editado por Andrieli Torres
Fonte/Reprodução: Internet
Todos nós sabemos que existe o feriado de Tiradentes no dia 22 de abril, mas muitos não sabem a trajetória dele, a figura importante que Tiradentes foi na construção do Brasil e na inconfidência Mineira. Vamos entender um pouco dos aspectos do líder desse movimento.

Tiradentes nasceu na Vila de São José, em Minas Gerais. Filho de Domingos da Silva Santos, português, e de Maria Antônia da Encarnação Xavier, brasileira. Na infância perdeu a mãe e o pai e, por isso, foi criado em Vila Rica, atual Ouro Preto (MG), por seu padrinho.

Segundo informações do site História do mundo, “Tiradentes” era o apelido atribuído a Joaquim José da Silva Xavier, que ficou famoso por ser um dos líderes da Inconfidência Mineira e por ter sido o único, entre os inconfidentes, a receber a pena capital, isto é, a pena de morte, pela forca.

Nascido em 12 de novembro de 1746, na então Capitania de Minas Gerais, durante o Brasil Colonial, Joaquim José desempenhou várias profissões. Entre elas, estava a de dentista amador, por isso foi apelidado como Tiradentes.

Além de dentista, Tiradentes também tentou a sorte como tropeiro (condutor de tropas de animais, transportadoras de mercadorias), minerador e mascate (mercador ambulante), mas fracassou em todas. A única profissão que lhe rendeu estabilidade foi o posto de alferes – patente abaixo da de tenente – da cavalaria de Dragões Reais de Minas, a força militar atuante na Capitania de Minas Geras e subordinada à Coroa Portuguesa.

Tiradentes, apesar de não ser um intelectual, interessava-se por escritos políticos, como as leis constitucionais dos Estados Unidos, país que havia conquistado a sua independência em 1776, quando o alferes tinha 30 anos de idade. Os interesses políticos de Joaquim José da Silva Xavier aos poucos foram se divergindo dos interesses de outros habitantes de Vila Rica, que era o centro da atividade mineradora do Brasil na época.

Intelectuais como Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, ambos poetas e conhecedores das ideias filosóficas do Iluminismo Francês, foram algumas das personalidades importantes com as quais Tiradentes se juntou com o objetivo de retirar do poder o então Governador da Capitania de Minas Gerais, nomeado pela Coroa Portuguesa, Visconde de Barbacena. Mas qual era o motivo para tal revolta?

O motivo principal que animava Tiradentes e os outros envolvidos na Inconfidência a se levantarem contra o governo de Visconde de Barbacena e o Império Português era a constante retirada das riquezas da região por meio de impostos excessivos. Do ouro produzido na Capitania de Minas de Gerais, a Coroa Portuguesa cobrava o chamado quinto, isto é, o equivalente a cerca de 20% do total extraído.

Ocorreu que, a partir da década de 1760, a extração de ouro regrediu consideravelmente, mas não o valor do imposto. A taxa do quinto continuou a ser exigida dos mineradores locais, e o governador Barbacena, para fazer valer a lei, chegava até a impor agressões físicas. Foi na cidade de Ouro Preto, antiga Vila Rica, onde transcorreu a trama da Inconfidência Mineira.

O problema agravou-se mais ainda quando, para reverter a margem defasada dos quintos recolhidos, a Coroa Portuguesa autorizou a implementação da chamada derrama. A derrama obrigava os mineradores a cobrirem com suas posses, isto é, tudo aquilo que lhes pertencia como objeto de valor, o que faltava na quantia do quinto.

Isso significava que o rombo provocado no pagamento do imposto à Coroa, resultante do declínio da mineração, acabou tendo que ser pago com outras formas de obtenção de dinheiro, como pedágios cobrados sobre o uso das estradas, escravos etc. Todos eram forçados a pagar a derrama.
A conspiração para a inconfidência começou com  dos inconfidentes se  preparando em 1788 para que as ações passassem a se realizar no ano seguinte.

Tiradentes, por sua personalidade agitada, ficou conhecido como o mais radical dos inconfidentes, como diz o pesquisador Lucas Figueiredo, em seu livro Boa Ventura! A corrida do ouro no Brasil (1697-1810): “Um radical entre moderados, um franco entre dissimulados, ele defendia – publicamente e em qualquer lugar (de bordéis a residências de ricos mercadores) – uma revolução que tornasse Minas Gerais independente de Portugal. ''Era pena'', dizia o alferes, ''que uns países tão ricos como estes [as Minas Gerais] estivessem reduzidos à maior miséria, só porque a Europa, como esponja, lhe estivesse chupando toda a substância".

Tiradentes chegou a tramar a morte de Visconde de Barbacena, e isso só não foi concretizado porque Barbacena, por meio da confissão de um dos inconfidentes, José Silvério dos Reis, desmantelou o plano e prendeu todos os envolvidos.

Presos, muitos dos inconfidentes, temendo severas punições, não confessaram seus crimes. O único a fazê-lo foi Tiradentes, que, por isso mesmo, recebeu a pena mais dura, em um processo transcorrido na cidade do Rio de Janeiro, que só teve fim em 21 de abril de 1792.

Tiradentes foi enforcado, decapitado e esquartejado. Para que os súditos da Coroa nunca se esquecessem da lição, a cabeça dele foi encravada num estaca e exposta em praça pública em Vila Rica, e seus membros, espalhados pela estrada que levava ao Rio de Janeiro. 
O 21 de Abril, dia de sua execução, foi instituído como o Dia da Inconfidência, popularmente chamado de Dia de Tiradentes e feriado nacional. Tiradentes costumava ser representado com traços semelhantes a Jesus Cristo e com a corda enrolada ao pescoço. Ao longo da história, a figura dele foi ganhando diferentes interpretações.

Tiradentes tem varias homenagens artísticas referentes a ele. Tanto no período imperial quanto no período republicano, a imagem dele passou a ser tomada como um ícone da liberdade e da independência do Brasil, como um herói da nação. Essa imagem foi constantemente reforçada por pinturas (como a, de autoria de Pedro Américo) e monumentos (como a instalação do primeiro monumento dedicado a ele na cidade de Ouro Preto, em 1867).

No ano de 1965, já na primeira fase do Regime Militar no Brasil, o marechal Castelo Branco, então presidente da República, contribuiu para o reforço dessa imagem de Tiradentes, sancionando a Lei Nº 4. 897, de 9 de dezembro, que instituía o dia 21 de abril como feriado nacional e Tiradentes como, oficialmente, Patrono da Nação Brasileira.

O movimento que tinha como objetivo proclamar a capitania de Minhas Gerais como uma República independente. Como era um excelente comunicador, Tiradentes tinha a capacidade de conquistar adeptos. Na busca por mais adesões, Tiradentes viajou para o Rio de Janeiro. Neste momento, contudo, o movimento havia sido denunciado por um participante e ele escondeu-se na casa de um amigo, onde foi encontrado e preso.

A Inconfidência Mineira (ou Conjuração Mineira) foi articulada por contratadores que temiam a cobrança das dívidas, a Derrama. Tratava-se de um ato do governo português, onde todos aqueles que tinham débitos com a Coroa deviam acertar suas contas ou teriam seus bens confiscados. Desta forma, os contratadores que tinham dívidas com Portugal se reuniram e buscaram uma solução para impedir esta ação.

Assim, durante as reuniões, foi decidido que o melhor meio para evitar os abusos de autoridade era transformar Minas Gerais numa república independente de Portugal. Não seria nada de novo, pois naquele momento estavam circulando as ideias iluministas que pregavam a igualdade entre os povos. Igualmente, os Estados Unidos tinham conseguido se emancipar da Inglaterra, em 1774, justamente por se recusarem a pagar mais impostos.

O grupo de conspiradores era composto pela aristocracia mineira e entre eles havia coronéis, poetas e advogados, que traçavam planos para tomar o controle da Capitania de Minas Gerais e abolir as taxas impostas pela coroa portuguesa. Em 1789, entretanto, o movimento foi delatado por um dos seus membros, Joaquim Silvério dos Reis. Em troca, ele pediu o perdão de suas próprias dívidas e benefícios para sua família.

As autoridades suspenderam a Derrama, passaram a perseguir os participantes e estes foram presos e julgados. Os bens de Tiradentes foram confiscados, sua casa queimada e a terra salgada - tornando-a imprópria para o cultivo -, castigo comum que a Coroa portuguesa destinava aos condenados por traição.

Tiradentes foi sentenciado por traição contra a rainha, condenado à forca e executado no dia 21 de abril de 1792, no campo da Lampadosa, no Rio de Janeiro. Além disso, foi esquartejado e partes do seu corpo expostas na estrada que conectava o Rio de Janeiro a Minas Gerais.

Desde o golpe da República em 15 de novembro de 1889, Tiradentes foi transformado em herói nacional. Afinal, ele era o homem perfeito para simbolizar a luta contra a monarquia que acabava de ser derrubada.

Deste modo, a cidade onde ele nasceu em Minas Gerais, a Vila de São José, mudou seu nome já em 3 de dezembro de 1889. No ano seguinte, o campo da Lampadosa, onde ele havia sido executado, recebeu o nome de Praça Tiradentes.

Mais tarde, em 9 de dezembro de 1965, no governo do general Castelo Branco, recebeu o título de patrono cívico da nação brasileira. No período do governo militar, Tiradentes era retratado com barbas e cabelos compridos, à semelhança de Jesus Cristo. Curiosamente sempre levava a forca ao pescoço de modo a lembrar do preço que pagou por contestar a ordem vigente.

Atualmente, a figura de Tiradentes como líder do movimento tem sido questionada por muitos estudiosos. Ele teria sido apontado como o dirigente máximo da revolta pelos outros envolvidos, pois estes buscavam se livrar de suas responsabilidades.
 
Tiradentes teve uma grande importância na construção da imagem do Brasil que temos na sociedade contemporânea com todo o movimento e ideologias ajudou nas outras formas de evoluçao do pensamento do povo daquela epoca.   

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