04/06/2021 às 01h29min - Atualizada em 04/06/2021 às 00h17min

Tal pai, tal filho: herdeiro da Casas Bahia em supostas denúncias de estupro

De acordo com relatos colhidos com mais de 30 vítimas, há características semelhantes entre os crimes cometidos por pai e filho

Vanessa Dall Alba Zunachi Sales - Editor: Ronerson Pinheiro
Foto: Saul Klein é acusado de diversos crimes, assim como o pai Samuel Kein - Reprodução: Folha/Uol


 
Dono de uma das maiores redes varejistas do Brasil, Samuel Klein ficou conhecido com o “rei do varejo. Contudo, o poder empresarial escondia um lado obscuro. Por vários anos, Klein mantinha um esquema de exploração sexual de menores em propriedades, como em São Caetano do Sul, região do ABC Paulista e Angra dos Reis, litoral Sul do Rio de Janeiro.
 
E como se fosse herança passada de geração em geração, agora é a vez de Saul Klein - filho de Samuel Klein, ele é acusado de cometer diversos estupros contra mulheres. De acordo com relatos colhidos com mais de 30 vítimas, há características semelhantes entre os crimes cometidos por pai e filho.
 
Dinheiro, prazer e presentes
 
Segundo relatos de Karina Lopes Carvalhal, uma das vítimas de Samuel Klein, ela soube por meio de suas irmãs que o empresário oferecia presentes e dinheiro para que as meninas fossem até a sede de seu escritório em São Caetano do Sul. 
 
Karina lembra que na época, com 9 anos, foi até Samuel, para que o mesmo lhe desse um par de tênis novos. “Minha irmã tinha me dito que não era para me assustar caso Klein viesse me dar um ‘beijinho, e que era para retribuir,” cita Karina. Contudo, Samuel além de beijá-la, passou as mãos em seus seios e dizia que ela era muito linda. Segundo ela, ao sair dali se sentiu aliviada e levando consigo uma quantia e um par de tênis Bical. 
 
Outras visitas foram feitas por Karina a Samuel. “O rei do varejo” a levava para um “quartinho” dentro de seu escritório onde aconteciam os atos. Karina disse que os abusos aconteceram entre 1989 e 2000. “Uma criança que sofre abusos, perde a infância, perde os estudos, além de ficar sem chão e não saber o que esperar do futuro.”, conta Karina. Depois de sofrer diversos abusos por parte de Klein, Karina abandonou a escola, foi para as ruas e se envolveu com o mundo do crack.
 
As vítimas de Klein
 
Karina não foi a única vítima de Samuel Klein. Além dela, cerca de 35 pessoas acusaram o empresário por diversos crimes de conotação sexual. Onde também, entre os anos de 1989 e 2010, Klein vinha mantendo uma rotina de abusos contra menores de 9 a 17 anos. 
 
Para as suas festinhas e orgias, Samuel tinha uma equipe responsável em aliciar e fazer o transporte de suas vítimas até os locais para encontros com o empresário. Sendo usado até mesmo um helicóptero para esse fim. Como forma de acobertar os crimes de exploração sexual, as meninas e suas famílias recebiam quantias, além de produtos das próprias lojas Casas Bahia. 
 
Tal pai, tal filho: Saul Klein, filho do magnata das Casas Bahia, segue os mesmos passos do pai 
 
Os casos de pedofilia praticados por Samuel Klein só vieram à tona, após denúncias feitas pelo Ministério Público contra seu filho Saul Klein.
Conhecido como um dos maiores patrocinadores do futebol paulista, Saul Klein chegou a disputar as eleições municipais do grande ABC. Além disso, possui imóveis de alto luxo nos principais condomínios de São Paulo.
 
Beleza e cachês altos 
 
A equipe responsável por aliciar as vítimas para o herdeiro das Casas Bahia, sempre escolhiam mulheres com boa aparência, de pele clara e menores de idade.
 
Para que os convites fossem atrativos, a equipe ofertava altos cachês, ou seja, seriam pagos por semana cerca de três ou cinco mil reais, além de presentes e cuidados médicos e estéticos. 
 
As vítimas escolhidas não podiam ter qualquer convivência com outros moradores do condomínio onde Saul organizava suas festinhas. Além disso, eram submetidas a controle de peso, aulas de balé e canto e que se vestissem com roupas totalmente sensuais.
 
Saul vem sendo investigado por crimes sexuais contra mais de trinta mulheres. Contudo, diferente de seu pai, todas as possíveis vítimas são maiores de idade, conforme relata um de seus funcionários. “As meninas eram proibidas de ter qualquer contato e até mesmo envolvimento com alguma pessoa fora dali. Uma das meninas me disse que foi obrigada a realizar sexo anal com Saul, mesmo ela não querendo.”, disse um dos funcionários de Saul Klein, que não quis se identificar. Segundo ele, era comum que algumas meninas saíssem do quarto de Saul, chorando e até machucadas. 



Editora-chefe: Lavínia Carvalho. 
 

 
 

 









 
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