02/07/2021 às 12h33min - Atualizada em 02/07/2021 às 12h34min

Músico relata desvalorização do trabalho artístico durante festejos juninos na pandemia

Cenário da Covid-19 fez músicos ganharem menos e se adaptarem às redes sociais

Raphaella Teles - Revisado por Isabela dos Santos
Segundo ano sem São João no Nordeste gera impacto na economia - Foto: Governo de Sergipe/Reprodução

O final do mês de junho chegou e a nostalgia já começa a aparecer, já que o mês é marcado por pura tradição, sendo a época em que se comemora os festejos juninos: São João, o São Pedro e o Santo Antônio.  Sabemos que a tradição sofreu alterações ao longo dos anos, as raízes se cultivam em arraias grandes nas cidades, deixando de ter alguns dos traços que regiam os festejos. Mas, não é incomum nessa época encontrar os ambientes decorados de bandeirinhas coloridas e balões, além do som dos traques, bombinhas e rojões nas regiões com menor movimento urbano. 
 

Existem locais em que as famílias que ainda cultivam a tradição, nas canjicas e o mungunzá preparados minutos antes do festejo começar, no milho assado na brasa da fogueira e no forró pé de serra tocado durante o dia. E o que falar do forró? Ele é capaz de juntar diferentes costumes, gostos e sensações, tanto para quem escuta, quanto para quem toca e canta. 


É fato que durante a pandemia os festejos juninos não se deram do mesmo jeito que costumavam acontecer. O vírus, a restrição nos locais e o distanciamento social impediram que a comemoração ocorresse da mesma forma.  Todavia, assim como diversos âmbitos da sociedade precisaram se adaptar ao atual momento e até mesmo se reinventar, as comemorações também passaram por esse processo.

“Não deixamos de fazer as comemorações e de trabalhar músicas juninas, mas tem sido muito diferente em função da situação que nós vivemos. Não nos apresentamos fisicamente, apenas utilizamos as ferramentas hoje disponíveis na internet, aplicativos, um trabalho mais virtual”, afirma João César, cantor e compositor sergipano da banda Sena e o Forró da Roça. Mesmo diante de um cenário pandêmico e desafiador, os músicos não deixaram de dar o melhor para o público, embora o retorno financeiro não seja equivalente ao trabalho. 

Desvalorização durante os festejos juninos  

As comemorações juninas são ainda mais importantes para os estados do Nordeste, visto que possui uma ligação direta com a economia da região. Uma pesquisa realizada pelo Ministério do Turismo, mostrou que o aumento do movimento de moradores locais e turistas durante os meses de junho e julho fomenta o comércio e proporcionam empregos antes, durante e depois dos festejos juninos. Contudo, como o vírus da Covid-19 ainda é presente significativamente no território brasileiro, as festas juninas e viagens não podem acontecer da forma tradicional. Isso impacta também a economia, já que no Brasil a economia relacionada às festas de São João terá prejuízo em cerca de R$1,5 bilhões. Especificamente no Nordeste a perda gira em torno de R$ $950 milhões, conforme o Ministério do Turismo.
 

Os músicos também sentem o impacto na economia diante da pandemia. “A maior dificuldade é realmente a questão da valorização. A valorização ficou,realmente, muito a desejar do que a gente fazia na realidade. Os valores caíram estupidamente, o valor do trio pé de serra que nós comprávamos na faixa de R$ 6 mil, o pessoal hoje contata através de uma live, querendo pagar no máximo R$ 1 mil. Até porque o trabalho não é presencial”, relata Sena.


Entretanto, o trabalho e a dedicação dos músicos são fatores não levados em consideração, já que eles precisaram se adaptar às ferramentas virtuais, além de construir um cenário para ser utilizado no formato virtual e a necessidade de aprender e se desdobrar diante das ferramentas digitais. 

 

 
 

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