01/08/2021 às 16h02min - Atualizada em 02/08/2021 às 15h00min

Skate no Brasil: da marginalização até as medalhas nas Olimpíadas de Tóquio 2020

Brasileiros comemoram a vitória de Rayssa Leal e Kelvin Hoefler e esporte ganha ainda mais força

Mariana Siqueira - revisado por Jonathan Rosa
Os ganhadores das medalhas de prata na modalidade street das Olimpíadas de Tóquio 2020. (Foto/Reprodução: Instagram @Kelvin Hoefler e @Rayssa Leal)

A estreia do skate como modalidade nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, e a comemoração pelas duas medalhas de prata que Rayssa Leal e Kelvin Hoefler ganharam na modalidade street, levaram muitos brasileiros a voltarem os olhos para o esporte. Porém, nem sempre foi assim, a história do skate no Brasil passou por diversas fases conturbadas e repletas de julgamentos. Muitos viam a atividade como algo marginalizado, que chegou até a ser proibido no país.

O ínicio da jornada

O skate chegou às ruas do Brasil na década de 60, e foi no estado do Rio de Janeiro que surfistas começaram a praticar o esporte, que até então era denominado de “surfe de asfalto" ou "surfinho". Na eṕoca, para conseguirem praticar a atividade, muitos utilizavam apenas eixos de patins com rodas de borracha ou ferro que eram fixadas em madeiras.

Já nos anos 70, a modalidade começou a se popularizar entre os jovens e mais pessoas passaram a se interessar na prática. Como resultado em 1976, foi inaugurada em Nova Iguaçu (RJ) a primeira pista de skate da América Latina. Além disso, outro ponto crucial durante a trajetória, foi o surgimento de uma nova forma de praticar o esporte: o street skate, conhecido por ser um estilo mais livre e sem a necessidade de pistas específicas.

Proibição e aceitação

Na década de 80, as marquises do Parque do Ibirapuera (SP) viraram um dos locais preferidos dos skatistas, porém em 1988, o então prefeito Jânio Quadros (1917-1992) proibiu que o esporte fosse praticado no parque. Após uma série de protestos contra essa decisão de não poder andar de Skate, Quadros foi mais além e assinou um decreto que proibiu oficialmente a circulação de skatistas em toda cidade de São Paulo.

Somente no ano seguinte, com a eleição da prefeita Luiza Erundina (PSOL), ocorreu a revogação da lei e a circulação de skatistas passou a ser liberada novamente. Na época essa foi uma decisão muito importante e fez com que o skate passasse a ser menos marginalizado. Entre os anos 90 e 2000, pode-se dizer, que ocorreu o maior “boom” do skate no país, e principalmente o street passou a se tornar ainda mais popular, visto que, não era mais preciso praticar o esporte somente em pistas. 

Além disso, a mídia e os meios de comunicação passaram a tratar e divulgar o skate com maior naturalidade, passando assim a ter mais presença nos programas de TV, cinema e até mesmo em videogames. Foi nessa mesma época que o Chorão, vocalista da banda Charlie Brown Jr, se tornou uma figura de extrema importância, pois utilizava suas músicas e clipes para demonstrar sua paixão pelo skate.

Outro marco que ajudou na popularização e principalmente na profissionalização do skate no Brasil foi a criação da Confederação Brasileira de Skate (CBSk) em 1999. Hoje em dia já são dez federações e cinco associações filiadas em 11 estados. 

Atualmente, o skatista brasileiro Robert Dean Silva Burnquist, ou mais conhecido como Bob Burnquist, é o maior vencedor do evento X Games (olimpíadas dos esportes radicais) e soma ao todo 30 medalhas, sendo 14 de ouro, 8 de prata e 8 de bronze. Ele se tornou um símbolo no esporte e principalmente para os brasileiros.

A chegada do skate nas Olimpíadas

Após o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciar que o skate estaria participando como uma modalidade esportiva nos Jogos Olímpicos de 2020, muitas pessoas comemoraram o feito. Isso porque seria uma forma de divulgar o esporte e fazer com que nomes do mundo todo pudessem ter a oportunidade de se destacarem, e foi o que aconteceu com os medalhistas brasileiros, Rayssa Leal e Kelvin Hoefler. 

Rayssa Leal, ou mais conhecida como Fadinha, tem apenas 13 anos e já se tornou a medalhista olímpica mais jovem do Brasil. Ficou conhecida no país em 2015, quando seu vídeo andando de skate tentando fazer uma manobra viralizou na internet e encantou o público. Para ela, sua inspiração sempre foi a skatista brasileira Leticia Bufoni, um dos maiores nomes femininos da modalidade.

Kelvin, com seus 27 anos e nascido no Guarujá, conquistou sua primeira medalha de prata, e ficou atrás apenas de Yuto Horigome. Logo após a vitória, em entrevista, afirmou que acredita que a marginalização do skate é coisa do passado. "Já foi muito marginalizado, mas acredito que há um bom tempo não está sendo. Eu vivo de skate há mais de 15 anos e já faz um tempo que essa fama acabou...", declarou o atleta.

A estreia do skate nas Olimpíadas, está sendo um grande sucesso, trouxe recorde de audiências na TV nos dias de disputa e também uma repercussão muito grande nas redes sociais. O interesse alto dos brasileiros pela modalidade pode abrir portas para o esporte ganhar cada vez mais força e incentivo no país. 


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