08/10/2021 às 22h58min - Atualizada em 08/10/2021 às 23h03min

Qual é o impacto dos doramas na Geração Z?

Em uma era digital onde o individualismo reina, uma cultura que abrange assuntos de suma importância merece mais reconhecimento

Anne Santos - Editado por Fernanda Simplicio
Fonte : Netflix \ Reprodução : Google
O ano é 2021, século XXI, mais pessoas têm acesso à informação, comunicação e à cultura; uma das culturas mais crescentes é a pop. O encantamento pela cultura asiática perdura há décadas mundialmente por conta dos animes, entretanto, os doramas estão ganhando cada vez mais potência — em especial, no Brasil. 
Se os millennials já vêm gerando impactos no mundo por conta da tecnologia, a geração Z  chegou para “causar” ainda mais. Verdadeiros nativos digitais, já que vieram ao mundo em meio à consolidação da era digital. Seriam eles os maiores causadores da crescente cultura dos dramas asiáticos? A resposta para esta pergunta é simples e rápida: sim! 
Antes de abordarmos os impactos desta cultura na gen Z, vamos à algumas explicações para quem ainda é leigo no assunto. 

O que é a Geração Z? 

A Geração Z (também conhecida por Gen Z, iGeneration, Plurais ou Centennial) corresponde aos nascidos a partir de 1995 até aproximadamente 2010, que são a transição do século XX para o século XXI. Ela é constituída pelas pessoas que nasceram durante o advento da internet e do crescimento das novas tecnologias digitais, como smartphones, videogames e computadores mais velozes, por exemplo.

O que é dorama?

Dorama faz referência à pronúncia da palavra "drama" em japonês. O tipo de produção não pertence a um país específico, mas há uma grande produção dessas séries na Coreia do Sul, Japão, China e Tailândia.
No Brasil, ao falar de um drama, é comum especificar o seu país de origem. De acordo com Manu Gerino, youtuber e dorameira entrevistada em uma das referências a este artigo, para as palavras drama ou dorama, deve-se especificar como dorama coreano, chinês, japonês, taiwanês, assim por diante. Se você usa o termo "k-drama", o correto é "c-drama", "j-drama", "tw-drama". A lógica só não se aplica às novelas/séries da Tailândia, pois o país tem uma palavra própria para suas produções, a lakorn.
Dadas as explicações, vamos retomar o assunto que realmente interessa: qual é o impacto dos doramas na gen Z
Em primeiro lugar, é necessário ressaltar a estratégia atrativa da Netflix ao inserir ídolos da cultura asiática na trama de suas séries originais em seu vasto catálogo — o que acaba conquistando ainda mais o público, principalmente os amantes do k-pop. Havendo ciência disso, precisamos salientar outro fato importante, que é o preconceito contra os kpoppers e dorameiros. Pode parecer até um tanto antiquado falar sobre este tipo de preconceito em pleno século 21, mas ainda há pessoas que adoram fazer certo tipo de chacota quando alguém de seu círculo social, ou não, dizem gostar de doramas e k-pop. Não apenas por ser “coisa de adolescente”, como também por conta da cultura asiática propriamente dita, que padece por discriminação, aversão e xenofobia diariamente, porém, este é um assunto para outra pauta. 
Muitas pessoas acreditam que as produções asiáticas são consumidas apenas por adolescentes, afirmando que todo o seu público é infantil. Vale salientar que tudo chega nas mãos do adolescente em primeira mão, já que eles estão sempre antenados, porém, esse público perde o interesse muito rápido, a internet está em suas mãos e nada os impede de buscar por novidades. 
Mesmo o público juvenil sendo o primeiro a ter esse contato, a internet possibilita que qualquer pessoa, seja criança ou adulto, tenha acesso a conteúdos de outros países. Não há mais barreiras para a arte, conhecimento, filmes, livros, músicas, séries ou qualquer outro conteúdo, tudo está ao alcance de todos. 
Graças à Netflix (um dos streaming que têm investido pesado nos k-dramas), mais pessoas podem ter acesso a essa cultura. Os doramas não se limitam só à comédias românticas e clichês, mas também alcança uma população em massa ao apresentar discussões sociais sem vulgarizar e sempre com muita responsabilidade. Violência, bullying, corrupção, doenças mentais, sexismo, vingança, depressão, suicídio, abandono afetivo e parental, relacionamento homoafetivo, feminismo e muitos outros, são abordados em diversos títulos, estimulando de maneira positiva essa geração (gen Z) que é titulada como individualista. 
Por conta disto, impulsionam-os a serem seres empáticos e de mente aberta, que pensam fora da caixinha, mais questionadores e que não se intimidam ao expor seus pensamentos e opiniões; uma geração menos preconceituosa, com interesse em aprender sobre diversas causas e culturas. Além disso, os doramas carregam grandes lições para a vida, geram debates, fazem o indivíduo refletir em determinado assunto com uma maior sensibilidade, alguns geram conflitos internos, é verdade, mas é apenas com o intuito de crescimento espiritual e mental. 
Abaixo, alguns exemplos serão citados (todos disponíveis na Netflix): 

Switched (2018)

Baseado no mangá, essa história fala sobre Ayumi (Kaya Kiyohara), uma garota alegre que tem uma boa vida e um namorado perfeito. Mas sua invejosa colega Zenko (Miu Tomita) descobre como trocar de corpo e roubar todas as coisas boas dela. A série trata de questões importantes como traumas, raiva, bullying e consequências do excesso de popularidade.

Strong Girl Bong-soon (2017)

Bong-soon (Park Bo-young) é uma garota com extrema força física. A aptidão dela desperta a atenção de Ahn Min Hyuk (Park Hyung-sik), um dono de empresa de jogos. Além da temática de games e tecnologia, temas como violência contra a mulher e poder feminino.

Love Alarm (2019)

Love Alarm tem uma pegada futurista. A história é baseada em webtoons e fala sobre um aplicativo de celular cuja função é mostrar quem te ama em um raio de 10 metros. Conhecemos Kim JoJo (Kim So-hyun), uma menina batalhadora que usa o aplicativo e se envolve em um triângulo amoroso. Muito mais do que romance, Love Alarm alerta sobre as possíveis consequências dessa tecnologia, solidão e traumas.

Em uma era digital onde tudo é tão superficial e individualista, ter algo que incentiva a aceitação, que instrui sobre identificar relacionamentos tóxicos e abusivos, retrata tão bem a depressão e orienta a melhor forma de lidar com a doença, é muito necessário. Os Doramas merecem mais reconhecimento, por conta de todo o impacto positivo que geram na geração do futuro. 

 
REFERÊNCIAS:
FIGUEIRÓ, Ana Paula. “Doramas: uma cultura diferente a ser assistida”.
LAB DICAS JORNALISMO. Disponível em: < https://labdicasjornalismo.com/noticia/779/doramas-uma-cultura-diferente-a-ser-assistida >. Acesso em: 5 de out. de 2021. 
 
SILVA, Thamires. “A cultura dos doramas na Netflix”. LAB DICAS JORNALISMO. Disponível em: <https://labdicasjornalismo.com/noticia/730/a-cultura-dos-doramas-na-netflix > Acesso em: 5 de out. de 2021. 
 
TORRES, Evellyn. “Consumo de doramas no Brasil cresce na pandemia e país é o terceiro no ranking”. LAB DICAS JORNALISMO. Disponível em: <https://labdicasjornalismo.com/noticia/8746/consumo-de-doramas-no-brasil-cresce-na-pandemia-e-pais-e-o-terceiro-no-ranking > Acesso em: 5 de out. de 2021. 
 

REGINA, Thaís. “15 doramas da Netflix para você conhecer e maratonar”. DICAS DE MULHER. Disponível em: <https://www.dicasdemulher.com.br/dorama/ > Acesso em: 5 de out. de 2021.


 
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