22/11/2021 às 00h00min - Atualizada em 22/11/2021 às 00h01min

Empreendedorismo Feminino é comemorado em dia especial de novembro

Entenda qual a importância das mulheres empreendedoras na sociedade

Nicole Duarte - Editado por Júlio Sousa
Associação Comercial e Empresarial de Dourados
Hoje em dia é comum ver mulheres empreendendo e comandando seus próprios negócios. O que muita gente não sabe é que existe um dia específico em homenagem a essas mulheres, o dia 19 de novembro. Mas de onde surgiu essa ideia? É o que você vai descobrir agora.

A data foi criada em 2014 pela Organização das Nações Unidas (ONU) em uma iniciativa liderada pela ONU Mulheres, que ficou a cargo de reunir mais de 150 países, empresas e instituições em busca de apoio a esse público e contra a desigualdade salarial no ambiente corporativo.

Segundo dados do Sebrae e da Pesquisa Global Entrepreneurship Monitor 2020 (GEM), o Brasil é o sétimo país com o maior número de mulheres empreendedoras no mundo. Dos 52 milhões de empreendedores no país, 30 milhões (48%) são mulheres.

A pandemia despertou uma nova leva de empreendedoras no país. Dados da RME mostram que o número de empresárias aumentou 40% no último ano. De todas as donas de pequenos e médios negócios do país, cerca de 26% abriram suas empresas já durante a pandemia.


Além disso, a busca por equidade de gênero e equiparação salarial faz parte de uma longa jornada na trajetória profissional de mulheres em todo o mundo. Segundo o Fórum Econômico Mundial (FMI), serão necessários 136 anos para que a igualdade entre homens e mulheres seja alcançada globalmente. Por isso é importante apoiar o empreendedorismo feminino, a fim de estimular cada vez mais a equidade salarial entre os gêneros.

Pensando especialmente nessa data,  duas empreendedoras que criaram seus negócios em tempo de pandemia trouxeram suas contribuições sobre o tema. Confira as entrevistas abaixo:

Mayara Nascimento (@fofono_store):






Mayara tem 30 anos, mãe de três filhos e é dona da loja virtual de roupas de bebê @fofonho_store.

Nicole: Como e quando tudo começou?

May: 
Eu abri a Fofonho_store depois de meses sem conseguir receber meu auxílio maternidade. Dei entrada em abril só vim receber em outubro. Ciente de que o dinheiro não ia durar,  e não desejando colocar meu bebê em uma creche tão cedo, tive a ideia da loja baseada nele. O sonho nasceu diante da forma que gosto de vestir meu bebê, e da dificuldade em encontrar os artigos que gosto para ele. Também por acreditar que dá para vestir o bebê bem, sem gastar tanto.

Nicole: Quais as maiores dificuldades que você enfrentou por ser mulher nesse caminho do empreendedorismo? E como esse trabalho impactou na sua vida?

May: Trabalhar em casa não é fácil. Apesar do conforto, ainda mais com um bebê, intercalo os cuidados com ele, com a casa, marido e a faculdade em ead. As vezes é  tranquilo, as vezes não. Paro mil vezes para atendê-lo, e por mim tudo bem, se não fosse por ele não teria a Fofonho também. As dificuldades que encontrei acredito que sejam as mesmas dos empreendedores que estão começando e não têm experiência. Calculamos o produto mas certas coisas aprendemos na prática, e eu ainda estou aprendendo...Tem o marketing, a logística, o público alvo, graças à faculdade estudei algumas coisas, mas na prática é diferente. São muitos custos que não calculamos, a ansiedade em gerar renda, a necessidade em atender bem, em ganhar visibilidade. Todos os dias aprendo algo novo também.

Nicole: Como você define que sua marca chegou ao sucesso? (De acordo com suas crenças, medidas e metas). Você acha que já alcançou?

May: Minha definição de sucesso é paz e liberdade. A loja é nova, estamos caminhando devagar, mas está sendo incrível a experiência.  Atendo cada cliente com carinho, assim como embalo e envio cada produto. As embalagens são personalizadas à mão e faço questão de cuidar de tudo, desde as redes sociais, as embalagens, os brindes, perfumar as peças antes de entregar. Atender, receber bons feedbacks, ter um bom relacionamento com meus fornecedores me faz acreditar que estou no caminho certo.

Nicole: Quais planejamentos futuros para a sua loja?

May: Para o futuro espero conseguir abrir a loja física, com um espaço para as crianças brincarem enquanto as mães escolhem seus produtos com calma. Uma loja bem colorida e divertida, mas com preços acessíveis. Hoje eu posso comprar o que quero para meus filhos, mas quando fui mãe aos 15 anos eu não podia. Toda mãe quer oferecer coisas boas aos filhos, não só material, mas deseja o melhor pro seu filho.

Nicole: Você tem alguma inspiração de mulher empreendedora? Se sim, qual(ais)?

May: As minhas maiores referências de mulheres na minha vida sao minha avó Iracema e minha tia Maris. Meus pais são falecidos, fui criada por elas desde 1 ano de idade, fui criada por duas mulheres que fizeram acontecer com ou sem homem. Mulheres que nem sempre puderam me dar o que eu queria, mas sempre me deram o que eu precisava. Na infância minha tia me dava livros, e aí surgiu meu amor pela leitura, graças a ela, me incentivando sem saber, hoje curso Jornalismo, minha avó é uma mulher que teve que ser muito forte na vida, ficou viúva cedo, criou os filhos, eu como neta, bisneta, nunca vi essa mulher chorar, e se um dia isso acontecer eu vou chorar também. As mulheres da minha casa rejeitam a palavra 'não sei' e 'não posso', elas apenas fazem acontecer, se não sabem fazer aprendem e fazem, desistir nunca foi me ensinado. Minha tia, cabeleireira, levantou uma casa na força do próprio braço dela, minha avó aos 87 anos tem mais energia que eu. É uma vergonha pra mim pensar em desistir de algo, tendo elas como exemplo.

Nicole: Qual sua maior referência feminina famosa?

May: sobre referência  famosa, a Elaine, advogada, esposa do Mano Brown que cuida e gerencia a Boogie Naipe (que é o álbum de estreia do rapper Mano Brown, o álbum foi lançado 2016 e contém 22 faixas).


Mariana Maciel (@bagunçadefesta):





Mariana tem 23 anos, é mãe e administra seu negócio enquanto concilia os outros dois empregos, é responsável pela @bagunçadefesta, uma papelaria criativa que, dentre muitas outras coisas, cria mimos exclusivos a gosto do cliente.

Nicole: 
Como e quando tudo começou?

Mari: A pandemia foi o momento da gente se reinventar, e o Bagunça de Festa nasceu nesse caos. Eu tenho amigas, que são boleiras, que estavam impossibilitadas de sair de casa por conta da pandemia e precisavam de material de qualidade e com um preço bom, e aqui na comunidade não tinha.

Nicole: Quais as maiores dificuldades que você enfrentou por ser mulher nesse caminho do empreendedorismo?

Mari: A área da personalização de papelaria é de protagonismo feminino, e isso me deixa muito confortável. Pra mim, o mais difícil é ter que administrar empresa, família, e os outros dois empregos.

Nicole: Como esse trabalho impactou na sua vida e como você acha que impacta a sociedade?

Mari:  A Bagunça de Festa nasceu num período onde não podia se abraçar, estar perto, e precisava criar uma nova forma de cuidar. Então quando eu fazia uma "Caixa Explosão" de feliz aniversário, eu estava fazendo de uma pessoa para outra que não podiam estar perto, e a forma dela celebrar esse aniversário, era com essa caixa, com o bolo que estava dentro, eu estava ajudando as pessoas a celebrarem a vida no período que estava tudo um caos. E que as poucas pessoas que tinham naquelas casas precisavam celebrar a vida que ainda permanecia. Eu estou participando desses momentos, é desse jeito que eu impacto na sociedade, quando eu recebo um feedback, ou uma foto, é muito legal saber que essas pessoas estavam celebrando em meio a tantas dificuldades que a gente já estava passando, e que esses momentos eram precisos para nos deixar mais fortes. Quando eu imprimo as fotos polaroids, eu vejo momentos significativos na vida das pessoas, que elas querem eternizar daquela forma, e isso pra mim é muito significante.

Nicole: Como você define que sua marca chegou ao sucesso? (De acordo com suas crenças, medidas e metas). Você acha que já alcançou?

Mari: A empresa tem pouco tempo, e a gente está caminhando pra isso, a gente tá bem longe na verdade. O sucesso é consequência do esforço, e a gente tá aqui lutando. Eu acredito que o sucesso vem a partir do momento que eu estou ajudando o outro, assim eu alcanço o sucesso, fazendo com que outras pessoas cresçam também. Também quero adotar medidas mais conscientes, mas isso precisa de tempo. Quero tomar os cuidados necessários para ajudar o meio ambiente, com produtos que tenham uma durabilidade maior, que o tempo de decomposição não seja tão grande, e que possa ser útil na vida das pessoas, e não só papéis que sejam jogados fora. O sucesso que eu almejo pro Bagunça de Festa é fazer materiais que tenham uma durabilidade boa, que seja útil na vida das pessoas e que a gente possa ajudar outras pessoas a crescer também, que tenha impacto na vida das pessoas e cuidar do planeta e da matéria prima, que é tão difícil e escassa.

Nicole: Quais planejamentos futuros para a sua loja?

Mari: Oficializar a loja é o que a gente mais quer agora, ter a nossa loja física, que seja a nossa cara, ter pessoas ao nosso lado pra trabalhar junto conosco, estreitar vínculos com pessoas que já fazem esse trabalho, conhecer mais gente da nossa área, fazer com que a empresa tenha contatos, e trazer mais engajamento nas nossas redes sociais, porque a correria não deixa a gente ser tão presente e queremos melhorar em relação a isso.

Nicole: Você tem alguma inspiração de mulher empreendedora? Se sim, qual(ais)?

Mari: Hoje, as minhas maiores referências são: Nathalia Arcuri, é maravilhoso como ela propõe mostrar o conteúdo de finanças e eu acho magnífico como ela conseguiu deixar a "Me Poupe!" do tamanho que é hoje. E a outra é Thiara Ney, que trabalha nessa área de papelaria, hoje ela é o nome da marca dela, tem uma bagagem imensa de conteúdo dessa área, é patrocinada por empresas que trabalham com a nossa demanda, e cria produtos pra eles, e do jeito dela, isso que é o mais legal. O que eu mais gosto nessas duas referências é que cada uma tem um jeito próprio de fazer com que o conteúdo delas cresçam, do jeitinho que elas são.

Apoiar o empreendedorismo feminino é importante para melhorar a empregabilidade e os rendimentos das mulheres para que elas ganhem independência e protagonismo. De acordo com a RME (a primeira e maior rede de apoio ao empreendedorismo feminino do Brasil), para 38% das mulheres, a principal renda familiar vem do próprio negócio.

 

"Uma garota deve ser duas coisas: quem e o que ela quiser". De Coco Chanel, estilista francesa e fundadora da marca Chanel S.A., a única estilista que aparece na lista das 100 pessoas mais importantes da história do século XX da revista Time.


 
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