17/04/2022 às 13h12min - Atualizada em 17/04/2022 às 13h03min

‘’Quero trancar a faculdade, e agora?’’ O que será que passa na cabeça dos jovens até chegarem nessa decisão?

Um evento que ocorre desde sempre se agravou nos últimos anos por conta do EAD e dos desafios pandêmicos

Maria Eduarda Macedo da Rocha - Editado por Andrieli Torres
Foto: Reprodução
Falta de tempo, dinheiro ou mesmo a não identificação com o curso em que está matriculado, são os principais motivos que fazem as pessoas trancarem a faculdade. De um lado, encontramos jovens geralmente pressionados psicologicamente por influências externas, de outro, temos adultos que somente tiveram a oportunidade de estudar o que queriam mais tardiamente, e que pela rotina não conseguem manter os estudos.

O ato de trancar a faculdade não surge unicamente na tomada da decisão. Afetados pelo reflexo de um ensino médio direcionado a obrigatoriedade da realização de um curso superior, muitos jovens fazem faculdade só para dizerem que estão fazendo, ou mesmo entram em cursos de renome, como Direito, Medicina e Engenharia, para satisfazer os padrões da sociedade. O que muitos não sabem, é que essas decisões precipitadas só deixam mais confusa a cabeça do indivíduo que está ingressando pra vida adulta.

Independentemente de qual seja o motivo, é notório que a decisão não é fácil. A grande evasão universitária que já vinha em alta desde 2020 (35%), como resultado da pandemia foi reafirmada em pesquisa da Secretaria de Modalidades Especializadas de Educação (Semesp), de que nesse ano de 2022 a situação não é das melhores,com aumento de 1,6% na taxa,são quase 3,5 milhões de alunos que evadiram das universidades (privadas).

Em pesquisa realizada pelo Lab Dicas com 12 jovens entre 18 e 25 anos, de instituições públicas e privadas de Aracaju (SE), foi possível perceber os principais motivos que ocasionaram a tentativa de trancamento da faculdade, o ato propriamente dito e em alguns casos, o que fez a pessoa desistir.

Houve predominância na tentativa de trancamento mas na permanência no curso por fatores que fizeram a pessoa repensar a sua escolha. Dada a permissão para identificação, o estudante de Psicologia da Universidade Tiradentes (Unit), Maurício Sávio, de 19 anos, relata que mais especificamente no terceiro período teve vontade de trancar por motivos pessoais que impactaram nos estudos todavia o que o fez continuar no curso foi ‘’o apoio dos meus amigos e um tempo para refletir sobre os problemas e lidar da melhor forma possível".

Não obstante, a Samara Oliveira,18 anos, estudante de Enfermagem da Unit, menciona que uma das principais dificuldades foi o ensino remoto:

‘’ As dificuldades da vida pessoal se aliaram às dificuldades de aprendizado no meio remoto/híbrido, tive uma experiência especialmente ruim na matéria de anatomia justamente por ser híbrida’’

No entanto, o gosto pelo curso conseguiu ser maior que a tomada de decisão, visto que, em contrapartida, o pensamento de obrigatoriedade ainda sim pairou pela sua cabeça:

‘’O que me fez continuar foi o entusiasmo e expectativa de trabalhar com algo que gosto e tenho interesse aliado ao senso de dever, de obrigação de ter que continuar a graduação[...]muito difícil encontrar emprego com graduação, quanto mais sem’’.

Alguns participantes preferiram não se identificarem, mas frisaram motivos semelhantes para a vontade de trancamento: o ensino remoto que dificultou bastante a absorção do conteúdo, a vontade de ‘’orgulhar’’ a família ou mesmo o financeiro, "o preço já não estava acessível e o curso perdeu valor pra mim".

Em compensação, os relatos de acolhimento por parte da família e amigos também foi significante, não só o Maurício, mas também a Marília Mengel, estudante de 20 anos de Jornalismo da Unit, diz que apoio dos pais foi crucial: "tive bastante apoio dos meus pais para continuar, esse foi um dos principais motivos para eu não ter desistido". Para a Evillen Fabina, estudante de 18 anos da Universidade Federal de Sergipe (UFS), o que a fez continuar, é que toda as vezes que ela vai para a faculdade a sua mãe fica orgulhosa.

Nota-se que o psicológico, mesmo que não seja o único motivo para a vontade de trancar o curso, consegue ser o que mais afeta na hora de ‘’bater o martelo’’, as pressões, o pensamento no futuro e a sensação de tornar-se um ‘’ninguém’’,pesam bastante.

Assim, para que o peso da responsabilidade seja amenizado, é interessante conversar com pessoas em que você confia, reorganizar sua rotina, tentar questionar-se sobre os seus gostos, o porquê de você estar matriculado naquele curso, mas acima de tudo, entender que essa situação acomete mais pessoas do que você imagina pois o pensamento de estar sozinho na situação é o mais comum.

 
 
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