16/08/2022 às 17h03min - Atualizada em 16/08/2022 às 16h51min

FIFA confirma anulação do “Clássico da Anvisa”, que ocorreria em setembro

Comissão técnica da seleção brasileira pediu o cancelamento do jogo e a CBF acatou; o resultado não afeta a campanha nas Eliminatórias

Maiara Montalvão Giudice Torres - labdicasjornalismo.com
Agentes da Anvisa e da Policia Federal entrando no gramado no jogo entre Brasil e Argentina. Foto: Amanda Perobelli
Nesta terça-feira, 16, a FIFA confirmou a anulação da partida entre a seleção brasileira e a Argentina, que seria realizada no dia 22 de setembro pelas Eliminatórias Sul-Americanas da Copa do Mundo deste ano no Qatar.
 
O clássico seria disputado no dia cinco de setembro do ano passado, na Neo Química Arena, em São Paulo. Mas foi interrompido por volta dos sete minutos do primeiro tempo por agentes da Anvisa e da Polícia Federal, que invadiram o gramado do estádio para retirar quatro jogadores argentinos que haviam violado regras sanitárias da COVID-19 do Brasil. O jogo ficou conhecido como “Clássico da Anvisa”. Desde então, o caso era discutido nos tribunais esportivos.
 
Os quatro jogadores - o goleiro Emiliano Martínez e o meia Emiliano Buendía, do Aston Villa; e o zagueiro Cristian Romero e o meia Giovani Lo Celso, do Tottenham - foram suspensos por dois jogos por descumprirem o protocolo da Fifa para a Covid-19 em partidas internacionais.
 
Em nota oficial, a CBF informou que o cancelamento do jogo era de desejo da comissão técnica pois “poderá ser prejudicial à preparação da seleção para a Copa do Mundo”, com “riscos de lesões, suspensões e boicote dos argentinos ao jogo, além de inviabilizar realizar um segundo jogo em setembro na América do Sul.”
 
“Não vou medir esforços para atender a comissão técnica. A nossa prioridade é conquistar o hexacampeonato no Catar. Se a partida não é recomendada pelo comando da seleção, vamos investir para que a partida não ocorra”, havia afirmado Ednaldo Rodrigues, presidente da CBF.
 
“Não é o fato de jogar contra a Argentina, ou não. É todo um planejamento. Temos que planejar antes, tem a logística de viagem. Isso não é de uma hora para outra (…)  Em relação ao jogo de setembro, ainda discutindo internamente e juntamente com a presidência”, disse Tite.
 
Um receio da comissão técnica é que um jogador pendurado poderia ser suspenso no primeiro jogo da Copa do Mundo, já que os cartões são cumulativos. Por isso, Alisson, Marquinhos, Thiago Silva, Fred, AntonyBruno Guimarães, RicharlisonLucas Paquetá ou Casemiro se tomasse cartão poderia não enfrentar a Sérvia na estreia.
A CBF também não sabia sobre a disponibilidade dos argentinos para a partida, principalmente depois de um jogo amistoso entre os rivais e a Austrália ser cancelado na véspera da partida. Era discutida a possibilidade de os argentinos chegarem com um time reserva para enfrentar o Brasil.
 
Então, as duas seleções entraram em acordo e retiraram o recurso em que pediam os pontos do jogo da Corte Arbitral do Esporte (CAS). O resultado não influenciaria em nosso resultado nas Eliminatórias, já que a seleção Canarinho termina de forma invicta, com 45 pontos em 17 jogos - seis a mais do que a seleção Argentina.
 
Tanto a CBF quanto a AFA receberam multas devido ao acontecimento: o Brasil pagará 300 mil francos suíços (R$ 1,624 milhão), enquanto os argentinos arcarão com R$ 812 mil. Segundo a nota oficial da CBF, metade da multa foi suspensa por um período probatório de dois anos. 50% da multa pagável "deverá ser doada diretamente à Organização Mundial da Saúde (OMS), em apoio aos seus esforços contínuos no combate à COVID-19". A AFA fará o mesmo procedimento.
 
Com o cancelamento, o Brasil abre espaço em seu calendário para mais alguns amistosos antes da Copa do Mundo do Qatar. Os adversários serão as seleções africanas Argélia e Tunísia, com jogos previstos para os dias 22 e 27 de setembro, ambos na Europa.

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