12/09/2022 às 13h37min - Atualizada em 12/09/2022 às 13h05min

O retorno de Demi Lovato ao rock

Em novo álbum, cantora norte-americana aposta novamente no gênero musical que a levou ao estrelato.

Giuliane Fagundes - Revisado por Flavia Sousa
Demi Lovato mudou o visual para a sua nova era musical. (Foto: Divulgação/Instagram)

O lançamento do oitavo álbum de Demi Lovato, em agosto deste ano, intitulado "Holy Fvck", marca a volta da cantora ao rock e suas origens, em gênero musical que foi responsável pelo sucesso no início de sua carreira. Envolvida em diversas polêmicas, através de canções maduras lideradas pelos acordes das guitarras, neste novo disco, ela aborda com sinceridade as imposições da sociedade, libertação, sexo, religião, amor e esperança. 

Demi cantava e atuava desde os sete anos em programas infantis do canal Disney Channel, responsável por lançá-la ao estrelato no filme ‘Camp Rock’, no entanto, em 2008, ‘Don’t Forget’ a introduziu como artista solo ao mundo da música. ‘La La Land'' e ‘Don’t Forget’, canção em que foi nomeado o álbum são os destaques deste disco, que através do ritmo agitado do rock com algumas baladas mais sensíveis, demonstrava uma jovem cantora que tentava lidar com o mundo da fama, ao mesmo tempo, em que encarava os desafios da adolescência. Nas canções do álbum seguinte, ‘Here We Go Again’, Demi é mais ousada, com composições ainda sensíveis, consideradas mais adultas do que o anterior.

Apesar da preferência pelo rock, Demi logo cedeu ao pop, gênero que estava em alta no momento e que rendia milhões à indústria musical com canções agitadas, batidas repetidas e também melódicas. O primeiro álbum do gênero foi ‘Unbroken’ em 2011, tornando-se responsável por emplacar a emocionante ‘Skyscraper’ e a balada ‘Give Your Heart a Break’, centralizando Demi como uma artista pop, que investiu em mais cinco álbuns registrando sua marca em canções melódicas e românticas.
 

Libertação e religião
 

Em ‘Holy Fvck’, Demi é sincera e escapa das algemas que ainda a prendiam ao passado, principalmente a sua imagem ligada à Disney, como um modelo a ser seguido pelos jovens e a sexualização que era imposta pela mídia. Em letras mais agressivas, como a música ‘Eat Me’, ela fala de uma versão sua que já está morta e que a nova versão não agradará aqueles que a admiravam pelo papel que ela representava perante a mídia e a sociedade, principalmente após declarar-se uma pessoa não-binária, que não se identifica como uma mulher ou um homem, gêneros determinados pela sociedade. Apenas recentemente, Demi declarou que aceita voltar a ser chamada pelos pronomes ‘Ela/Dela’, porém, ser tratada pelo pronome feminino, não faz com que a deixe de ser uma pessoa não-binária.
 

Não é apenas dos preconceitos que Demi traz sua sinceridade e libertação neste álbum, mas também sobre o sexo, tema em que a artista falava brevemente em suas músicas anteriores. Nesta obra, ela fala abertamente sobre suas experiências e desejos, mas também é polêmica, principalmente na capa do disco em que está amarrada em uma cruz e durante a canção ‘Heaven’, onde crítica sobre a bíblia considerar ser um pecado, a masturbação e a busca do prazer próprio, em que Demi se empodera e afirma não considerar tais ações um pecado. 


 

Fugindo das polêmicas, Demi também fala sobre a dualidade de sua fé, principalmente em ‘Feed’, em que há anjos e demônios dentro de si e ela escolhe os quais vai se alimentar ou quais escolhas vai fazer, em que há o embate entre o bem e o mal, o acreditar em Deus ou em outro ser, sem exigir de si um padrão a ser seguido. 

Leia mais em Demi Lovato: a dança com o demônio e a arte de recomeçar.


 

Sucesso e inspiração
 

Em "29",o mais novo single do álbum, Demi conta a história de um relacionamento entre uma adolescente de dezessete anos e um adulto de vinte e nove anos. Apesar de Lovato não citar nomes, os fãs deduziram que a canção é para o seu ex-namorado Wilmer Valderrama, ator que a conheceu quando a mesma ainda era uma adolescente e ele doze anos mais velho. Mesmo após anos do término da relação, aos chegar aos 29 anos, na música, Demi reflete o quão errada era a relação entre uma adolescente que lidava com os excessos da fama e diversas inseguranças e um homem adulto que a fez criar uma dependência emocional. Mais madura, Demi entende que a relação não era um sonho ou um gosto seu, mas sim de Wilmer, que tem um longo histórico de relacionamentos com mulheres mais novas. 
 

Performance ao vivo de '29' para a Vevo. (Reprodução: YouTube)



 

A música foi lançada alguns dias antes do lançamento do álbum e logo, tornou-se popular na internet pela mensagem intensa que passava e por diversas pessoas, principalmente mulheres, se identificarem com a canção. Vídeos com a canção começaram a ser postados na plataforma TikTok, em que essas mulheres contam as histórias de relacionamentos com homens mais velhos e as marcas que estas relações deixaram.
 

Duas semanas após o lançamento do disco, Demi se apresentou no dia 4 de setembro em um dos festivais mais importantes do Brasil, o Rock in Rio. Durante seu show, ela mostrou que não precisa do gênero pop e de canções genéricas para manter seu sucesso, com sua guitarra e uma banda com integrantes femininas, Demi não precisou de grandes produções para conquistar as cem mil pessoas presentes, que apesar do recente lançamento do álbum e sua volta ao rock, cantaram as novas músicas e se emocionaram com as antigas, como a tocante e inspiradora ‘Skyscraper’.  

 

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