18/07/2019 às 12h05min - Atualizada em 18/07/2019 às 12h05min

Eduardo Bolsonaro deve ser indicado para embaixador nos EUA

O presidente se diz seguro da capacidade do filho e não se preocupa com as críticas.

Marina Arruda - Editado por Naryelle Keyse
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O presidente Jair Bolsonaro parece estar cada vez mais próximo de indicar o novo embaixador do Brasil nos EUA. O nome mais cotado é do seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que hoje preside a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.

A primeira declaração pública de Bolsonaro sobre a intenção foi no último dia 11, quando deixava a cerimônia de posse de Alexandre Ramagem Rodrigues como novo diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Na ocasião, disse que a indicação estava em “seu radar” e elegeu a proximidade do filho com os herdeiros de Donald Trump e as habilidades do mesmo com inglês e espanhol como justificativas para a provável escolha.

Em contrapartida, ainda segundo o presidente, a necessidade de renunciar o mandato de deputado para assumir o novo cargo estaria sendo analisada pelo filho, deputado mais votado do Brasil na última eleição. "Da minha parte, eu decidiria agora, mas não é fácil uma decisão como essa, renunciando ao mandato sendo o deputado mais votado do Brasil. Tem certas questões que, apesar de ser meu filho, ele tem que decidir", completou.

O último a ocupar o posto foi Sérgio Amaral. O diplomata e advogado há três meses foi removido pelo ministro das Relações Internacionais, Ernesto Araújo, da função que assumia pela terceira vez desde 2016.

De acordo com Robson Carvalho, mestre em Ciências Políticas e especialista em Gestão de Políticas Públicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a experiência prática e teórica em relações internacionais é fundamental para o exercício de funções diplomáticas, principalmente para assumir embaixadas de grande porte.

Para o mestre, preparo, formação, aptidão em diplomacia e em construção de boas relações com os países onde as embaixadas estão instaladas são os requisitos básicos que devem ser analisados no processo de escolha. ”A relação deve se dar de nação a nação, não entre grupos políticos. É uma relação de estado-a-estado. E, em primeiro lugar, deve-se colocar os interesses coletivos de um povo, de uma nação como um todo”, completa.

Robson lista alguns motivos pelos quais acredita que a nomeação seria inadequada, entre eles o fato do deputado “tomar partido” de situações internacionais em que o Brasil sempre se manteve neutro por questões comerciais, colocando o país em uma linha de conflito, como por exemplo no caso Israel e Palestina. O cientista declara temer a nomeação de parentes para o cargo. “Uma república de famílias não combina com uma democracia. Onde estão aqueles que juraram ao povo que fariam uma nova política?” conclui.
 
”Não estou preocupado com críticas”

Em uma live no seu perfil do Facebook no dia 12 de julho, Bolsonaro repercutiu os comentários sobre as críticas recebidas após a declaração inicial. O presidente voltou a citar a relação de Eduardo com a família do presidente estadunidense e suas habilidades com línguas estrangeiras como motivos para a indicação.

Durante a transmissão, disse que o filho não é um aventureiro e que confia plenamente em sua capacidade de assumir o cargo, negando que a decisão partiu de nepotismo. “Se eu vou indica-lo ou não, aí eu vou esperar o momento certo. Quanto a crítica, eu não estou preocupado com críticas. (...) Essa questão é do Eduardo, passa pelo Senado, não passa por mim. Agora, eu fico muito feliz porque eu tenho certeza que se meu filho sabatinar no Senado, ele se sairá muitíssimo bem”, declarou.

Em um vídeo publicado no YouTube, Eduardo Bolsonaro alegou que a chance de ser embaixador não tem relação com sua familiaridade. “Eu tenho um certo gabarito e é isso que me dá respaldo para essa possibilidade de nomeação”, complementou o deputado, que citou ainda sua participação em um programa da Fox News em uma de suas viagens aos EUA, onde diz ter passado a imagem de “um novo Brasil que está nascendo”.
 
Repercussão

O vice-presidente Hamilton Mourão, em entrevista à jornalistas no dia 17 de julho, se mostrou favorável à provável decisão de Jair Bolsonaro quando questionado. “Dentro das regras para a escolha de quem não é da carreira diplomática, está dentro do padrão. É uma decisão do presidente e decisão a gente não discute”, respondeu.

Matteo Savini, vice-primeiro-ministro e ministro do Interior italiano, também comentou o assunto. Em sua página no Twitter, Savini se disse “feliz” pela possível indicação e mandou abraços a Eduardo, que agradeceu o apoio.

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