16/08/2019 às 11h24min - Atualizada em 16/08/2019 às 11h24min

Bárbara Domingos: da rejeição ao pódio

Atleta de 19 anos supera dificuldades e se torna um dos maiores nomes da ginástica rítmica brasileira

Lúcia Oliveira - Editado por Paulo Octávio
Ricardo Bufolini/CBG
Quando tinha apenas cinco anos, Bárbara Domingos fez testes para entrar em uma equipe de ginástica artística de Curitiba, sua cidade natal. Após um ano e meio de treinamentos, a menina foi dispensada, depois de ouvir que ela era grande demais e que não possuía força suficiente para continuar praticando o esporte. Devido a isso, tentou uma vaga na ginástica rítmica. Nessa nova modalidade, as desmotivações dobraram.
"Quando eu cheguei lá, falaram que eu não tinha perfil. Que eu não tinha coluna, só tinha perna. As pessoas falavam: 'Ah, ela não vai longe. Ela chega, no máximo, no infantil e encerra a carreira dela' "
Mesmo assim, a pequena atleta não se deixou abalar pelas dificuldades. Depois de muita dedicação e força de vontade, a menina que não tinha o "perfil" adequado se destacou nas competições nacionais e conquistou quatro títulos. Além disso, ganhou cinco campeonatos sul-americanos. Aos poucos, seu nome ficou conhecido nacionalmente e, recentemente, a garota que todos desencorajavam chegou aos Jogos Pan-Americanos de Lima. Aos 19 anos, Bárbara foi ao seu primeiro Pan. Seu desempenho impressionou a todos e a atleta chegou à final de todos os aparelhos (arco, bola, fita e maças) que disputou. A medalha de prata veio após competir na fita. Ao fim de sua apresentação, a jovem deu um sorriso largo e bateu as mãos no tapete em que havia acabado de se apresentar, como se já soubesse que sua bela apresentação lhe renderia uma medalha. A atleta fez 17.450 pontos, enquanto a americana Evita Griskenas chegou aos 17.950 e ficou com o ouro. Karla Diaz, do México, completou o pódio com a medalha de bronze, após fazer 16.200 pontos.
"Independentemente da dificuldade, da limitação, não tem que escutar as pessoas negativas, só você. Independentemente se vou conseguir subir ao pódio ou não, é uma prova", falou após o fim da disputa.
Além disso, a jovem também fez história na ginástica rítmica, pois essa é a primeira prata do Brasil, no Pan, nesse esporte, na categoria individual. Apesar de não imaginar que poderia chegar no nível em que está hoje, Bárbara encarou todas as críticas que ouviu desde muito nova como incentivo para sua carreira. "Provei para todo mundo que dizia que eu não tinha perfil com este meu desempenho no Pan.", disse após receber a medalha.

 
A vida de qualquer atleta não é fácil. Todo sucesso, reconhecimento e também todas as conquistas são resultados de anos de preparação - física e psciológica -, dedicação, persistência e coragem. Tudo o que vem antes de uma medalha, por exemplo, pode não ser conhecido por um expectador que só vê o momento da glória, mas o atleta relembra a todo o momento.

"Estava sentindo que a medalha iria vir. Botei na cabeça que iria conseguir e entrei muito leve. Falei: 'independente de medalha, dê sua vida'. Foi o que fiz. Dei minha vida, e a medalha veio", comentou Bárbara.

Antes de competidores, todos são humanos. O fato de alcançarem seus objetivos são os frutos de todas as sementes que foram plantadas durante os treinos e também das abdicações que precisaram fazer. Ainda que todo o entorno de um atleta grite "você não será capaz", quem define se isso será ou não uma verdade é o próprio competidor. Bárbara, por exemplo, não deixou que comentários negativos - que não foram poucos -ditassem o rumo de sua vida e, hoje, ela é um das maiores promessas do Brasil na ginástica rítmica.
 





 




 

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