23/08/2019 às 13h46min - Atualizada em 23/08/2019 às 13h46min

130 anos de Cora Coralina

10 curiosidades sobre a autora

Vitória Messias - Editado por Leonardo Benedito
Folha Vitoria; Wikipédia; Agência Brasil
Imagem: Cultura Genial
O governador de Goiânia, Ronaldo Caiado, assinou o decreto que institui 20 de agosto de 2019 a 20 de agosto de 2020 como o Ano Cultural de Cora Coralina. Desde que a renomada e tão querida autora partiu, pouca coisa mudou no casarão de esquina à beira do Rio Vermelho, na pacata da cidade de Goiás. Em decorrência dos fatos, separamos 10 curiosidades sobre a autora para celebrar não somente seu reconhecimento mas também seu aniversário!

Vamos começar pelo básico. Ana Lins dos Guimarães Peixoto, pseudônimo de Cora Coralina, nasceu em Goiás Velho, antiga capital do estado de Goiás. Decidiu sobre seu pseudônimo aos 14 anos. Segundo a própria autora, já existiam muitas “Anas” ali na pequena cidade onde vivia. Adotando outro nome, se livrou do conservadorismo imposto às mulheres e se desprendeu das raízes, o que a fez deixar o lugar que cresceu para viver os seus sonhos.

Apesar de escrever desde os 14 anos, Cora só se torna reconhecida 62 anos depois, aos 76 anos. Desde os 14 anos, Aninha já escrevia seus textos, mas so aos 76 anos de idade publicou seu primeiro livro: “Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais”.

Pare tudo que está fazendo para descobri essa! Cora Coralina estudou apenas as primeiras séries do ensino primário. Apesar de apresentar sabedoria com singeleza sem igual, a própria poetisa alega só ter tido contato com a gramática quando seus filhos foram à escola. Segundo ela, “se eu tivesse de escrever pela gramática, não escreveria coisa nenhuma”.

Era dona de uma personalidade forte.”Ousada, deixa para trás preconceitos sociais, correndo atrás de sua cidadania na política e na sociedade. Torna-se jornalista, enfermeira durante a Revolução Constitucionalista de 1932. Costura bonés, uniformes e aventais. Cria manifestos em favor da formação de um partido feminino e sobe em palanques”. (GOTLIB, 2003, p.228)

Além de tudo isso, foi aclamada por Carlos Drummond de Andrade. Cora fazia doces e os vendia, escrevia seus versos, era grande contadora de histórias e destacou-se como escritora a partir da declaração feita por Carlos Drummond de Andrade. Ao ler uma de suas obras, Drummond escreveu uma crônica que foi publicada no Jornal do Brasil, em 27 de dezembro de 1920.

Cora era feminista de mão cheia. Cumpriu seu papel de mãe e esposa, mas soube sair do restrito espaço destinado às mulheres. Em seus textos fala com simplicidade da vida do povo goiano e com singeleza fala das lutas das mulheres, tomando parte em cada uma delas.

“Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais”, seu primeiro livro, foi publicado em 1965 depois de tê-lo oferecido a vários editores. Embora houvesse iniciado sua escrita poética muito cedo, um dos seus primeiros poemas do começo, “O Conto da Inhuma”, ela escreveu em 1900, quando tinha apenas 11 anos.

Seu signo é Leão. Como qualquer outra leonina, Cora era entusiasmada, animada, cheia de força de vontade, amava o que fazia e era muito confiante, sendo até um pouco egocêntrica. Ela não gastava tempo deprimida, sempre foi rodeada por sua melhor amiga: a literatura.

Romance em vida real, casou-se, mas passou por alguns perrengues. Fugiu para São Paulo, onde permaneceu por 45 anos com o advogado Cantídio Talentino de Figueiredo Bredas, que era casado com outra mulher, tornando a vida de Cora uma aventura. Depois de sua morte, como desabrochar de uma rosa, a autora goiana se abriu em flor para a poesia, exaltando o aroma e a sensibilidade contidos em seus poemas.

Também trabalhou como confeiteira. Para manter-se, os doces feitos em tachos de cobre garantiram-lhe o sustento do corpo e, para alimentar o espírito, os versos e poemas ocupavam um espaço especial em seu coração poético, o que revelava a sensibilidade da sua alma.

No dia 20 de agosto, aniversário de 130 anos de Cora Coralina, houve, na cidade onde ela cresceu e se tornou uma grande escritora, muitas comemorações ao longo do dia, missa, bolo para todos, cerimônias oficiais, serenata e também o lançamento de um selo comemorativo dos Correios. “Cora Coralina é um nome reconhecido no Brasil e no exterior, é motivo de orgulho para nós. Precisamos celebrar seu nome e homenageá-la sempre que possível”, ressaltou o governador Ronaldo Caiado.

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