25/08/2019 às 10h13min - Atualizada em 25/08/2019 às 10h13min

Úrsula, de Maria Firmino dos Reis

Adriana de Sousa - Editado por Leonardo Benedito
Livro Úrsula
Imagem: Divulgação
A obra abolicionista Úrsula, escrita por Maria Firmina dos Reis, escritora maranhense, foi publicado em 1859 e aborda o romance romântico na visão do negro, não da forma tradicional dos romances daquela época.

Tem-se narrador em terceira pessoa, utilizando linguagem poética e a protagonista vive em um ambiente campestre, no pequeno povoado de Vila dos Guimarães, no Maranhão.

A história trás o romance da jovem Úrsula com o nobre bacharel Tancredo, que de acordo com as normas das sociedades os dois não podem ficar juntos, pois ela é pobre e ele rico.

Úrsula sofre com a tirania da época sobre as mulheres. Seu tio, Comendador, que se apaixona por ela, fará de tudo para ficar com a jovem e se torna o vilão da história.

A obra dá voz aos negros, o que naquela época não era comum, destacam-se Tulio e Mãe Suzana, que refletem sobre sua existência e sobre suas vidas em meio injustiça da escravidão. O horror vivido naquela época de escravidão é exposto ao leitor de forma crua e forte mostrando de fato a real situação que os negros viviam e também como a mulher era oprimida pela sociedade.

 

“Meteram-me a mim e a mais trezentos companheiros de infortúnio e de cativeiro no estreito e infecto porão de um navio. Trinta dias de cruéis tormentos, e de falta absoluta de tudo que é necessário à vida passamos nessa sepultura até que abordamos às praias brasileiras. Para caber a mercadoria humana no porão, fomos amarrados em pé e para que não houvesse receio de revolta, acorrentados como animais ferozes das nossas matas.(…) Davam-nos água imunda, podre e dada com mesquinhez, a comida má e ainda mais porca: vimos morrer ao nosso lado muitos companheiros à falta de ar, de alimento e de água. É horrível lembrar que criaturas humanas tratem a seus semelhantes assim e que não lhes doa a consciência de levá-los à sepultura asfixiados e famintos!”

Úrsula era uma jovem bela, casta, simples e de bom caráter sofrendo pela doença que acometeu sua mãe, como diz no trecho:
 
“Dias inteiros estava à cabeceira do leito de sua mãe, procurando com ternura roubar à pobre senhora os momentos de angustiada aflição; mas tudo em vão porque seu mal progredia, e a morte se lhe aproximava a passo lento e impassível, porém firme invariável.”
O Comendador é caracterizado como obcecado e de maldade extrema, responsável pela morte do pai de Úrsula e da enfermidade da mãe da mesma. Ele começa uma desvairada perseguição para desposar a jovem custe o que custar, como se fosse um prêmio.

Já o jovem Tancredo, amado da protagonista, é justo e rico, possui grande afeição pelo escravo Túlio, que o salvou de um acidente. O jovem casal sofre com as suas situações financeiras distintas que tornam romance impossível.

Gostou? Pois não deixe de ler esta obra maravilhosa, de Maria Firmina dos Reis, considerada a primeira escritora mulher e negra do Romantismo Brasileiro.

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