27/10/2019 às 01h11min - Atualizada em 27/10/2019 às 01h11min

Primeira capital a aprovar Escola sem Partido é mineira

Isabela Vilela - Editado por Naryelle Keyse
(Foto: Matheus Muratori - EM/D.A Press )

No último dia 14 de outubro, Belo Horizonte aprovou na Câmara Municipal, a portas fechadas, o Projeto de Lei 274/17, conhecido como Escola sem Partido. O projeto aprovado em primeiro turno em sessão ordinária, com 25 votos a favor,  tornou a capital mineira pioneira na aprovação do projeto, visto como polêmico no meio educacional. 

O Escola sem Partido é um projeto que prevê o combate a "doutrinação ideológica" que rompe com "a integridade da moral" dos estudantes, segundo seus fundadores. Proposto pela bancada religiosa, ala majoritária na Câmara mineira, o projeto é alvo de duras críticas vindas de educadores e alunos que, dentre outras limitações, são proibidos ou desincentivados a abordar temas que envolvam ideologias políticas, religiosas e ideológicas. Segundo alunos da rede particular de ensino belo horizontino, o projeto promove a censura e instaura um novo tipo de ideologia, "é uma ideologia, só que agora a que eles mesmos querem" diz Gabriel, de 16 anos.

Em mais um relato, Virigilia de Sousa, mãe de Gabriel, diz que se  preocupa com a educação futura do filho. A precarização do conteúdo programático como sociologia, filosofia e história deixarão lacunas no desenvolvimento crítico dos alunos que dificilmente serão recuperadas posteriormente. A votação à portas fechadas foi sugerida após confrontos e ameaças entre favoráveis e contrários durante encontros anteriores na Câmara Municipal. Sob grandes obstruções da oposição, a votação ocorreu 16 dias após a primeira reunião sobre o tema. Ainda é necessário um segundo turno, onde se colocarão em pauta emendas e comissões sobre o tema, com previsão para 2020.

 

 

No início do mês de outubro, o site Escola sem Partido denunciou a “doutrinação esquerdista” em um colégio de elite da capital mineira, com base em uma prova que possuía um texto redigido por Gregorio Duvivier à Folha de S. Paulo. Segundo a análise do site “(...) a professora de Português obviamente não está qualificada profissionalmente para debater todos aqueles assuntos. Desse modo, as opiniões de Gregório Duvivier adquirem, graças à professora, o status de “verdade” incontroversa. Os alunos não terão a oportunidade de refutá-las com dados e argumentos. O nome disso é doutrinação.”

 

 
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