24/11/2019 às 00h05min - Atualizada em 24/11/2019 às 00h05min

Flamengo vence e pinta a América de vermelho e preto

Gabigol marca duas vezes no fim, comanda virada sobre o River Plate e encanta a geração que ainda não viu o Mengão campeão

João Felipe Carvalho - Editado por Paulo Octávio
A taça da Libertadores 2019 vai para a galeria do Flamengo (Foto: Alexandre Vidal/CRF)
A América do Sul é rubro-negra. A espera pelo bicampeonato da Libertadores acabou no dia 23 de Novembro de 2019, exatos 38 anos depois da primeira conquista. Se Zico e companhia conduziram o Flamengo à glória em 1981, Gabigol foi o principal responsável pelo segundo título do Mengão ao marcar duas vezes na vitória por 2 x 1 sobre o River Plate, em Lima, no Peru. O gol de Rafael Borré, aos 13’ do primeiro tempo, não foi capaz de impedir a festa de mais de 40 milhões de torcedores, que só tiraram o grito de gol da garganta nos momentos finais do segundo tempo. Pela décima segunda vez, um time não consegue defender o título e perde a final na edição seguinte à conquista do troféu.
 

PRIMEIRO TEMPO

O Flamengo ensaiou uma pressão nos primeiros minutos de jogo. Porém, conseguiu apenas um choque de Bruno Henrique com Armani dentro da área, uma jogada ensaiada mal executada na cobrança de falta e uma finalização de Bruno Henrique aos 9’ de jogo. Não transformar o domínio da partida em gol custou caro ao time brasileiro, que viu seu adversário fazer o contrário aos 14’ de jogo. Após cruzamento de Nacho Fernández, um erro de Willian Arão e Gerson deixou a bola limpa para Borré inaugurar o placar no Monumental de Lima. E o Flamengo sentiu o gol. De La Cruz só não ampliou porque Pablo Marí atrapalhou o meia uruguaio. A bola perdida de Éverton Ribeiro na defesa não terminou nas redes em razão do desvio de Rodrigo Caio. Mas a chance de maior perigo dos Millonarios após o gol saiu dos pés de Palacios, em chute de fora da área, aos 36’.

Atrás do placar, o Flamengo tentava criar chances pelo meio, mas esbarrava no excesso de erro de passes, além da marcação forte feita pela defesa do time argentino. Quando a estratégia passou a ser pelo alto, Armani segurava, sem dificuldade, as bolas alçadas na área. Aos 40’, um susto. Após choque de cabeça entre Rafinha e De La Cruz, o lateral do Flamengo levou a mão ao mesmo lugar onde sofreu a lesão na partida contra o Athletico. Porém, seguiu em campo com o atendimento. Ainda deu tempo de Diego Alves trabalhar em chute de Borré, mas o árbitro assinalou impedimento no lance. Bastou ao River cozinhar o jogo e esperar o intervalo.

SEGUNDO TEMPO

Os primeiros minutos após a volta do intervalo mostraram que uma das ordens de Jorge Jesus no vestiário foi de finalizar de fora da área. Se apenas Bruno Henrique tentou na primeira etapa, Gabigol fez o mesmo no primeiro minuto do segundo tempo, mas Armani defendeu sem dificuldades. O River Plate respondeu com Suárez, em chute também sem perigo. Aos 7’, Palacios assustou novamente o Flamengo em mais uma finalização de longe do gol. Quatro minutos depois, o rubro-negro teve uma chance de ouro para empatar, mas o furo de Arrascaeta, o chute de Gabigol travado por Martínez Quarta e a finalização de Éverton Ribeiro defendida por Armani mantiveram o grito entalado na garganta.

Se o panorama da partida já era ruim para a equipe de Jorge Jesus, a situação piorou depois que Gérson, um dos jogadores mais ativos na partida, sentiu dores e pediu para sair. Restou ao Mister colocar Diego em seu lugar para conter a superioridade do River no segundo tempo. Ao contrário do Flamengo, o time era certeiro nos passes e tinha sempre a segunda bola em jogadas aéreas. Em uma das sobras, Fernández arriscou de esquerda e quase ampliou. Aos 24’, o autor do único gol da partida deu lugar à Lucas Pratto. E o Flamengo, que só tinha criado duas chances efetivas de gol na segunda etapa, se lançou mais para o campo de ataque. Aos 30’, o empate não saiu após voleio sem direção de Arrascaeta.

Enquanto Marcelo Gallardo fechou sua equipe com o zagueiro Paulo Díaz no lugar de Casco, o Flamengo tirou Arão, seu único volante para Vitinho entrar. Aos 36’, Palacios chutou rasteiro para fora e levou junto a chance do segundo gol. Mal sabia o meia do River Plate que esse lance irá tirar seu sono por muito tempo, pois a velha máxima do futebol nunca falha: quem não faz, leva. Aos 43’ (minuto já consagrado pelo gol de falta de Petkovic em 2001), o grito de gol finalmente saiu da garganta dos torcedores espalhados por Lima, Rio de Janeiro, São Paulo e até Lisboa, em Portugal. Em jogada pela direita, Bruno Henrique achou Arrascaeta dentro da área. O meia cruzou rasteiro de primeira e viu Gabigol completar para as redes. Se Lucas Pratto entrou com a missão de ajudar sua equipe no ataque, o centroavante fez o contrário ao perder a bola que originou na jogada do gol de empate rubro-negro. O River, com um histórico de gols sofridos nos 15 minutos finais de jogo, sentiu mais uma vez o gol. Sentiu tanto que sofreu outro. Aos 46’, Gabigol ganhou de Pinola, bateu forte e mostrou o porquê do apelido. Em três minutos, o Flamengo saiu de derrotado a campeão da Libertadores. Antes do apito final, sobrou tempo para o artilheiro da tarde ser expulso de campo. Além dele, Palacios também foi punido com o vermelho. Após seis longos minutos de acréscimo para o torcedor, ele pôde, enfim, comemorar o segundo título da Libertadores da América.

PREMIAÇÃO E PRÓXIMOS CONFRONTOS

O triunfo do Flamengo teve premiação dupla. Além do troféu e da compensação financeira generosa, o clube garantiu vaga na Recopa SulAmericana contra o Del Valle, no Mundial de 2019 e no novo torneio de clubes de 2021, que será disputado na China. O time também colecionou prêmios individuais. Gabigol foi o artilheiro, com nove gols, e Bruno Henrique levou o prêmio de melhor jogador da competição. Mesmo com menos gols que o camisa 9, o poder de decisão do camisa 27, com gols em jogos contra Internacional e Grêmio, pesaram na escolha.

Além da Libertadores, o torcedor ainda pode comemorar outro título no dia seguinte (24). Pelo Brasileirão, o time pode confirmar a conquista sem entrar em campo, caso o Palmeiras não vença o Grêmio, em São Paulo, às 16h. Para ver novamente os comandados do Mister em campo, o rubro-negro terá de esperar até as 21h30 de quarta-feira (27), quando o time recebe o Ceará, pela competição nacional. No mesmo dia, Marcelo Gallardo precisará recuperar a equipe para decidir outro trófeu: o da Copa Argentina, contra o Central Córdoba.



Veja os melhores momentos do jogo. Canal: Fox Sports Brasil

Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »