26/12/2019 às 12h55min - Atualizada em 26/12/2019 às 12h55min

Venda ilegal de remédios abortivos preocupa especialistas

João Marques - Edição: Giovane Mangueira
Imagem: reprodução internet
A venda de remédios que causa aborto em fetos com poucos meses ainda durante a gestação é conhecida há tempos. Mesmo assim as suas consequências são desconsideradas por alguns que insistem em colocar sua própria vida e a do feto em risco.

O médico ginecologista Bruno Jacob, conta que os medicamentos abortivos são uma forma sintética da prostaglandina - que age como hormônio e atua com vasodilatação, broncoconstrição, relaxamento da musculatura lisa. O especialista explica ainda que essa medicação foi criada inicialmente para tratar e prevenir úlceras no trato gastrointestinal, porém hoje são usadas para induzir o trabalho de parto, parar sangramentos uterinos pós parto e induzir a expulsão dos restos ovulares em mulheres com aborto retido ou incompleto.

Em centros urbanos, em publicações na internet e em fóruns virtuais, é possível encontrar propaganda de remédios que causam o aborto, que é considerado crime no Brasil e ainda causa perigo a saúde da gestante. “Existem muitos fóruns na internet de meninas que contam suas experiências e até ensinam umas às outras como fazer o aborto com misoprostol. Parece muito fácil de fazer, porém a menina pode estar colocando em risco duas vidas, a dela e a do seu bebê”, conta.

Hoje o aborto é crime no Brasil. Apenas é permitido em casos como quando ocorre de forma espontânea, quando causa risco de vida a mulher, em caso de estupro e em gestações de fetos anencefálico – má formação no cérebro. O crime previsto é de 1 a 3 anos de detenção.

Ilmar Cavalcante Muniz, especialista em Direito Penal e Constitucional explica que a compra, o armazenamento e a venda de medicamentos em desacordo com a prescrição médica ou irregulares incorrem nos crimes previstos no código penal e sujeito as multas da Vigilância Sanitária, isso tanto para quem vende como para quem compra. “Caso fique comprovado que a compra seja com a finalidade abortiva, quem vende incorre na prática do artigo 126 do Código Penal, na linha do aborto consentido e quem compra na prática de aborto do artigo 124 do mesmo código, que inclusive prevê detenção de 1 a 3 anos”, explica.

Ilmar alerta para o perigo da compra desses medicamentos: “A venda de medicamentos, de forma irregular ou em desacordo com prescrição médica é crime previsto no código penal, fato que, qualquer pessoa tendo conhecimento desta prática pode fazer a denúncia direta a qualquer delegacia, nos canais de disque denúncia 180 e vigilância sanitária da sua cidade, noticiando a prática criminosa”, conta.

Médico lança livro sobre saúde da mulher

O médico Bruno Jacob que é especialista em ginecologia se prepara para lançar no começo de 2020 o livro “O Guia da P.P.K Saudável”. O livro ajudará mulheres a entenderem mais sobre a anatomia de seus corpos e responderá dúvidas sobre saúde sexual, menstruação e gravidez.

Em seu canl no YouTube o ginecologista alerta sobre uso indiscriminado dessa substância, que,  de forma clandestina pode levar a efeitos colaterais em casos de superdoses como: Dor de barriga, vômito, diarreia, convulsão, sonolência, perda do tônus muscular, tremor incontrolável de uma parte do corpo, dificuldade para respirar, febre ou hipertermia, batimentos cardíacos acelerados ou mais lentos, tontura e desmaio.
 
 
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